Mais que magia

Espetáculo Exotique, do Grupo Tholl, leva mais de duas mil pessoas a aplaudir o show em pé

Foto: Bruno Quevedo

O “Estrangeiro das Épocas” ganhou as mais de duas mil pessoas que estiveram presentes no espetáculo Exotique, show realizado na UPF, no último domingo, Dia dos Namorados (12).

Tudo começou com a vontade de um grupo de amigos que resolveu se juntar para montar um grupo que unisse a ginástica olímpica, música, dança, o circo e teatro: Oficina Permanente de Técnicas Circenses – OPTC. Mais tarde, quando a “criatura superou o criador”, o Tholl passa a existir na criação do primeiro espetáculo: Imagem e Sonho (2002), que deu fama ao Grupo que, no Brasil, é comparado ao Cirque du Soleil.

Após Imagem e Sonho, veio Exotique: espetáculo que une o “estranho e o esquisito” de cada um, expondo as diferenças que transformam a todos em um só, um “estrangeiro  das épocas”, que carrega na mala sonhos e desejos malucos, possíveis ou não e, que, ao final das contas, une a todos no desejo único de sentir-se vivo, “exótico”.Com 70 minutos de magia circense, os 16 atores de Exotique precisam apenas de poucos minutos antes do espetáculo para mostrarem a paixão que nutrem pela arte representada através de figurinos únicos, com cores fortes, inspirados em diversos países.

“O Tholl representa tudo na minha vida, é um filho para mim. É o filho que optei não ter para poder ter o Tholl”.
João Bachilli, diretor geral
Mais que estimular a cultura através da realização de espetáculos, o Tholl não é só a expressão de pessoas que dedicam tempo ao teatro, circo ou dança, mas é a vida das quase 90 pessoas envolvidas com o Grupo. Talvez essa seja a verdadeira magia apresentada nos palcos – mais que alegria, talento e performance dos integrantes – que no final das contas leva o público que assiste – sejam duas mil ou mais pessoas – a aplaudir em pé uma demonstração de amor à arte, denominada Patrimônio Cultural do Estado do Rio Grande do Sul. 

Foto: Bruno Quevedo

Confira a entrevista com o fundador e diretor geral do Tholl, João Bachilli
Ator profissional, João Bachilli começou a atuar em 1983 no Teatro dos “Gatos Pelados”, em uma escola de Pelotas.

Nexjor: O que te levou a criar um grupo que envolve ao mesmo tempo arte circense, dança, teatro e ginástica olímpica?
João: Por causa da minha própria trajetória, por ter sido ginasta, por gostar muito de circo desde pequeno, e a minha experiência toda foi em teatro.

Nexjor: Os integrantes do grupo são todos de Pelotas?
João: Não, do Brasil inteiro. Nesse último “oficinão” a gente teve pessoas de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Sergipe e de muitas cidades do Rio Grande do Sul.

Nexjor: E para essas pessoas que vem desses lugares, há casa ou alojamento onde eles podem ficar?
João: Nós estamos criando a casa Tholl, que é uma local que vai abrigar até 10 integrantes que não sejam de Pelotas, mediante preenchimento de requisitos como não ser de Pelotas, já estar direcionado para algum espetáculo do grupo. Este é um projeto que daqui há uns trinta dias já deve estar rolando…

Nexjor: Uma Lei Estadual fez do Tholl Patrimônio Cultural do RS, pelas “novas técnicas desenvolvidas e os espetáculos montados pelo grupo, que por exprimirem arte essencialmente popular geram um autêntico acervo de técnicas circenses”. Na sua visão, como diretor geral do grupo, quais são essas “novas técnicas”, que faz o Tholl ser diferente?
João: Eu acho que o novo tem que sempre beber no antigo para buscar essência. Eu acho que cada um dá a sua cara, mas para isso, é preciso “dar a cara a tapa” porque as pessoas podem gostar ou não. Mas eu adoro arriscar então não me preocupo muito com isso, já dei a cara a tapa e já apanhei, já levei carinho. Mas a vida é isso aí, e a gente gosta de arriscar.

Nexjor: Um dos pontos marcantes do Tholl é o visual: cada peça do figurino é uma obra viva. Como é produzido o figurino do Grupo?
João: A concepção dos figurinos é feita por mim, eu é que desenho os figurinos. Nós já temos uma equipe de ateliê bem experiente que é formada por cinco elementos de cada elenco do grupo e mais as nossas costureiras. Então eu faço o projeto do figurino, as costureiras constroem a base e o pessoal do ateliê coloca os detalhes e dá a vida final pro figurino.

Nexjor: E a maquiagem, quanto tempo leva para estar completa?
João: Antigamente era eu que fazia a maquiagem, mas graças a Deus não sou mais eu (risos), por que eu ficava completamente cansado de maquiar 16 pessoas. Eu começava às cinco da tarde para apresentar às nove da noite. Então hoje quem integra no grupo já começa com aulas de maquiagem para quando estiver dentro do espetáculo já saber fazer a sua própria maquiagem.

Nexjor: Qual a preparação do elenco no dia a dia? (entre treinos, ensaio de cenas, academia, yoga…)
João: Os integrantes trabalham todos os dias em aulas de ballet clássico, com uma grande mestra que é a Daniela Souse, fazem aulas de yoga, expressão corporal, teatro, maquiagem, acrobacia e depois cada um é direcionado para as técnicas individuais.

Nexjor: Qual mensagem o espetáculo apresentado – Exotique – repassa para o público?
João: Que as diferenças existem e que elas são necessárias para mostrar que todos somos iguais, no fim das contas…

Nexjor: Você é responsável pela criação dos espetáculos. Como acontece o nascimento da ideia de um espetáculo como o Exotique: são realizadas reuniões e discussões com todo o Grupo?
João: Na verdade, eu penso uma coisa, um insight, e a partir disso começo a brincar, é como brincar!

Nexjor: Quanto tempo o Grupo se prepara antes de estrear um novo espetáculo?
João: É variável, por exemplo, o Kaiumá está sendo preparado há três anos. E não preparado na teoria, mas na prática: toda a estrutura para poder acontecer, ainda mais que esse é ousado, o maior espetáculo que a gente já fez. Há mais ou menos um mês a gente começou os ensaios de cena, pra estrear no final do ano.

Nexjor: O Tholl é auto-sustentável?
João: Nós temos muitos parceiros, como a Universidade Católica de Pelotas, parceira desde o início, além de outros parceiros, e o hoje o Grupo é auto-sustentável, vive do próprio trabalho.

Nexjor: E hoje, o que o Grupo representa na tua vida?
João: Tudo… (silêncio). Não tem muito que falar, é o filho que eu optei não ter pra poder ter o Tholl, se tivesse um filho não poderia ter o Tholl.

Nexjor: Quais os planos para o futuro do Grupo?
João: Kaiumá… Sucesso total, se Deus quiser!

Assista ao trecho final de Exotique


Confira a galeria de imagens de Exotique

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Texto
Bruno Quevedo e Giordana Pezzini

Vídeo/fotos
Bruno Quevedo