O preço da personalidade

Mesmo na era da liberdade de expressão, o mercado de trabalho ainda opera com restrições a tatuagens e piercings

Uma revolta, uma homenagem, uma ideia: independentemente do motivo, as tatuagens e piercings já não são mais vistos como coisas de outro mundo. Marcar o corpo é uma escolha que reflete a personalidade da pessoa, além de ser uma forma de manifestar a própria identidade. No entanto, nem todas as pessoas veem o desenho ou objeto metálico com bons olhos. O preconceito ainda existe e pode, muitas vezes, influenciar na hora de conseguir ou não uma vaga de emprego.

Há 3 anos, um candidato que concorria ao cargo de soldado policial militar foi eliminado do concurso por ter uma tatuagem. Após ser aprovado nas provas de escolaridade e de condicionamento físico, ele foi reprovado na avaliação de pele. O caso foi parar na justiça e a 5ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo aceitou os argumentos do defensor público e concedeu a liminar que permitia ao candidato continuar concorrendo à vaga e participar das etapas seguintes.

O edital do concurso dizia que a tatuagem “não poderá atentar contra a moral e os bons costumes”, “deverá ser de pequenas dimensões, sendo vedado cobrir regiões ou membros do corpo em sua totalidade, e em particular região cervical, face, antebraços, mãos e pernas” e “não poderá estar em regiões visíveis quando da utilização de uniforme de treinamento físico, composto por uma camiseta branca meia manga, calção azul-royal, meias brancas, calçado esportivo preto”. Como as cláusulas foram obedecidas, segundo o defensor, o candidato pôde continuar no concurso.

Casos como esses são mais comuns do que se imagina. Para Mirian Gasparin, colunista do Jornale, a tatuagem visível pode colocar em risco a vida profissional da pessoa. “Algumas profissões, como comissário de bordo, polícias militar e civil e exército não admitem pessoas com tatuagens em locais visíveis. A carreira no funcionalismo público é outro exemplo. Quem passa em algum concurso precisa, na grande maioria, retirar a tatuagem. A história se repete em áreas em que o profissional terá contato direto com o público como a administrativa, comercial e bancos”, explica.

O que diz a Constituição…

A Constituição Federal veda qualquer espécie de discriminação, seja por raça, sexo, idade, religião, etc. Essa discriminação viola o princípio  da dignidade da pessoa humana e principio da isonomia – todos são iguais perante a lei. Portanto, ninguém pode receber tratamento diferenciado pelo uso de piercing ou tatuagem, nem mesmo na relação de trabalho. Ou seja, como regra, a empresa não pode deixar de contratar alguém por este critério.

O professor do curso de Direito da UPF, André Dorneles, explica como as leis funcionam para esses casos. Ouça a entrevista:

Remoção de tatuagem

Um dos métodos mais populares para a remoção de tatuagens é o fototermólise seletiva, que consiste na utilização de lasers que são mirados na pele para remover cores específicas. Ao atingir a tatoo, o laser absorve a sua energia, eliminando a cor sem causar danos aos tecidos da pele. O número de sessões varia de acordo com a cor e o tamanho da tatuagem e o preço por sessão pode custar de R$ 250,00 a R$ 2.500,00.

 

O lado bom das tatoos e piercings

Existem alguns casos em que pessoas que conseguem notoriedade exatamente por serem “diferentes”. Rick Genest, popularmente chamado de Zombie Boy, ficou conhecido no mundo todo após contracenar com Lady Gaga no videoclipe da música “Born This Way”. O corpo coberto de tatuagens e piercings rendeu ainda a propaganda  Go Beyond the Cover, em que uma marca de cosméticos apresenta sua base, capaz de “sumir” com os desenhos do corpo de Zombie. Ou seja, nem sempre ser tatuado prejudica a vida profissional de alguém.

Confira o vídeo abaixo: