Um passo-fundense na Rio+20

(Foto Fabiana Beltrami)

Um diário sobre a sustentabilidade – saiba o que está acontecendo na Rio+20.

O ambientalista da Agenda 21 de Passo Fundo, Carlos Eduardo Sander, está no Rio de Janeiro participando da Rio+20, que ocorre de 13 a 22 de junho. Na conferência, participa como delegado dos eventos oficiais e diversifica a sua presença em diferentes setores.

O Nexjor entrou em contato com Carlos Eduardo, que aceitou ser correspondente espontâneo da Rio+20 e irá colaborar, sempre que possível, durante a semana, enviando informações. “Tão importante como estar aqui é partilhar o que acompanho, um universo maravilhoso de fatos e informações, em uma diversidade de conhecimentos e culturas difícil de “descrever” ou melhor fácil…- é o máximo.”

Minha tarefa aqui é acompanhar os debates, principalmente no tema AGENDA 21. Como representante do nosso Fórum Local- Passo Fundo, estou credenciado para algumas atividades pontuais. Nas atividades da REBAL = Rede Brasileira de Agendas 21 Locais, que ontem realizou sua primeira plenária, inicialmente foi feito um relato dos processos locais (o termo “processo” é uma definição dada aos Fóruns Locais). Depois passamos para um momento de
narrativas de experiências brasileiras e internacionais.
Fomos indicados para moderar a mesa, na qual foi feita uma avaliação dos avanços e dificuldades da RIO 92 até hoje.  Todos afirmam que a ferramenta, Agenda 21, é um mecanismo aparentemente complexo, justamente por indicar o caminho da inclusão e do diálogo. Nem todos os atores sociais sabem e ou conseguem fazer isto, incluir e reconhecer o outro no seu papel, respeitando as diferenças nas suas especificidades e necessidades. Nos mais diversos territórios os avanços se dão em todas as áreas, quando se consegue reunir esta diversidade de interesses, respeitando o outro, trazendo cada um sua percepção e entendimento. O que as Agendas 21 Locais promovem é a percepção de que não podemos planejar sem associar as questões ambientais também aos aspectos sociais e econômicos. Diversos prefeitos presentes afirmaram categoricamente: “Administrações que fizeram gestões partilhadas com os Fóruns, todas fizeram boas governanças”. Administração ambiental é cuidar de forma ampla questões sociais e econômicas, numa visão de planejamento integrada.

Depois de descrever sobre sua função na Rio+20, Carlos Eduardo conta sobre a Reunião da Juventude e Sustentabilidade da qual participou:

Estive acompanhando uma das reuniões do Encontro Internacional da Juventude e Sustentabilidade:
Destaca-se que este é o maior grupo na RIO + 20, o que mostra o quanto estão organizados e dispostos a participar.
A questão maior é o quanto estão vulneráveis em diferentes aspectos: da questão social, do emprego, escolaridade, moradia, saúde, etc… Pedem que os jovens sejam valorizados justamente pela sua inexperiência. Assim, fica mais fácil garantir a inclusão.
Os jovens do mundo todo reconhecem seu papel e responsabilidades, tanto no momento como no futuro, principalmente. A reivindicação é que sejam devidamente reconhecidos nos espaços, seja de trabalho e ou nas instâncias políticas. A grande “queixa” foi a barreira colocada como um ponto de corte: a alegação da falta de experiência. Este é um problema global. “Somos marginalizados pela falta de experiência”, diziam quase todos os interlocutores. O mercado continua vendo o jovem como um grupo de trabalhadores de terceiro nível. Por exemplo, no mercado da informática, onde os jovens têm um grande interesse e facilidade, os seus salários são menores, tem alta rotatividade e na grande maioria são vagas informais. Pedem uma educação holística, para que aprendam a ver o mundo de forma mais humanista. Este caminho aponta dias melhores. Estão preocupados principalmente com a insensibilidade dos governos em responder de forma mais enfática e eficiente aos problemas ambientais no mundo, com falta responsabilidade e compromisso com o futuro.