Long Live Rock n’ Roll!

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Quem poderia imaginar que uma salada de sons daria origem a um dos estilos musicais mais aclamados do mundo, que perdura através dos anos e que agrega cada vez mais pessoas, de diferentes gerações? Provavelmente, em plenos anos 1950, ninguém.

A perplexidade tomou conta da sociedade conservadora, que viu surgir nos Estados Unidos um dos estilos musicais mais controversos já criados na história da música. Essencialmente híbrido em sua origem, o rock agrega elementos de vários estilos da música americana: blues, country, folk, jazz, gospel e música clássica.

Entre tapas e beijos, o rock viveu, nos seus primórdios, um romance conturbado com a sociedade. Foi aclamado por multidões, massacrado pela Igreja, explorado por publicitários, dissecado por historiadores e ganhou um dia especial para sua celebração.

No dia 13 de julho de 1985, Bob Geldof, vocalista da banda americana de punk rock/new wave Boomtown Rats, organizou o maior show de rock da terra, como afirmam os amantes do estilo. O Live Aid foi um concerto que reuniu artistas lendários da pop music e do rock mundial. O evento tinha o objetivo de arrecadar fundos para que a miséria e a fome na África fossem minimizadas. Foram dois concertos, que aconteceram simultaneamente: um realizado Wembley Stadium em Londres (com uma plateia de aproximadamente 82 mil pessoas) e outro no John F. Kennedy Stadium na Filadélfia (aproximadamente 99 mil pessoas). No set list, nomes como Paul McCartney, The Who, Elton John, Boomtown Rats, Elvis Costello, Black Sabbath, U2, Santana, Madona, Eric Clapton, Led Zeppelin, Duran Duran, Bob Dylan, Rolling Stones e Queen, entre outros.

Com a venda de ingressos a 35 dólares e dos direitos de transmissão para 160 países, o espetáculo conseguiu arrecadar cerca de 70 milhões de dólares, o que certamente é uma cifra considerável.

Concerto Live Aid, realizado no Wembley Stadium em Londres. Foto/ Blog Paralelo Mundi

A união entre grandes artistas e uma multidão de pessoas apaixonadas pelo estilo musical que rompia barreiras, originou uma data que é comemorada até hoje. Rodrigo de Andrade, editor do site de (anti)jornalismo (contra)cultural Os Armênios e também apresentador do Trincheira, programa de rock da rádio 99UPF, conta que, na época, empolgado com o resultado positivo do evento (que gerou uma arrecadação 150 vezes superior a estimada), Bob Geldof sugeriu que o dia do festival, 13 julho, fosse celebrado como o Dia Mundial do Rock.

No Brasil, se vivia uma explosão comercial do gênero, com o surgimento de várias bandas que marcaram época. Andrade conta que algumas emissoras de rádio de São Paulo, com forte penetração no público de rock, resolveram comprar a ideia e passaram a promover a data anualmente. “Desde então, no Brasil, se passou a comemorar o dia 13 de julho como o Dia Mundial do Rock. Mas é só aqui. Tanto que, se você for pesquisar na internet, não há referências sobre a data no exterior. Na própria Wikipedia, o verbete não possui artigos relacionados em nenhum outro idioma. Acho que poderia até mesmo mudar o nome: Dia Mundial do Rock no Brasil.”

Mais do que um estilo musical, um estilo de vida!

Mesmo com as novas tendências no mundo da música, o rock nunca perdeu seu espaço. Com mais de 60 anos de existência, o estilo agrega cada vez mais público. Taiz Reginini, 22 anos, estudante de jornalismo, defende a ideia de que o rock é mais do que um simples estilo musical. “O Rock envolve cultura, literatura e conhecimento sobre a história do mundo. É mais que música, é uma inspiração.” Maurício Manfio, 18 anos, estudante de ciências contábeis, reforça a ideia. “Cresci ouvindo Creedence com o meu tio e nenhuma outra coisa me deixa tão feliz e empolgado quanto o rock. Sem contar que vira um estilo ideológico de vida. Tem ótimos arranjos, letras bem trabalhadas, passando sempre uma mensagem. Rock é uma maneira de manifestar ideias, protestos e sentimentos.”

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O rock, que surgiu como uma resposta da juventude às repressões da família, da Igreja e da sociedade, hoje, além de uma forma de protesto, é um estilo de vida. Para Andrade, é uma forma de manifestar que nem todos estão dispostos a abrir mão da própria individualidade, para ser mais uma engrenagem do sistema. “O rock é um chute na canela da caretice, das instituições que pregam um modelo de vida automatizado, pré-fabricado. O eterno conflito de gerações acaba levando uma parcela da juventude mais antenada ao encontro dessa manifestação artística complexa. O rock, desde seu início, deixou um legado rico para que qualquer interessado possa mergulhar fundo na sua história e se deparar com músicas e ideias surpreendentes.”


[stextbox id=”custom” caption=”Variações para todos os gostos!”]

Psicodelismo – Cores e combinações marcantes, drogas e muito protesto. O rock viveu um momento importante no final dos anos 1960 com o surgimento do trio Bob Dylan, Joe Cocker e Jimi Hendrix, representantes máximos da música psicodélica. Movidos a ácido, os músicos fizeram história com riffs repletos de efeitos. Hendrix, por exemplo, cravou seu nome na história quando tocou o hino americano simulando tiros de metralhadora e bombardeio de aviões.

Metal – Pegue o blues, acelere a batida e amplifique sua potência ao máximo. Essa foi a fórmula adota por lendas como Iron Maiden e Judas Priest, que trouxeram não apenas clássicos para o universo da música, mas também muita cara feia, cabelos longos e roupas pretas. As músicas dessas bandas têm como base profecias, capítulos das guerras, lendas, entre outros.

Punk – Atitude, rebeldia e anarquia: princípios básicos do punk, que tem como expoentes os Ramones e o Sex Pistols. Para eles, quanto maior a afronta ao mainstream, melhor. Com poucos e simples acordes, letras carregadas, cantadas em forma de gritaria, e moicanos cada vez mais vistosos, os punk rockers marcaram os anos 1970 por seu estilo peculiar de enxergar a vida.

Grunge – Outra clara resposta aos exageros, o grunge vestiu uma camisa de flanela e saiu às ruas para mostrar suas muitas facetas. Da energia do Pearl Jam à depressão encravada nas últimas canções de Kurt Cobain, à frente do Nirvana, em meados de 1993, o estilo marcou uma geração que vislumbrou o que seria o rock moderno.

Emocore – Do submundo do rock surgiu o hardcore, um estilo que tem como base o punk, mas em um ritmo bem mais acelerado. O derivado deste ritmo marcante chama-se emocore (emotional hardcore), que preferiu trocar as letras de protesto pelos dilemas do coração. Com o tempo, o emocore migrou para o público adolescente, cheio de incertezas e espinhas. O jeito foi colocar a franja de lado e curtir um ritmo rápido, dançante e que, muitas vezes, resume a vida da molecada. No exterior, Fall Out Boy, Simple Plan e Paramore se destacam. No Brasil, bandas como Restart, Fresno e NX Zero fazem a cabeça dessa galera cheia de dúvidas e desejos.

Com informações de Band.com.br

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