A nova paixão nacional

Yuri e Maurício em um de seus treinos

O MMA, esporte que mistura diversas modalidades de lutas em uma só, vem ganhando mais adeptos no mundo todo – e no Brasil não é diferente.

O Brasil não é mais o país de um único esporte. Prova disso é que, além do futebol – que ainda segue sendo o líder no ranking dos esportes mais apreciados pelos brasileiros –, práticas de luta como o MMA vêm se destacando cada vez mais. Os números mostram que o esporte ainda sofre pelo preconceito, uma pesquisa denominada “Muito além do futebol – um estudo sobre esportes no Brasil”, que foi realizada em 2011 por uma das grandes empresas de consultoria e auditoria do mundo, a Deloitte, mostrou que as artes marciais e as lutas em geral, apesar de serem o sexto esporte mais televisionado no país, desfrutam do maior contraste de opiniões com relação ao gosto. Enquanto 51% dos entrevistados declararam gostar de lutas, 45% foram contrários. Assim como as demais lutas, o antigo “vale-tudo”, como era chamado o MMA algum tempo atrás, ainda provoca divergência de opiniões pela fama de desregrado.

Yuri e Maurício com o treinador. Os cinturões são do campeonato amador em Caxias do Sul

O preconceito atingia também aqueles que agora o veem como um esporte. Yuri Alves, 18 anos, começou a treinar com 14, mas, antes disso, não via a prática com bons olhos. “Eu via como vale-tudo, uma coisa que só marginal fazia”, diz Yuri, que foi campeão de um dos muitos campeonatos amadores promovidos pelo mundo todo. Além dele, outro atleta da Liga Cultural de Artes Marciais Olympika, Murilo Fernandes, 21 anos, foi um dos vencedores do campeonato que aconteceu em Caxias do Sul em janeiro.

Os dois treinam juntos e sentem a dificuldade de conseguir patrocínio para o esporte. Segundo Murilo, a maioria do que conseguem vem de conhecidos, e é para ajudar, não para divulgar a marca. “Eles acham que não divulgam com o MMA. É bem complicado, aqui em Passo Fundo ainda não tem muita repercussão”.

A vida de atleta

Lutar requer disciplina e foco. Se privar de ir a festas e cuidar da alimentação são alguns dos deveres de quem quer se tornar um profissional, ou daqueles que já são, mas tudo isso fica bem mais difícil quando se está começando e uma equipe de acompanhamento faz falta. “A gente se foca, porque, se saímos um pouco da linha, chega na hora e já era, porque não depende de mais ninguém, só de nós”, conta Yuri, que cerca de um ou dois meses antes das lutas procura não sair à noite e se preservar. Para Murilo, a pior tarefa é cuidar da alimentação, “Às vezes temos uma ou duas semanas para perder 10 quilos, e chega no dia da luta, sentimos muita fraqueza”.  Ele também sente a falta de uma equipe para ajudar nessas horas: “Tem que ter muita disciplina, pois não tem uma equipe de profissionais pra te orientar, tu que tem que fazer isso sozinho. Às vezes a família inteira está jantando e você mandando saladinha, pedacinho de carne”, comenta.

 

[stextbox id=”custom” caption=”Categorias por peso”]

Alguns lutadores podem começar seu treinamento para um evento com cinco ou mais quilos acima do peso, mas perdem esse peso a tempo para a pesagem. Uma vez que um lutador bate o peso, ele segue rígidas diretrizes nutricionais para se re-hidratar e se preparar para a luta. Outros lutadores optam por manter o mesmo peso e permanecem em sua categoria de peso, assim eles não precisam ganhar ou perder o peso antes de uma luta.

Peso pesado – de 93 Kg até 120 Kg

Meio-pesado – Até 93 Kg

Peso médio – Até 84 Kg

Meio-médio – Até 77 Kg

Peso leve – Até 70 Kg

Peso pena – Até 66 Kg

Peso pluma – Até 61 Kg

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A família é uma parte indispensável na hora de motivar e dar força para o atleta, mas, muitas vezes, a preocupação acaba sendo um fator negativo nessa caminhada. Isso se deve principalmente ao fato de que muitos ainda acreditam que no esporte não existem regras. Pelo contrário, no MMA não “vale-tudo”. Há regras claras e bem definidas que regem aqueles que decidem entrar no octógono. E elas são feitas e mantidas pelo UFC, Ultimate Fighting Championship, a principal organização de MMA do mundo. Na família de Murilo, o apoio tem altos e baixos, “No começo ninguém dava a mínima, não achavam que tinha futuro, não levavam a sério. Aí ganhei o primeiro campeonato e não liguei pra contar. Quando eu cheguei em casa com o cinturão, foi aquela loucura, todos ficaram muito felizes. Aí, quando participei de outro campeonato e quebrei o pé, foi tudo por água a baixo de novo”.

[stextbox id=”custom” caption=”UFC”]Organização esportiva que mais cresce no mundo, o Ultimate Fighting Championship® (UFC®) começou em 1993, e opera há 18 anos como uma organização profissional de artes marciais mistas (MMA). O UFC está em 354 milhões de casas mundialmente, e pode ser visto através da televisão em cerca de 145 países e territórios, em 19 línguas.[/stextbox]

O crescimento do MMA é cada vez mais visível. No Yahoo! Esportes, nos Estados Unidos, foi feita uma pesquisa para saber qual esporte americano a população gostaria de ver daqui a 4 anos no Brasil (nas olimpíadas de 2016). O MMA recebeu 25% dos votos, o baseball 32%, o softball 24%, lacrosse 19% e hóquei de campo 15%. O esporte, que ainda requer um pouco de atenção por parte dos patrocinadores, tem muito a crescer. Segundo  o presidente da Federação Rio Grande do Sul de MMA,  Ronnie Lincoln, não existe um número exato de lutadores, pois há muitas academias clandestinas. Os atletas cadastrados são 250 e somente esse ano já aconteceram 9 eventos, 4 etapas do brasileiro, duas do Dragon Fight  e mais as etapas do mundial.

Preparamos um infográfico com informações que vão te ajudar a entender as diversas modalidades de lutas que compõem esse esporte que se tornou mais uma das paixões nacionais.

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