Cultura a longo prazo

 

Nexjor conversou com o secretário do Ministério da Cultura, Sérgio Mamberti, sobre o futuro das políticas culturais do país

Dizem que depois da chuva sempre vem a calmaria. O tempo deu uma leve trégua para que todos pudessem ver e ouvir o ator, diretor e produtor Sérgio Mamberti, que veio a Passo Fundo para ministrar a aula magna da Faculdade de Artes e Comunicação (FAC) no dia 1º de outubro na abertura da XIII Semana Acadêmica da unidade. O ator, que possui em seu currículo mais de 80 peças de teatro, 40 filmes e inúmeros trabalhos na televisão brasileira, se emocionou ao encontrar o auditório completamente lotado. Mais conhecido como o tio Vitor de Castelo Rá Tim Bum, Mamberti trabalha há 10 anos no Ministério da Cultura (MinC), atualmente ocupando o cargo de secretário das Políticas Culturais.

Em 2011, o Plano Nacional de Cultura foi um dos projetos implementados pelo MinC. Há poucos dias, mais uma ação foi aprovada para auxiliar esse processo. “O Sistema Nacional de Cultura (SNC), aprovado agora em setembro, é o grande articulador. Pela primeira vez, a cultura tem a possibilidade de construir um projeto de longo prazo visando a um cenário para 2020”, afirma. Mamberti explicou que, em 2001, foram construídas as metas e em 2012 estão sendo criados os planos estaduais, municipais e setoriais. “Juntando uma coisa a outra, temos a possiblidade real de cumprir essas metas até 2020 e, dessa forma, criar uma institucionalidade que a cultura nunca teve”.

Além de organizar, o SNC dará a articulação nacional para esse processo, já que, segundo o secretario, atualmente as ações são mais concentradas na região sudeste. Para Mamberti, “haverá uma difusão muito maior de todas as políticas públicas no sentido da sensibilidade, criação e inclusive de criação de uma economia criativa no sentido de fazer com que a cultura contribua efetivamente para o PIB nacional. Tudo isso faz parte desse processo estratégico”.

Indicadores Culturais
Além do SNC, está em desenvolvimento o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais, que será gerido a partir de uma plataforma de governança colaborativa. Todos os dados do ministério serão agregados disponibilizando vários acervos e, ao mesmo tempo, construindo novos indicadores da cultura, fazendo com que o usuário interaja e usufrua das informações do sistema. “Essas ações são um grande alento justamente para quem esteve durante todos esses anos sonhando com um MinC que pudesse estar institucionalmente mais sólido, para que pudesse cumprir seu papel estratégico para esse novo Brasil”, desabafa.

Um dos pontos essenciais para uma estratégia é a continuidade, que foi bastante ressaltada pelo secretário. “O ministério estará trabalhando, a partir de 2013, para cumprir essas metas para que, ao chegar ao final de 2020 com elas cumpridas, a cultura possa ter uma institucionalidade que ela nunca teve. Isso se estende para os municípios, estados e também para a área setorial. Tudo isso, de certa maneira, são ações complementares”. O reflexo disso está lá fora. Mamberti lembra que o país se articula muito bem no Mercosul Cultural e que várias ações no exterior, como o ano do Brasil em Portugal e o festival Europalia Brasil na Bélgica, mostram que a nação está assumindo um papel muito importante no plano internacional.

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“Estamos construindo um projeto cultural compatível com o processo de cultura”

“O jeito de ser brasileiro é resultante do sentimento e do processo cultural diversificado do país”

“É chegado o momento em que temos que lutar para que se possa manifestar livremente”

Veja como foi a palestra na cobertura pelo Twitter em #FAC60anos[/stextbox]

Cultura da infância
O começo da formação de uma sociedade reside na infância, e Mamberti reafirma que o MinC possui políticas voltadas para os pequeninos na Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural. “É na infância que se forma o cidadão, que se faz a cidadania cultural. Nesse momento, a relação entre cultura e educação passa a ser fundamental”. Ele ainda lembra que, na época em que atuava como secretário da Identidade e Diversidade Cultural, foram desenvolvidos projetos específicos para a cultura da infância, que procuraram fomentar atividades para a construção de uma cultura específica para a infância.

Volta ou não volta?
Mas uma dúvida permanece: quando veremos Mamberti atuando novamente? “Estou analisando algumas propostas, pensando em voltar no ano que vem, mas é difícil, estou muito preso ao meu trabalho no MinC”, frisa. Ele lembra que ainda tem muito vigor e energia ao 73 anos e revela que possui projetos importantes para gostaria de realizar como ator no teatro. “Tenho ponderado se não seria o momento de voltar e continuar contribuindo, mas, dessa vez, como militante da área cultural. Vamos ver, tudo pode acontecer”, finalizou o eterno Tio Vitor, que alegrou a infância de muita gente.