Eu, fã!

Um show. Ser um fã.  Os ídolos. Estádios, arenas, clubes, teatros.
Onde existir um palco, lá estará a estrela cantando e sendo idolatrada.

Desde meados dos anos 80 já era costume: grandes turnês passam em caravana pelo planeta arrastando milhares de pessoas a shows gigantescos de produção e de performance. O Brasil, há algum tempo, virou “palco” de muitas apresentações de artistas internacionais: apenas em 2012, passam por aqui SOJA, Linkin Park, Simple Plan, Evanescence, Robert Plant, Slash e os mais aguardados: Lady Gaga e Madonna.

“Are you having some fun?!!!”

Em 2010, os fãs de Beyoncé puderam assistir ao espetáculo protagonizado pela cantora em um show para 15 mil pessoas. No Parque Planeta, em Florianópolis, um desses fãs resistiu sob um sol de 38°, das 16h até o início do show, às 22h. Rafael Bertoni, estudante de odontologia, de 19 anos, conta como teve de aguardar horas parado para não perder o lugar depois de entrar para assistir ao show: “Saí correndo até a catraca e entrei na minha ala. Ficamos ali, sem sair do lugar pra não perdê-lo. Tinha de tudo: casal, solteiras, transformistas, crianças com as mães. Tocaram três djsali por volta das 20h. Às 21h, a Wanessa Camargo entrou pra abrir o show”. Diante dos milhares de fãs, a cantora Beyoncé também teve que enfrentar as dificuldades de mais um dia de show internacional. “Ela subiu ao palco às 22h 10m, porque passou mal devido ao calor. Aí começou o show. A Beyoncé cantava e fazia caras de surpresa, porque o público acompanhou todas as letras e em nenhum momento as pessoas ficavam sem cantar ou gritar pelo nome dela. Em ‘Get me bodie’, ela deu um conversada com o público, tipo: ‘Boa noite Floripa!’ ‘Vocês estão se divertindo?’, ‘Quero sentir sua alegria’, e tal”, conta o estudante.

Rafael fez fotos do show da Beyoncé que foram parar no site oficial da cantora. Confira aqui

A cantora dedicou muito tempo do show para os fãs: cantou parabéns para quem estavam de aniversário naquele dia, cantou homenagens para Michael Jackson e, próximo ao final do show, desceu até perto do plateia, e foi quando Rafael quase conseguiu tocar a mão de seu ídolo. “Ela cantou ‘Parabéns pra você’, seguiu com ‘Halo’ e desceu até a primeira fila. Passou para o lado onde a gente estava. Foi uma infelicidade do ‘caramba’, porque não consegui tocar na mão dela por uns 2cm”, relata o estudante.

O tumulto, comum em qualquer show, não ficou somente nas cenas de euforia protagonizadas pela cantora Beyoncé. Durante a abertura dos portões, empurrões e confusão quase estragaram a noite de música internacional. “Quando os seguranças começaram a conferir o ingresso no 1º portão, todo mundo começou a empurrar. Mas daí eles desistiram”, relembra Rafael do show de 2010.

Gaga in Washington DC

Os fãs brasileiros são mais fiéis e obcecados por seus ídolos? Os shows aqui no Brasil são concorridos e falta organização? Como comparar as apresentações ao redor do mundo?

Edervan Pommerening saiu de Vacaria, no noroeste do Rio Grande do Sul, a fim de estudar inglês nos Estados Unidos. Com 18 anos, passou quatro meses em Washinton DCna casa da irmã. Lá, teve a oportunidade de ir a um show da Lady Gaga, no Verizon Center, em 2010. “Ir a um show nos EUA é bem mais fácil e organizado. Os ingressos são bem mais acessíveis e demoram pra acabar, porque os estádios lá têm capacidade muito maior do que os daqui”, relata Edervan, depois de sua passagem pelos Estados Unidos. Além da organização e do valor dos ingressos, outra coisa que chamou a atenção do estudante de relações internacionais, de 20 anos: como se comportam os fãs brasileiros e os americanos em um mesmo show. “A maioria dos fãs são comportados, mas, no show em que eu fui, teve uma briga entre dois brasileiros, e a Lady Gaga mandou parar o show e retirar os dois de dentro do estádio”, conta Edervan.

Em Washington, Edervan aproveita o show de Lady Gaga com os amigos

A loucura pelo ídolo e a ida do fã até o show: dois símbolos da devoção pelo artista. No Brasil ou nos EUA as coisas parecem acontecer da mesma forma. As pessoas cedem aos encantos de seus cantores favoritos e saem de casa direto para a plateia. Assim como aqui, nos outros países o culto aos artistas acontece de forma bastante parecida. “As pessoas se preparam bastante também, porque os shows passam raramente pela cidade. A tour da Lady Gaga passou pela cidade em que eu morava só uma vez”, relata o estudante, que este ano irá ao show da Lady Gaga outra vez, agora aqui no Brasil. Apesar de suas idas e vindas para os Estados Unidos – ao todo ele já passou um ano morando fora – Edervan se diz um fã brasileiro: “Os fãs brasileiros são os mais loucos e incríveis”.

Os fãs da Banda Red Hot Chilli Peppers produziram um super vídeo em homenagem a banda. Confira: