Não conheço, por isso não preservo!

Não compreender o significado, a importância e a influência do não cuidar do nosso meio é, sim, um agravante para a falta de preservação do planeta.

 Meio ambiente. Ciclo. Preservação. Você já parou para pensar em como está o mundo em sua volta? E tem feito alguma coisa para colaborar com o planeta onde mora e do qual precisa para sobreviver? Muitas vezes o ser humano pretende colaborar com o planeta, mas essa colaboração acaba ficando apenas na cabeça, como uma teoria não aproveitada. Entender o valor das três palavras citadas no início do texto é o primeiro passo, talvez tímido, mas fundamental para começar agir a favor do meio onde vivemos.

Um indicador de como está o ciclo em que vivemos é a biodiversidade, que, no mundo todo, está diminuindo. Relatórios são publicados todos os meses apontando novas espécies em extinção, maior número de desmatamento, altas temperaturas e, com elas, grande número de queimadas. No final de 2012, um novo relatório foi publicado pela Sociedade Zoológica de Londres, e mostra 100 novas espécies em extinção, entre eles, cinco brasileiras.

Não só indicadores, esses animais funcionam, também, como produtores e proliferadores do bioma, como explica o ambientalista de Passo Fundo, que esteve na Conferência Sobre o Desenvolvimento Sustentável da ONU, a Rio+20, Carlos Eduardo Sander: “Vamos falar das borboletas, pois duas espécies do Brasil estão na lista das 100 espéciesem extinção. Asborboletas são contribuintes de significado e importância para o sistema de produção e para a reprodução das espécies de vegetais; a perpetuação desse sistema é alimentado pelo trabalho de polinização das borboletas”, explica.

Ao tirar as borboletas, o território terá uma implicação direta em seu fluxo. Porém, ao mesmo tempo, a extinção pode acontecer de forma natural, por que faz parte do ciclo da vida. A bióloga responsável pelo zoológico da Universidade de Passo Fundo, Simone de Fátima Nunes, informa: “Na natureza existe um equilíbrio natural, com predadores e presas”, diz, e explica que a extinção só não é válida quando praticada pelo homem, que traz o desequilíbrio para esse ciclo.

Mas não são apenas as borboletas – neste caso, duas espécies, Actinote Zikani e Parides Burchellanus – que estão na lista de animais brasileiros da Sociedade Zoológica de Londres. Um roedor, conhecido como Preá e encontrado apenas em uma ilha de Santa Catarina, também faz parte da lista. Outros são o pássaro Soldadinho do Araripe e o macaco Muriqui-do-Norte. Não só este macaco citado no relatório, como também muitas outras espécies – até pouco tempo o Mico-Leão-Dourado –, desaparecem, em parte, porque são vítimas da caça. “Parece um absurdo, mas, no caso dos primatas, quase 70% da erradicação se dá por caça. Em muitos territórios, ainda, a caça é usada como forma de alimentação”, comenta Sander.

Além da caça, a poluição que geramos é um agravante, mas nada pior que a destruição de áreas de mata para a construção de lavouras. A bióloga e professora em Passo Fundo, Nêmora Prestes, orienta quanto à redução de áreas de mata: “Quando se reduz um ambiente, se reduzem, também, os ecossistemas, os alimentos, as áreas de reprodução e de vida desses animais e, consequentemente, se reduzem as condições de sobrevivência deles, reduzindo, portanto a diversidade”, conclui.

Boa parte do desaparecimento do habitat natural desses animais se deve, também, às queimadas, geralmente provocadas pelo homem e muito frequentes no Brasil. “As causas são duas. Uma espontânea, que acontece mais especificamente no território bioma cerrado, pela questão climática, inclusive nos períodos de seca, quando as temperaturas são mais elevadas. As outras queimadas são resultado da ação humana, de uma forma predadora, por relapso, descuido, por brincadeiras, por manejo e pela ocupação, que é uma forma de obtê-la”, diz Sander.

Com tantas circunstâncias que prejudicam o meio ambiente, Nêmora diz que não acredita na melhora: “Eu não sou nem um pouco otimista em relação à melhora, eu acho que a tendência é piorar. Existe uma pressão antrópica muito grande que continua sobre o desmatamento e sobre a redução dos fragmentos que existem”, alerta.

Cuidar do meio onde se vive é uma maneira para, se não evitar, ao menos, diminuir a extinção e o desmatamento. “Uma ação importante é cada região preservar as suas espécies endêmicas. Logicamente que temos que nos preocupar com os animais ameaçados no país, mas, devemos nos voltar para os animais da nossa região”, salienta Simone. Da mesma forma que cuidar dos animais da nossa região, cuidar da cidade onde se mora, das ruas por onde se passa e do alimento que se escolhe na hora da compra podem colaborar na diminuição do desequilíbrio.

Mas essas atitudes serão tomadas, somente, quando o ser humano passar a conhecer, realmente, o meio ambiente. “A gente não preserva o que não conhece. Visitas orientadas ao zoológico, para que as pessoas saibam a importância que cada animal tem na natureza, contribuem, certamente, para que as pessoas, quando estão em suas casas, não matem os animais”, esclarece Simone.

Para Sander, a compreensão é o fator principal que pode levar o ser humano a tomar uma atitude a respeito do planeta: “Falta compreensão. E essa compreensão vem à medida que nós saibamos reconhecer de algum modo o que faz parte deste mundo. Nós somos uma parte, um item dessa grande cadeia. O aspecto de não conservação, de não respeitar o meio, passa justamente pela falta de entendimento do significado, da importância e das influências que esse não cuidado implica. Nós somos fruto da ignorância”, justifica.

Ignorância que pode ser tratada à medida que o ser humano passar a se interessar pelo meio que o cerca, pela água e alimento que lhe abastecem ou pelo ar que mantém vivo. Conhecer as causas e saber que as atitudes trazem consequências pode ser um estímulo para começar a preservar. Agora que já sabe… Preserve!