Entre tacos e tequila

É difícil encontrar alguém que, um dia, não quis se aventurar pelo México. Entre tacos e tequilas, o país povoa a imaginação de muita gente, principalmente dos mais jovens. O que poucos sabem é que o México pode ser muito mais que bebedeiras e diversão: o berço das culturas pré-colombianas é rico em cultura, história e fé.

Foi em busca de algo diferente que Nathielli Zart acabou no México. A estudante de relações internacionais de Santa Maria passou uma temporada lá para estudar e, claro, se divertir. Na bagagem, além da coragem de experimentar coisas novas, trouxe alguns quilinhos a mais. Afinal, ninguém resiste a uma culinária tão excêntrica.

O que te levou ao México? Como você decidiu ir pra lá?

Foi muito no impulso quando aceitei ir para lá. Queria viajar para conhecer o diferente. Em meio a outros países, escolhi o México, pois este me atraiu por ter uma cultura receptiva a estrangeiros, ter um idioma diferente, o espanhol (o qual eu buscava ter fluência) e também pela história , por ser um povo latino-americano, com raízes bem fortes; tive curiosidade de ver de perto. Além disso, é um país com paisagens encantadoras e lugares muito legais para se conhecer.

Qual foi a primeira impressão que você teve do país?

Convivi no início mais com jovens da universidade onde estudei. Achava eles muito hospitaleiros e simpáticos. Onde eu morei, que foi em Saltillo, uma cidade ao norte do país, eles têm uma cultura americanizada. Então, eu achava um pouco curioso ver algumas maneiras e costumes que eles tinham, pareciam com alguns casos de filmes americanos, era engraçado de ver. No âmbito mais familiar, eles são bem mais conservadores que no Brasil. Assim, tive uma impressão de que teria que ter mais cautela na hora de falar sobre alguns assuntos, principalmente tentar não comparar com a cultura brasileira, que é bem mais aberta. Simplesmente tive de aceitar enxergar as coisas sobre um novo ponto de vista.

Aprendi a ter coragem de viver, me aventurar e me tornar protagonista da minha felicidade.

O México é conhecido por ter uma cultura rica. Quais aspectos dessa cultura mais te chamaram atenção?

Acredito que em primeiro lugar a culinária. É muito típica e muito rica. Existem diversos pratos, com ingredientes diferentes, e, como todos sabem, uma quantidade infinita de temperos e pimentas. No início foi difícil de acostumar, mas passados uns 2 meses eu já não podia viver sem. Outra coisa é a questão da família ser mais patriarcal, de os homens normalmente terem mais abertura e destaque no trabalho e em casa também.
Apesar da influência americana ser evidente, os mexicanos defendem muito suas raízes, gostam muito de comemorar suas datas festivas nacionais, e as festas são muito boas!

Como é a vida lá? A rotina, o custo de vida.

A rotina que vivi foi a de uma estudante, que tinha aulas todas as manhãs e, à tarde, umas três vezes na semana. No geral as pessoas trabalham ou estudam durante o dia, e à tardinha ou noite costumam fazer algo relacionado ao lazer, ir ao cinema, a algum bar ou restaurante.
Nos finais de semana sempre saía a passeios com os amigos ou a festas. O preço disso é bem mais acessível que no Brasil.
Há muitas opções de locais para sair, principalmente por ter restaurantes e bares de marcas americanas, o que facilita o acesso e também diminui o preço dos serviços dessas empresas no México.
Em relação ao custo de vida, não difere muito do Brasil,mas ainda assim acredito que seja mais barato, comparando com o custo de vida que tenho numa cidade como Santa Maria.

A culinária mexicana é considerada uma das mais diversificadas do mundo. Como foi provar todas as iguarias mexicanas?

Muito bom! Eu engordei um pouquinho (8kg, hahaha) durante minha estadia lá! Os pratos são realmente apetitosos. As pessoas desde criança aprendem a cozinhar os pratos mais típicos (tacos, burritos, salsas), em pequenos bares podemos encontrar verdadeiras delícias. Em alguns restaurantes havia pratos mais sofisticados e variados, alguns com peixe e frutos do mar. Mas para mim o melhor era realmente a comida típica, os tacos de carne com pimenta e temperos diversos, as famosas quesadillas (espécie de tortilla de farinha com queijo e presunto) e as gorditas (de sabores diversos como carne, frango, batata, etc.).
Os doces também são muito bons, feitos principalmente à base de tamarindo (alguns levam pimenta também) e outros de uma espécie de doce de leite (não recordo o nome agora).

E a religião, como é a relação deles com seus santos e deuses?

A grande maioria da população é católica, e a santa mais conhecida nessa religião é a Virgem de Guadalupe, que é considerada a padroeira do México. Onde eu vivia não se via tanto ativismo religioso, apesar de eu frequentar as missas junto com a família regularmente.
Mas também há uma ascensão de igrejas protestantes, lá chamadas de “cristianas”, que seriam como os evangélicos aqui do Brasil. Grande parte por influência americana também.
As demais religiões eu não tive tanto contato, porém sei que, por razão da cultura pré-colombiana, vários povos ainda mantêm tradições e rituais sagrados e acreditam em deuses, etc.

Como os jovens se divertem por lá?

Com muita festa! Os mexicanos realmente gostam muito de se divertir. As baladas são parecidas com as do Brasil em relação às músicas, mas acredito que mais divertidas pelos mexicanos serem mais expansivos talvez (não se incomodam de dançar, falar alto, cantar). Normalmente os jovens têm seus grupinhos de amigos e são muito unidos. Fazem junções, “posadas” (em comemoração a alguma data festiva, como o Natal, ou até mesmo o aniversário de alguém). Normalmente, tudo é preparado de forma a agradar a quem é convidado, com bastante comida e bebida.
Lá também eles costumam fazer festas ao ar livre, com música tradicional, as quais cantam em voz alta e dançam. É bem legal de ver.
Outra maneira de se divertir é através dos passeios, porque as cidades normalmente têm parques de diversão ou praças, e também shoppings com jogos e cinema.

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Que lições você trouxe dessa viagem?

Aprendi muito a tolerar. Eu sabia que estava em um ambiente desconhecido, longe de tudo, não conhecia ninguém. Para poder me inserir nessa nova cultura, tive que aprender a respeitar e tolerar as opiniões de outras pessoas, seus costumes e aprender não a criticá-los, mas questioná-los para tentar entender seu ponto de vista.
Outra coisa que aprendi é em ser mais feliz com o que tenho, em saber aproveitar os momentos como se fossem únicos. Muitas vezes eu sentia que seria a última vez que veria algumas pessoas, e esse sentimento me fazia valorizar muito aquelas pessoas, que foram especiais para mim de alguma forma. Aprendi a me conhecer também, saber meus limites e também saber que podia chegar muito mais longe em alguns casos.
No fim, posso resumir que aprendi a ter coragem de viver, me aventurar e me tornar protagonista da minha felicidade.

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