Próxima parada: o que as pessoas pensam sobre o transporte coletivo?

Esperar, olhar para o relógio, conferir o guia de ônibus, torcer para que não atrase, embarcar, ouvir a conversa alheia, procurar os fones de ouvido, ligar o play, conversar com o passageiro ao lado e desembarcar. Essa é a rotina de quem precisa do transporte coletivo.

O aumento de veículos no Rio Grande do Sul teve início em 2004, quando o número de meios de transporte era de 3.243 893. Já, em 2011, o site do DETRAN destacava o Rio Grande do Sul como o quinto colocado no ranking nacional de frotas de veículos, com 4.854.442 em circulação, sendo que a população na capital gaúcha era de 1.409.351 habitantes. Mas o aumento de veículos nas ruas não é um problema isolado: ele trouxe a preocupação com o meio ambiente, com o despreparo das cidades para gerenciar um fluxo cada vez mais acelerado e a necessidade de meios de transporte que auxiliem  um número maior de pessoas.

Uma das alternativas é o transporte coletivo. Apesar de os ônibus, alternativa disponível na cidade de Passo Fundo, representarem um meio de mobilidade que acomoda até 44 pessoas sentadas, algumas linhas recebem um número maior de passageiros nos horários de pico, que são os horários de entrada e saída de escolas e trabalho. A capital nacional da literatura conta com três empresas de transporte coletivo, totalizando 44 linhas de ônibus, mas não é o suficiente para agradar a toda a população.

Irene Venceslosque conseguiu um emprego de doméstica em dezembro de 2012, mas não conseguiu mantê-lo: “Eu perdi um emprego por falta de ônibus. Não encaixou o meu horário com o horário que eu tinha que ir pra São Cristóvão. Eu teria que pegar às 6h30min, mais ou menos, mas ele só passava às 6h50 e eu chegava às 7h15 no trabalho, e a patroa precisava que eu chegasse às 7h no trabalho pra ela sair.” Irene começou 2013 procurando emprego, pois não conseguiu entrar em acordo sobre os horários, e por isso, reclama do serviço prestado na cidade. “Eu pegava o Bom Jesus, Morada do Sol, pegava dois ônibus por dia, mas não deu certo. Eu trabalhei em uma loja antes também, claro que o horário encaixava, mas desconta quatro passagens por dia; ali na loja eles me davam quatro. O salário cai lá embaixo, essa é a desvantagem de quem necessita.”

Jandira Nicolini é aposentada e não paga mais passagem. “Não posso me queixar, são bons motoristas, mas já ouvi reclamações”, conta a aposentada, que costuma pegar ônibus de duas a três vezes por semana para visitar seus familiares. Irene reclama da situação de Passo Fundo e a compara com a realidade de outra cidade: “Lá em Caxias, eu morava lá, eu pegava um ônibus e atravessava a cidade. A passagem não tem comparação e os ônibus eram bem melhores do que as nossas carroças”. Apesar dos destinos diferentes, uma parte dos trabalhadores, aposentados e estudantes têm um ponto em comum: dependem do transporte urbano para se locomover pela cidade. Ligando bairros distantes ao centro da cidade, as três empresas que realizam o serviço dividem opiniões nas ruas.

Marivete Pereira faz parte do grupo de pessoas que não se incomoda. Ela estava com o filho caçula no ponto de ônibus quando contou que não encontra problemas no seu itinerário: “Eles me dão lugar, o pessoal da minha linha é bem legal. Às vezes ele (o filho) não para sentado, mas é só isso”. Marcus Vinicius Vieira não costuma pegar ônibus, mas precisou deixar o carro de lado e encarou a espera pela sua condução. “O transporte é bom, só o preço é muito caro. Pelo tempo que você percorre e não tem uma interação entre um ônibus e outro. Eu deixei a minha camionete lá na São Cristóvão, daí tive que pegar um ônibus até o centro, agora vou pegar mais dois até pegar a camionete à tarde”.

Entre esperas, pontos de ônibus, reclamações, elogios, pontos lotados e partidas, o transporte coletivo toma um tempo razoável de seus passageiros, mas ainda é a alternativa mais procurada por aqueles que precisam conciliar trabalho, estudos, gastos e tempo de deslocamento.