Psicodália 2013: crianças em liberdade

No réveillon de 2012 para 2013, uma fazenda no interior de Santa Catarina foi palco de um evento que deu voz à liberdade: o Movimento Psicodália. Em sua 16ª edição, o festival de rock aconteceu do dia 28 de dezembro de 2012 ao dia 2 de janeiro de 2013. Durante esses seis dias os participantes puderam interagir entre outras seis mil pessoas em um clima de confraternização e de expressão da cultura e da arte em um ritmo de coletividade. Além dos shows programados, que trouxe aos palcos do Psicodália Alceu Valença, Mutantes, Blues Etílicos e mais outras 40 bandas de todo o Brasil, os dias de acampamento ainda forneciam peças e oficinas de teatro, mostras de arte.

A psicóloga Ana Paula Denis Ferraz passou o final de ano no evento com os amigos de Passo Fundo e vai contar a sua história no festival, das coisas que viu e sentiu no Psicodália.

Primeira vez no Psicodália?

Eu conheço o Psicodáliadesde 2006. Porém, a minha primeira vez foi esse ano. Eu já tinha comprado o ingresso duas vezes, mas não pude ir. Só foi possível ir esse ano mesmo. Daí quando abriram as vendas eu fui umas das primeiras a comprar o ingresso. A gente foi de excursão com um pessoal de Serafina Correa.

Qual o clima do acampamento?

O Psicodália é um festival, mas é um festival diferente. O clima lá dentro é diferente. Até já tinha ido a outros eventos do gênero onde diziam “olha esse aqui é um mini Psicodália”, mas que pra sentir mesmo o clima eu teria que ir. O Psicodália é muito intenso porque envolve muitas pessoas. Na verdade, nem tem como explicar como é porque o tempo lá é diferente, como se fosse uma “fenda no tempo”. É um espaço onde tu és livre. Tem polícia, tem segurança, mas tu não estás reprimido ali dentro. É um festival de rock onde não tem “empurra-empurra”, e, se acontece, as pessoas te pedem desculpas. Não existem placas de “não fume” e mesmo assim as pessoas não fumam nos ambientes fechados porque sabem que, talvez, ali ninguém goste de cigarro.

O que te chamou a atenção nos dias em que passaste lá? 

Quando a gente estava na praça de alimentação, as pessoas levantavam uma plaquinha escrita “me aplaudam” e todo mundo começava a aplaudir junto e “tu” não sabia o que era e começava a aplaudir junto, e não era uma palma pra ridicularizar, porque tu via no olhar das pessoas que elas estavam muito felizes ao receber as palmas. E tudo aconteceu no ano novo e as pessoas paravam e te abraçavam e te desejavam felicidades sem nunca ter te visto na vida.

 Como é são as pessoas que estão no Psicodália?

O clima lá era de muita liberdade. Tu vias um cara lá com cara de metaleiro andando de saia; se tu quisesses andar pelado, tu andavas. Havia idosos, crianças. E tinha estrutura também para receber todas essas pessoas. Tem espaços para as crianças. Teve um momento em que eu estava andando e passou um fila delas, dos dois anos aos treze, todas de coletinho indo fazer oficinas de teatro. Esse é o astral que tu não vê em outros lugares. Tu te sentes bem, protegido. É um lugar com seis mil pessoas, seis mil malucos, onde tu não vês ninguém roubar nada. Tu podes deixar a tua barraca aberta que no máximo o que pode acontecer é entrar um bicho.

O que fica de bom das pessoas que tu conheceste lá?

A gente foi de ônibus. E no ônibus a gente já ficou súper perto. Lá no Psicodália acampamos todos perto. E no primeiro dias fomos jantar todos juntos e, quando nós sentamos, sentou um cara do nada e ele ficou nosso amigo. Ele era o Beto. Ele estava sozinho no Psicodália e estava fazendo uma viagem. Ele é de São Paulo e ia pro Chuí, do Chuí ele ia para o México e de lá ele volta pra São Paulo de bicicleta. Ele só volta para casa em 2015 e já estava há um mês viajando. Ele vai encontrar muitas pessoas na viagem dele e nós fomos umas delas em virtude de estar em um lugar com a mística do Psicodália.

[stextbox id=”grey” caption=”Curta metragem”] O cinegrafista e diretor Rodrigo Cook produziu esse curta, utilizando cenas filmadas no Festival Psicodália de Carnaval 2007. O documentário procurou demonstrar quem são e o que pensam os participantes e parceiros do Movimento Psicodália. O curta tem 10 minutos de duração.

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