Sem baladas, a pedida é sossego!

Sem perturbação e sem sair de casa. Alguns jovens preferem a tranquilidade e o conforto que a moradia oferece.

A preferência dos jovens, geralmente, é curtição: o final de semana mal chegou e os grupos de amigos já começam a planejar a balada. Geralmente. Alguns jovens, ao invés de optar por passar a noite em claro, na badalação e em pé – como acontece nas festas – optam por algo mais sossegado, como um barzinho ou um pub. Não é a toa que, de um tempo para cá, os novos estabelecimentos voltados para o lazer e o entretenimento se resumem a restaurantes temáticos ou a esses pubs, bastante procurados, onde é possível sentar, tomar ou comer algo e escutar uma música junto aos amigos.

Mas, apesar de tantas opções mais tranquilas distribuídas pela cidade, ainda existe outro grupo: os que encontram em casa uma maneira de se divertir. Esses jovens preferem o aconchego da residência e as opções que o simples ato de estar em casa oferece para aproveitar o tempo livro, longe do tumulto.

O estudante de publicidade e propaganda, Mateus Batistella, 19 anos, faz parte desse grupo. Ele caracteriza as festas como uma atividade chata. “Ficar em casa vendo filmes e seriados é muito mais interessante que ir em festas”, comenta e acrescenta: “Se for pra sair que seja algo mais ‘normalzinho’, como ir ao cinema, comer em algum lugar, sentar na praça pra conversar com os amigos”, conclui.

O jovem não vê problema em trocar o tumulto por algo mais calmo, afinal, para ele, sinônimo de diversão não é quantidade de pessoas. A estudante de jornalismo, Ana Carolina Escobar, 20 anos, explica que são muitos os motivos pelos quais troca a badalação das noites por algo mais cômodo. “Trabalhar o dia inteiro é um deles. Acabo ficando cansada e sem disposição. Outro motivo é que não existe uma variedade de lugares com que eu me identifique. São baladas eletrônicas ou sertanejo; sendo assim, sempre acabo em casa, no cinema ou teatro”, comenta.

A estudante costuma fazer uma maratona de um dos seus seriados favoritos ou ainda assistir aos filmes que tem vontade. “Aí acabo escolhendo o conforto do meu sofá, do que enfrentar um ambiente lotado, escuro e sem lugar para sentar”, conclui.

Boa parte desses jovens vem de uma geração que prefere a tranquilidade. Lugares cheios de gente e barulhentos nunca foram a preferência, tão pouco a vontade deles. Como é o caso das irmãs Gabriela e Carla Rosso, de 20 e 18 anos, respectivamente, que, desde cedo, optam por uma diversão mais branda. Gabriela salienta que nunca se identificou com lugares que enchem de pessoas, ela prefere ambientes mais calmos, inclusive, quando se encontra com os amigos. Mas lembra que, apesar da preferência, sair, às vezes, também é possível. “Quando convidam para alguma festa, vou numa boa, mas tem que ser uma coisa que eu esteja a fim”, diz.

Uma boa leitura e um bom filme são as ocupações mais comuns para ela. Gabriela, junto com sua irmã, Carla, organiza as jantas em casa, para completar o horário livre e se distrair. Da mesma forma, Luciele Leonhardt Romanowski, 20 anos e professora de educação infantil, concentra suas atividades em casa ou em locais menos conturbados. “No meu tempo livre prefiro companhias e atividades que tragam um pouco de equilíbrio à minha rotina e não a conturbe ainda mais”, diz e explica que, devido ao seu trabalho, muito tempo é dedicado a essas atividades, que, apesar de gostar, são desgastantes.

Como Ana Carolina, Luciele alega preferir o descanso ao agito, em função das atividades semanais, e ambas admitem que, sofás são mais aconchegantes. “Se vou passar um tempo entre pessoas das quais eu gosto, prefiro ouvir o que aquela pessoa está falando, poder enxergá-la e perceber se há algo a incomodando por trás de algum sorriso.”

Encontrar os amigos, para esse grupo, é poder vê-los, e mais, trocar ideias, discutir sobre algo que consideram importante, contar novidades e, claro, tudo isso no conforto do sofá, que, por pior que seja, ainda é considerado melhor do que o chão sujo de cerveja de uma boate escura e ensurdecedora. Luciele ainda considera esses locais que amontoam pessoas propícios para a agressividade, preferindo, então, conhecer uma nova cafeteria, ir a praça tomar chimarrão ou ficar em casa assistindo a filmes. “Eu ainda reservo um tempo para ficar sozinha e colocar os pensamentos em ordem, a leitura e a meditação são hábitos que ajudam muito”, conclui Luciele.

Os hábitos dessa geração são parecidos: descansar o corpo e trabalhar a mente. Um comportamento que não é de hoje, já que os títulos infanto-juvenis vêm sendo campeões de venda em feiras e livrarias há aproximadamente quatro anos. O que pode ser um indicador de que, cada vez mais, jovens leitores estão se formando e valorizando o equilíbrio, maior pedida em uma época de imediatismo e ansiedades.