Um doce negócio

O chocolate já foi considerado um presente dos Deuses, mas em época de Páscoa, ele é o presente mais procurado.

A história do chocolate é uma viagem no tempo, há aproximadamente  1.500 A.C, quando as civilizações Asteca e Maia consumiam o chocolate para alcançar poder e sabedoria. O consumo de chocolate já não é motivado pelos mesmos motivos, mas tornou o Brasil o quarto maior consumidor de chocolates do mundo, segundo o Target Group Index, do Ibope Media.

A tradição de Páscoa favorecerá os chocólatras, que apesar do mercado e opções de presentes variados ter expandido, continuam preferindo ganhar chocolate e entrar para a lista de brasileiros que não abrem mão dos doces a base de cacau.

Tudo começa em casa…

A receita passada de mãe para filha em uma forma de ovo virou fonte de renda. Há sete meses atrás, Daiane Camargo, havia saído de seu emprego para ficar em casa e cuidar dos dois filhos. As trufas de chocolate foram a solução encontrada para continuar ajudando no orçamento doméstico e ter seu próprio dinheiro. “Como eu trabalhava antes, estava habituada a ter o meu dinheiro, não precisava pedir para ninguém. Aí comecei a pensar em como ter o meu dinheiro depois de ter saído do serviço”, conta Daiane.

Essa é a primeira Páscoa de encomendas para Daiane, que calcula pedidos de 85 ovos: “Só hoje fiz mais de 15. A principio, a produção de chocolate é para ajudar nas contas da casa, mas, se tudo der certo, o meu sonho é abrir uma firma no meu nome para fazer tudo certinho. Acho que todo mundo tem o sonho de ser o seu patrão e o chocolate tá ajudando, porque eu trabalho conforme os horários que tenho disponíveis.

 

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Maria Ely também trabalha no meio dos doces, conciliando com o trabalho fora de casa. A experiência veio dos tempos em que trabalhou em um restaurante e teve uma lancheria, mas, pensando em se aposentar, resolveu investir nos cursos de aprimoramento. “Eu fiz um curso de salgadinhos e doces, e, agora, estou fazendo um de chocolate. Durou quatro meses e nos formamos em dezembro. Foi útil demais porque um dos meus filhos está desempregado e resolveu vender as coisas que eu faço na rua”, conta a doceira que começou as proezas na cozinha cansada de ter que encomendar fora os doces e salgados dos aniversários da família. Os doces de Maria estão a venda, mas a produção para a Páscoa será especialmente para a família neste ano.“As trufas tomam muito tempo. Tem dias que meu piá vende 100, 150 trufas e ele saí todos os dias. Hoje eu levantei às sete horas da manhã para começar a fazer os salgadinhos, cueca virada e trufas para ele levar numa empresa. Se eu pegar encomenda, não vou ter condições”, ela explica.

A casa da doceira está em obras, prestes a realizar um sonho: Aumentar a cozinha e ter o próprio negócio. Maria ainda não tem nos doces a principal fonte de renda, mas já mostra onde cada máquina ficará na bancada da nova peça de sua casa.

Fábrica de Chocolates em Passo Fundo

Carlos Alberto Damiane e Maria Aurora Pavin Damiane eram funcionários de um banco quando começaram a vender chocolates para os colegas de trabalho, mas a brincadeira foi ficando séria, transformando-se na fábrica de Chocolates Mimo. “Era uma pequena escala, tudo fabricado dentro de casa. A Páscoa é considerada a primeira data comercial e é a melhor data para o chocolate. As vendas quase quadriplicam”, conta Carlos Alberto Damiane.

Imagem 223Os oito funcionários fixos da fábrica ganharam um reforço para dar conta do trabalho, com o acréscimo de mais seis funcionários. O proprietário explica a mudança de perfil do consumidor: “O consumidor sempre procura o preço, mas de um tempo para cá, começaram a procurar muito mais a qualidade.” A preparação para a Páscoa deste ano começou em março, encarada como um desafio, já que haviam dúvidas sobre a conservação dos produtos em época de despedida do verão. Os funcionários da fábrica comemoraram a chegada do frio.

O inverno é a estação do ano em que as pessoas mais consomem chocolate, que justificam o consumo com a necessidade de ingerir mais calorias para manter a temperatura corporal. Para Damiene, as vendas de chocolate durante a Páscoa têm uma explicação: Tradição. “Você pode dar uma blusa, um relógio, um perfume, mas junto sempre vai um chocolate. Não pode faltar chocolate e famoso amendoim na Páscoa.”

As culturas pagãs usavam o ovo como símbolo do começo da vida. Presentear uma amigo usando esse símbolo era um verdadeiro desejo de sorte. Os chineses também tinham a tradição de trocar ovos coloridos na primavera, com o significado de renovação. A descoberta do cacau, aliada ao desenvolvimento da culinária e tradições pagãs resultaram nos sabores característicos da Páscoa que conhecemos hoje. Daiane, Maria, Carlos e sua esposa são algumas pessoas que aproveitaram o significado da Páscoa, a renovação, para investir em um nicho, reinventando e vendendo sabores.