Um projeto de extensão que combate à violência

Em busca de melhorar o desenvolvimento dos jovens e combater a violências nas escolas, o Observatório da Juventude e de Violências nas Escolas foi idealizado e trabalha, anualmente, com diversas ações, que lhes dão retorno positivo

Há três anos, um grupo de pessoas preocupadas com a educação dos jovens que estão inseridos no contexto da aprendizagem – por vezes violento – dispostas a melhorar o convívio estudantil, formaram um grupo e organizaram um projeto, firmando um convênio entre duas instituições: a Universidade de Passo Fundo e a Cátedra da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, da UNESCO.

O grupo, formado por professores, acadêmicos e profissionais de diferentes áreas, se voluntariou e participa de reuniões quinzenais das quais surgem formas de intervenções e enfrentamento à problemática das violências nas escolas, que fazem parte do Observatório da Juventude e de Violências nas Escolas – um núcleo de pesquisa e extensão da Universidade de Passo Fundo.

Além das reuniões, o grupo trabalha com ações voltadas à formação e capacitação tanto desses profissionais como de educadores inseridos nas redes estaduais e municipais de educação, produzindo conhecimento sobre os conflitos que ocorrem nos espaços de convivência.

Conforme os coordenadores do Observatório, Silvio Antônio Bedin e Ângela Diana Hechler, muitas ações são planejadas e desenvolvidas durante o ano. O Projeto de Alternativas a Violência (PAV), implantado em 2012, e que passa a ser ampliado interna e externamente neste ano, é uma das ações. Esse projeto tem como filosofia o poder transformador: a compreensão de que existe um poder capaz de transformar situações e comportamentos violentos e destrutivos em experiências libertadoras, construtivas e cooperativas com base no protagonismo dos sujeitos.

“O curso se desenvolve em modalidades de oficinas e envolve todos os participantes do núcleo”, explica Bedin. Cada oficina tem a duração de 20h e se enquadra em uma das modalidades: básica, avançada e de formação. “O PAV visa estimular a afirmação pessoal e empodera no grupo o sentimento de comunidade”, esclarece Hechler. E acrescenta: “Este ano preparamos o estudo dos nossos teóricos do PAV, para aprofundar as questões mais teóricas.”

Fotos: Clarissa BattistellaO aprendizado é parte das atividades que cabem ao grupo, por se tratar de um projeto de pesquisa e extensão e por integrar uma rede internacional de observatórios: “Estudar a educação da região, produzir materiais e divulgar os resultados é de extrema importância; por isso, procuramos fazer com que o grupo inteiro produza”, comenta Hechler, destacando a relevância da construção de conhecimentos, de produção na área e de publicações de artigos científicos, a fim de oxigenar as questões regionais, nacionais e mundiais.

Além da pesquisa, o Observatório recebe muitas demandas de trabalhos vindos da comunidade. “Somos solicitados a trabalhar junto à comunidade e aos professores, cada vez mais, e estamos abertos às solicitações, para assessorar a caminhada que está se constituindo no município”, comenta Bedin.

Escutatória

Para melhor assessorar as escolas e os jovens, o Observatório elaborou um novo projeto denominado como Projeto de Escutatória, que visa à aproximação com as escolas do município e procura definir como os educandários se estruturam e trabalham a questão da violência escolar. “Firmamos uma parceria com o Ceprajur, a Secretaria Municipal de Educação e a 7ª Coordenadoria Regional de Educação, passamos a realizar esse trabalho”, comenta Hechler.

Dessa forma, foi possível abrir um canal de comunicação para trabalhar, mais de perto, as questões de violência e alternativas contra as mesmas. No ano anterior, quatro escolas foram visitadas, servindo como um projeto piloto, avaliado, pelos comunicadores, como uma iniciativa muito produtiva. Para 2013 está previsto continuar o processo, ampliando as atividades. “A partir deste semestre, um processo de assessoria mais próximo deve ser implantado. Vamos procurar ouvir outras dimensões escolares, como funcionários e alunos e auxiliar a escola a pensar nas possibilidades de alternativas contra violência” explica a coordenadora.

Vinculado ao Centro Regional de Educação da FAED (UPF), o Observatório não assessora, apenas, o município, pois se coloca na perspectiva de contribuir com os processos formativos no âmbito regional em questões da violência e da juventude, sendo referência entre municípios regionais. Com força de vontade, apoio e muita pesquisa, o projeto continuará sendo ampliado e prosseguirá se articulando aos desafios que são apresentados interna e externamente.