Descoberta e luta no Serviço de Orientação e Solidariedade à Aids (Sosa)

O assunto ainda é tabu para algumas pessoas. Apesar dos trabalhos de conscientização e luta contra a doença, há quem prefira manter distância quando a Aids entra em pauta.

A síndrome da imunodeficiência adquirida ainda não tem cura, mas o tratamento alivia os sintomas e melhora a qualidade de vida dos pacientes. É com esse pensamento que o Serviço de Orientação e Solidariedade à Aids (Sosa) trabalha. Passo Fundo conta com o trabalho do grupo há 20 anos, tempo suficiente para ganhar força, apoio e desenvolver projetos, porém, a luta não para e, mesmo entre os participantes do Sosa, há resistência no tratamento.

Para Roselí, voluntária do Sosa,  “a mídia fala abertamente sobre a doença, então tem informação. O que falta é conscientização.” Adultos, adolescentes e crianças passam pelos projetos do Sosa, que recebe não só os portadores do vírus, mas também familiares e voluntários dispostos a ajudar. Roselí Ribeiro descobriu a sua sorologia em 2000 e passou a frequentar o grupo um ano depois. Hoje, ela é a única voluntária soropositiva no Serviço de Orientação. “Hoje, o meu diferencial é o trabalho com as mães, a adesão ao tratamento, a busca das mães que não o fazem e a questão da mídia,” conta Roselí.

A voluntária também expõe a realidade do voluntariado no Sosa: “Nós temos uma dificuldade muito grande na questão de voluntários. Temos bastante voluntários, mas alguns procuram não se envolver, não são presentes no cotidiano. É uma ajuda financeira, mas preferem não aparecer nas festas. São poucos voluntários que realmente se envolvem.” Roselí já acompanhou muitos casos parecidos com o seu, mas afirma que dificilmente um soropositivo fala sobre a doença por medo do preconceito. Entre os trabalhos de conscientização e profissionalização, o Sosa também ajuda as mães portadoras do vírus com a alfabetização, tendo em vista que a maioria das mulheres são analfabetas. O projeto de alfabetização tem ajudado as mães a aprender e ministrar a medicação delas e dos filhos de forma correta. Como incentivo a participação, todas as pessoas que procuram a ajuda do Sosa recebem uma cesta básica e o vale transporte para frequentar as reuniões.

 

 

O depoimento de Roselí

foto da carol
Há treze anos, Roselí trabalhava na área da beleza quando a sua vida teve uma guinada: a descoberta do vírus. Com a descoberta de que o marido era soropositivo, ela resolveu passar pelos exames e assim, ter a confirmação de sua sorologia. Três meses depois da descoberta, ela perdeu o companheiro e aí começou a segunda luta: o preconceito dentro e fora de casa. “Eu morava com a minha sogra e ela dizia que eu era a culpada pela morte do meu marido, já que ele tinha morrido e eu estava viva, estava bem,” lembra a voluntária do Sosa.

“Eu achei que nunca mais conseguiria namorar. Eu vivi sete anos  com alguém que não é soropositivo e ele me aceitou,” conta Roselí sobre a sua vida, que faz parte do depoimento que ele dá em escolas e campanhas de conscientização sobre a mulher com AIDS.

Hoje, Roselí trabalha como manicure no turno inverso ao Sosa, aprendeu a encarar a doença e relacionar-se, levando a adiante o seu aprendizado. Mas, até quando as pessoas continuarão ignorando que a Aids restrita a grupos de risco?