O menino do dedo verde

Foto: Diogo Zanatta

 “Descobri uma coisa extraordinária. As flores não deixam o mal ir adiante” escreve Maurice Druon em “O menino do dedo verde” no ano de 1957. Desde lá, Druon foi eleito à Academia Francesa, foi ministro da cultura, foi idolatrado, lembrado, cultuado e morreu em abril de 2009 deixando grandes obras para a história da literatura francesa e mundial.  Entre elas, a série “Os Reis Malditos”, com uma temática bem diferente de seu livro infantil cultuado, mas é “O menino do dedo verde” que sobrevive ao tempo. Prova disso é que, em Passo Fundo, o Grupo Ritornelo de Teatro adapta a obra de Druon e ainda consegue transmitir toda a emoção da estória criada pelo francês com criatividade para retratar a inocente e mágica vida de Tistu.

Créditos: Divulgação

Maurice Druon

É Ana Marques, atriz do Grupo Ritornelo, que resume o poder da estória de transmitir a todos nossa capacidade de transformação.  “É possível que cada pessoa transforme o mundo ao seu redor, basta querer e começar com pequenas atitudes”. Marques se refere a uma obra envolvente, pois mesmo sendo fictícia, trata de assuntos do nosso dia-a-dia e encanta por conseguir transmitir nossos desejos de um mundo melhor.

Com o seu dom do dedo verde Tistu faz florescer rapidinho, qualquer semente em qualquer lugar. Tistu faz nascerem flores com o toque do seu polegar e transforma a realidade do mundo em sua volta. Com a pureza e a sinceridade própria de uma criança, Tistu nos emociona pelo fato de que o personagem vive além das expectativas da sociedade. Como um menino rico e filho do dono da cidade de Mirapólvora pode preferir plantar flores a se preparar para assumir a rica empresa de armas de seu pai?

Maurice Druon várias vezes afirma que os adultos não entendem as crianças e que teimam em acreditar nas suas idéias pré-estabelecidas, idéias que perturbam o sono de Tistu. A maneira como o autor aborda a reação do menino quando sai do seu mundinho para conhecer hospitais, prisões e favelas, faz o leitor pensar sobre a injustiça e a desigualdade. Druon parece defender a maneira que Tistu enxerga o mundo pode ser encarada como modelo – em que a coragem é maior que o medo.

CRÉDITO: Divulgação

Versão brasileira do Menino do dedo verde.

O final da obra literária não é clichê como finais de livros infantis, onde todos vivem felizes para sempre. Quando achamos que nada mais pode acontecer na estória, nos surpreendemos. Como diz Druon “As histórias nunca param onde a gente imagina. Vocês pensavam talvez que tudo já estivesse dito e que já conhecessem Tistu muito bem. Pois fiquem sabendo que nunca conhecemos ninguém completamente.”

Um dos motivos pelos quais a obra de Druon permanece viva é que ele escreve para todas as idades. Livro de linguagem simples e infantil é quase uma poesia. Livro para ler e reler, a obra tem riqueza de detalhes e provoca o imaginário do leitor. O autor usa da linguagem metafórica para que o leitor consiga envolver-se na estória e ao mesmo tempo entender que vivemos a realidade de Tistu o tempo inteiro. A intenção de Druon é nos dizer que todos nós podemos plantas boas atitudes.

Você também não é como todo mundo, você também tem o dedo verde.

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