De Gutenberg à Einstein: Alemanha é terra de pensadores e de muita história

Você já pensou em visitar a Alemanha? O país é cheio de cultura e é a terra de vários filósofos como Nietzsche, Marx, físicos como Einstein e compositores clássicos, como Beethoven. O país além de carregar muitas histórias, é conhecido pelo inverno mais rigoroso da Europa. A capital da Alemanha é Berlim, um dos principais palcos da Segunda Guerra Mundial, a cidade também sustentou durante muitos anos o Muro de Berlim e lá, ainda resta um pedaço do maior símbolo da divisão do país nos blocos socialista e capitalista. Graziela Bergonsi Tussi, apaixonada pela cultura e história da Alemanha,  resolver embarcar nessa e nos conta como foi a experiência:

Como surgiu a ideia de ir à Alemanha? 

Como eu estudo o idioma alemão desde 2008, surgiu a ideia na turma de irmos estudar lá, não me inscrevi em nenhum curso combinado com trabalho, pois fui durante as férias, então só estudei.

Nos conte alguma curiosidade do país.

Eles são preparados para enchentes, como a cidade em que morei que fica no leito do Rio Reno (Colônia), quando o gelo das montanhas começa a derreter, eles colocam barricadas com borrachas de vedação e isolam as áreas próximas ao rio. Isso evita que as casas sejam invadidas pelo degelo, que eleva o nível do rio em questão de um, dois dias. Outra curiosidade do país (mas isso eu percebi em outros países europeus, como França e Holanda) é que eles colocam o papel higiênico dentro do vaso sanitário. Assim todo o papel é tratado junto com o esgoto e evita o acúmulo de lixo. Claro que os encanamentos são bem mais largos e preparados para receber esses resíduos.

Muro de Berlim

Como é a culinária da Alemanha?

Os peixes são muito, muito bons. Se come bacalhau fresco muito barato, coisa que não temos aqui. Os chocolates são muito mais saborosos e cremosos que os brasileiros, e tem uma infinidade de tipos. Uma comida típica que tem lá é o joelho de porco, mas eu vi o prato e não tive coragem de comer pois eles cozinham a carne com pele e tudo, não é assado. Eles utilizam muita pimenta e passo mal quando como, então a maioria dos dias eu comia comida chinesa e japonesa. Como Colônia é uma cidade com um milhão de habitantes e muitos imigrantes, tinha uma diversidade de restaurantes estrangeiros. No geral, a comida é bem parecida com a nossa, mas eles não sabem o que é guaraná e feijão preto.

Quais são as principais diferenças que você notou em comparação ao Brasil?

As pessoas são muito educadas, param na faixa de pedestre, respeitam o sinal, não jogam lixo nas ruas, deixam a bicicleta escorada em uma árvore e ninguém rouba. Eles aproveitam muito a vida ao ar livre, pois os parques estavam sempre cheios, mesmo sendo inverno e tendo neve. Visitei uma livraria que tem quatro andares, e estava sempre cheia. Muitas famílias não possuem carro, pois o sistema público de transporte é eficiente, e se você quiser viajar para outra cidade, pode ir de trem, que é muito melhor e mais rápido que carro ou avião. Todo mundo dá gorjetas lá, para o pessoal que trabalha de garçom, ou limpa os banheiros, que estão sempre impecáveis.

A educação da Alemanha é diferente daqui?

Muito. Visitei uma escola, que aparentemente estava sucateada, pois era em um bairro, e era bem antiga. Conversando com os professores (que me convidaram porque sabiam que tinha uma brasileira lá, e eles queriam alguém para praticar espanhol!) percebi que eles recebem por uma quantidade de horas mas trabalham somente a metade em sala de aula, pois assim eles conseguem ter tempo de preparar aulas e corrigir tudo na própria escola, para que em casa possam ficar descansando. O sistema é extremamente conteudista, é muita coisa trabalhada e todos eles tem aula em turno integral, começando duas vezes por semana para os pequenos, aumentando gradativamente conforme a série. Uma coisa que achei muito chata, é a ignorância deles em relação a outros países, como citei antes. Fui convidada porque eles queriam treinar espanhol, eu fui até lá porque queria saber como eles estudam geografia, que é a matéria que dou aula. Eles achavam que falávamos espanhol, que nossa capital era Buenos Aires, e quando perguntei o que sabiam sobre o Brasil, as repostas foram as mesmas: futebol, carnaval, prostituição, venda de carne e soja para eles. Eles só estudam a geografia da Alemanha, e não sabem nada de outros países, a não ser aqueles que estão perto, na própria Europa. Mas ainda assim é um dos países que formam os melhores profissionais em determinadas área.

Quais os pontos turísticos que visitou? E quais te chamaram mais atenção?

Viajei para vários lugares quando estava lá, fui em Berlim, onde visitei o Portão de Brandenburgo, e me emocionei, pois era meu sonho conhecer aquele marco da Guerra Fria. Visitei também vários monumentos em homenagem a judeus (por causa da Segunda Guerra Mundial), vi um pedaço do Muro de Berlim, que ainda está de pé e o Zoológico de Berlim, que é enorme. O que mais gostei foi o Muro de Berlim,  catedral de Colônia, que tem estilo gótico e também estão os restos mortais dos três Reis Magos e também um museu itinerante com peças originais dos tesouros de Tutankamon, que estava em Colônia.

A Alemanha tem o inverno mais frio de toda Europa. Você passou o  inverno lá? Nos conte como foi.

No dia que cheguei fazia -10ºC, depois piorou. Nos primeiros dias eu passei frio, não temos roupa adequada no Brasil para o tipo de frio que faz lá. No dia 31 de dezembro passamos o dia todo passeando e de noite fomos para o Portão de Brandenburgo, eu acredito que estava uns -15ºC naquela noite, e quando chegamos ao hotel, percebi que minhas pernas estavam queimadas, como quando a gente fica muito tempo no sol, mas era de frio, e tinha muita neve. Nos dias seguintes comprei meia calça apeluciada, vários pares de meia.  No fim do mês tinha uma mala a mais só de roupas, e acredito que por uns 3 anos não preciso de luvas, mantas e meias. Tinha dias que eu saía de casa com 3ºC e no meio do caminho de volta da escola tinha que comprar uma manta nova, pois a minha não segurava o frio. Mas como a  roupa lá é muito barata, não fez muita diferença no bolso. É mais caro comer do que se vestir na Alemanha.

Se você está bem agasalhado, não passa frio, pois até nas garagens tem calefação. Você entra em uma loja, no supermercado, na escola, você tem que tirar todos os casacos e acessórios. Dentro de casa dá para andar de pés descalços e manga curta. Eles não economizam em aquecimento.

Durante a viajem, Graziela registrou diversos momentos e pontos turísticos que visitou. Confira a galeria de fotos: