“Era uma vez” é coisa séria

 

A leitura tem o poder de desenvolver a imaginação, construir uma visão de mundo, além da aquisição de cultura.

Passo Fundo recebeu o título de Capital Nacional da Literatura em 2006. Além de ser a Capital Nacional da Literatura, Passo Fundo conta com média de leitura de 6,5 livros por habitante/ano. A cidade com mais 186.051 habitantes estimula o hábito de leitura em todas as idades.

A importância da leitura rompeu o título conquistado pela cidade em 2006 e foi além do Circo da Cultura, ganhando espaço em projetos pedagógicos em escolas. Na Escola de Educação Infantil Galinha Pintadinha, que atende crianças a partir de 6 meses, não foi diferente. Os alunos da escola participam do projeto Despertando o Leitor Infantil. O projeto que começou em abril faz com que as crianças entrem em contato com o universo lúdico da leitura através do acervo de livros da escola.

A professora Cristiane Pereira explica que a ação surgiu como uma forma de auxiliar nas atividades da escola para estimular os alunos: “Cada professora escolhe um livro do nosso acervo e realiza um trabalho baseado nessa obra, focando na historinha, nos pontos que mais chamaram atenção dos alunos. Dependendo da idade dos alunos, as professoras podem usar o trabalho voltado mais para o estímulo visual, recontação da história e desenhos.” A atividade é realizada todas as semanas, com os alunos com idade a partir de cinco meses até os alunos de cinco anos.

Para as crianças da Escola Galinha Pintadinha, a leitura não fica restrita às salas de aula. Também existe o projeto Mala de Leitura, em que os alunos podem escolher um livro e levar para casa, para que os pais possam incentivar os filhos a desenvolver o gosto pela leitura. “O projeto com literaturas infantis deve ser uma prática constante na vida escolar, pois é dessa forma que apresentamos o mundo para os nossos pequenos leitores,” conta a professora que encontra na literatura uma forma de instigar a curiosidade. “Ao mesmo tempo em que instigamos as crianças a gostarem de explorar, fantasiar, imaginar-se dentro de um livro e manuseá-lo, mesmo que seja apenas para olhar as figuras,” conta Cristiane.

Ao participar de uma atividade de leitura em sala de aula, foi possível notar, entre desejos de pegar os personagens do teatrinho apresentado e a dificuldade das crianças em permanecerem sentadas apenas olhando, que a professora Cristiane realmente estava certa quando alertou que “alguns aluninhos pedem para repetir histórias, identificam os personagens pela forma que contamos a história.” Os pequenos acompanhavam o teatro sobre a história de Cachinhos Dourados e ajudavam a contá-la, alguns queriam assumir o manuseio dos personagens, imitavam os sons, levantavam para chegar mais perto, faziam tudo, menos ficar indiferentes. Todos participavam com a curiosidade digna de quem está começando a descobrir o mundo, as palavras e porquês das coisas.

 

 

A literatura não para

A Rede de Ensino Notre Dame conta com um projeto de leitura semestral, organizado pela professora Cláudia Toldo, que envolve todos os alunos, professores, funcionários e pais. Cada escola tem a liberdade de escolher as obras e o tempo de seis meses é usado para discussão e trabalhos. O único requisito é que sejam obras clássicas.

Catiúcia Carniel Gomes é coordenadora pedagógica do ensino médio da escola e conta que, os professores elaboram uma lista de opções para que os alunos escolham as leituras que serão trabalhadas em grupos. Catiúcia cita os alunos do terceiro ano como exemplo das atividades. Eles estão lendo a obra Conversa com Fernando Pessoa, de Carlos Felipe Móises, e cada disciplina procura integrar-se ao projeto de literatura da melhor forma possível, sendo utilizado para aulas de sociologia.

“Nessa semana, conseguimos uma parceria com a Editora Ática e eles trouxeram um ator para a escola. Ele fez uma performance sobre a obra e os alunos ficaram encantados. Promovemos atividades nesse sentido, também fizemos outra atividade com a obra Oito Contos de Amor, da Lygia Fagundes Telles. Conseguimos aliar a leitura com o trabalho de Artes, construindo maquetes,” conta Catiúcia. A continuação do trabalho do terceiro ano resultou em uma apresentação para os alunos do ensino médio, integrando a escola.

Para a professora que coordena parte dessas atividades, a leitura é fundamental: “sem leitura não há conhecimento, é importante incentivar os alunos a ler histórias clássicas. A escola tem esse papel, de fazer com que os alunos se tornem leitores do mundo, incentivando o gosto e hábito de leitura.”  Para a professora, o aluno precisa perceber o quanto a leitura é importante é importante não só para a construção cognitiva, mas também é uma questão de entendimento de como ela está inserido na sociedade.

O primeiro passo é contar

Até mesmo quem ainda não foi alfabetizado já sabe ler. As crianças interpretam as imagens, fazendo uma leitura delas. Isso, aliado às histórias contadas, contribui para que, desde pequenos, o amor pela leitura seja levado adiante. É preciso contar histórias para despertar leitores.