O "homem do tempo"

Em uma casa simples, rodeada de árvores e flores, no interior do município de Victor Graeff mora o agricultor Nei Sossmeier com sua família. De origem alemã, desde sua infância está envolvido com o trabalho no campo, mas o que o diferencia dos demais agricultores é a sua iniciativa de, a partir do ano de 1980, começar a registrar o tempo todos os dias.

Ficou, por isso, conhecido como o “homem do tempo”, por registrar a temperatura, a chuva, a  geada, neve, vento, temporal, alagamento e seca, enfim o que acontece diariamente com o tempo. Quando tinha 14 anos ganhou um pluviômetro de presente e algumas folhas, foi aí que começou a registrar. “Comecei registrando somente os milímetros de chuva, depois registrando tudo e tomei gosto” destaca o agricultor. Então todos os dias, por volta das sete horas da manhã ele realiza os registros com o auxílio de suas ferramentas simples: o termômetro e quatro pluviômetros.

DSC_0027

O “homem do tempo” mede a quantidade de chuva através da média entre quatro pluviômetros.

Mas por que registar tudo? Além de ter se tornado um hobby, suas anotações ajudam ele e os agricultores da região a prever como o clima irá se comportar e influenciará nas colheitas. “Pode gear em setembro como em 1992, então é melhor esperar um pouco para plantar milho”, destaca Nei. Tudo isso está ajudando Nei a plantar e colher bem o que planta.

Há 33 anos o agricultor vem registrando tudo, ao final de cada ano e de cada década ele faz uma média de como o clima mudou. Assim de maneira simples ele tira conclusões que muitos cientistas fizeram. A temperatura no verão aumentou 7°C e no inverno diminui 2°C nas últimas décadas. Com suas palavras Nei não consegue explicar direito o que pode ter levado a ocorrerem tantas mudanças. “São coisas do aquecimento global, derretimento das geleiras muda o clima aqui”, reflete o “homem do tempo”.

postar

O agricultor Nei Sossmeier em meio aos seus registros.

Em 2005, foi homologado pelo RankBrasil com o Diário mais longo sobre o tempo, aumentando ainda mais sua popularidade no município de 3 mil habitantes do norte e assim se tornando um dos “símbolos” de Victor Graeff. Mas o reconhecimento é pouco. Nei gostaria que seus registros fizessem parte de algum estudo sobre o clima da região, comprovando assim de maneira cientifica suas conclusões. “De repente poderia se tornar um livro”, sonha Nei olhando para suas preciosas folhas.

Estes simples registros, de um pequeno município do norte do estado, podem não fazer a diferença em nossas vidas, mas com certeza mostram como o clima mudou.

 

CLIQUE PARA AMPLIAR

CLIQUE PARA AMPLIAR