Passo Fundo para junto com o Brasil

A população brasileira está envolvida em uma onda de protestos que se alastram desde o mês de junho. Com inúmeras pautas distintas, as pessoas buscam as ruas para expressar suas indignações diante de tudo que está acontecendo no nosso país. Lutam pelo fim da corrupção, diminuição das tarifas dos coletivos urbanos, passe-livre, contra a homofobia, diminuição de impostos. Muitas pautas, uma só caminhada.

Onze de julho está sendo chamado de “Dia Nacional das Lutas”, uma greve geral que mobilizou várias centrais sindicais de todo o país, envolvendo milhares de trabalhadores, estudantes e aposentados. Cada classe tem seu pedido, entre eles estão: o fim do fator previdenciário, 10% do PIB para a Educação Pública, 10% do PIB para a Saúde Pública, redução da Jornada de Trabalho, valorização das aposentadorias e reforma agrária.

Em Passo Fundo,  a mobilização foi intensa. A grande massa de manifestantes, dos diferentes grupos se concentrou  na chama “Esquina Democrática”, na Rua Bento Gonçalves com a Avenida Brasil. O transporte intermunicipal e interurbano não funcionou, temendo algum tipo de violência por parte dos manifestantes, além do bloqueio das estradas. Os atos foram marcados pelas manifestações, bandeiras sindicais, caminhadas, gritos de guerra e bloqueio da Avenida Brasil.

[stextbox id=”custom” caption=”Confira alguns depoimentos de manifestantes:”]

Ana Caroline da Costa

Ana Caroline da Costa. Foto: Thaís Biolchi (Nexjor (FAC-UPF)

 Delegado Sindical dos Correios, Mateus da Silva:

“Cerca de 80% da classe parou em todo estado. São vários motivos: o nosso déficit de pessoas, o sucateamento do correio. Somos xingados na rua por não entregarmos as correspondências, mas a culpa não é nossa é da falta de investimentos, que não está dando condições mínimas de trabalho. Deveríamos receber como bancários, pois aqui trabalhamos como em um banco o risco que corremos”.

Professora rede pública, Ana Caroline da Costa: Ana Carolina da Costa, professora pública

Representante da Sindiágua, Carlos Alberto Martins Marques: Carlos Alberto Martins Marques

[/stextbox]

Uma quinta-feira atípica

Quem percorreu as ruas de Passo Fundo hoje, percebeu que a rotina foi quebrada. Lojas fechadas, ruas sem ônibus, povo na rua. Em que aspectos as manifestações afetaram a população da cidade?

Logo na manhã, a população foi surpreendida pela falta do transporte público na cidade. Nas paradas de ônibus, havia pessoas que esperavam e precisavam do transporte. Foi o caso da aposentada Lourdes Martins de Lima, ela dependia do ônibus para levar seu marido, Dinis Borges da Silva, ao médico. O casal não aprova os atos de manifesto. “O país está indo bem, as manifestações só servem para fazer bagunça” disse Dinis. Outro que foi afetado pela paralisação do transporte, foi o funcionário da empresa Italac, João Luis Pereira. “Agora não ainda mais, só amanhã para voltar ao trabalho” disse.

Mesmo quem não participava das passeatas, se envolvia com a movimentação. Enquanto os agricultores tomavam as ruas da Avenida Brasil nessa manhã, o aposentado, Generoso Rodrigues acompanhava as manifestações e apoiava o movimento. “Tem que lutar e ir para a rua, só assim acredito que o Brasil possa mudar” falou.  A empresária Elis Regina também defendeu a passeata: “Os agricultores conseguem suas terras de forma digna e trabalhadora, e vem pessoas que querem tirar esse direito deles?” questionou.

Instantes finais

A partir das três horas da tarde, as falas dos sindicalistas se encerravam durante o protesto na Avenida Brasil.Veja o que algumas centrais sindicais pediam na greve geral:[stextbox id=”custom” caption=”Terezinha Perissinoto – Sindicato dos Trabalhadores da Saúde”]

Terezinha Perissinoto (2)“Nós temos motivos de sobra para estar aqui, principalmente pela falta de médicos, a questão da saúde pública, pela falta de um salário digno nos hospitais. Nós estamos na rua faz tempo pelo projeto de trinta horas. A enfermagem ainda não tem uma lei que regulamente a sua jornada de trabalho e nem salário”.Motivos de sobra para estar aqui, principalmente pela falta de médicos, a questão da saúde pública, pela falta de um salário digno nos hospitais. Nós estamos na rua faz tempo pelo projeto de trinta horas. A enfermagem ainda não tem uma lei que regulamente a sua jornada de trabalho e nem salário.”[/stextbox] [stextbox id=”custom” caption=”Valmor Pauletto – Motorista do Transporte Público”]

Valmor Pauletto (2)

 

“O nosso motivo de estarmos paralisados é a segurança. Está precária a situação nos ônibus hoje em dia, muitos assaltos, muitas ameaças. Devido a isso, nós aderimos a paralização.”

 

 

[/stextbox]”.[stextbox id=”custom” caption=”Elaine Ricci – MST”]

Elaine Ricci (2)“Nós do MST trazemos para a pauta conjunta a reforma agrária. Nós queremos para o campo brasileiro um projeto camponês e que inclua as pessoas que trabalham com a agricultura diferenciada que é a agricultura da família. Nós precisamos de projetos e políticas públicas e também de acesso a crédito para que a gente possa implementar um outro modelo de agricultura”.

 

[/stextbox] [stextbox id=”custom” caption=”Jorge Alberto de Oliveira – Correios “]

Jorge Alberto de Oliveira (2)

 

“Nós estamos aqui para fortalecer o movimento. Estamos quase entrando em campanha salarial”.

 

 

[/stextbox]

Os representantes do Sindicato dos coletivos Urbanos decidiram em assembleia que não voltariam a trabalhar na quinta-feira, por uma questão de segurança e continuar a luta por um transporte público de qualidade e seguro. Pediram a compreensão da população, já que o ato também visa o benefício para os usuários.