Histórias atrás do volante

Todo mundo tem uma história de estrada para contar.  São tantas as peculiaridades que se pode encontrar no meio do caminho que algumas se repetem com frequência:  o pneu que furou, aquele amigo que conheceu de forma inusitada, a gasolina que acabou e todos tiveram que ajudar a empurrar o carro, o tio chato que não parava de falar durante a viagem. E quem vive e trabalha na estrada, com certeza, tem muita história para contar. O Nexjor foi conferir qual é a história de quem está do outro lado do volante. Os motoristas passam por tantos lugares, conhecem tantas pessoas ao longo das viagens, sendo assim é bem provável que tenham muito o que dizer. Nas próximas linhas estão algumas histórias engraçadas ou estranhas e fatos corriqueiros do dia a dia de quem passa a maior parte do tempo atrás do volante.

Wilkson da Silva Faria

Certas histórias são bem curiosas, como a do motorista de ônibus Wilkson da Silva Faria que trabalha há um ano e quatro meses em Carazinho, mas antes disso dirigiu por muito tempo ônibus urbanos em Porto Alegre. Ele conta que uma vez quase apanhou de duas mulheres, quando estava fazendo a linha de Cachoeira do Sul para Santa Cruz . “Eu vinha de Cachoeira do Sul, tinha um carro na minha frente, dei sinal de luz pra ela e a mulher não fez menção, e eu sai, ultrapassei ela. Mas eu olhei e tudo mais, não sei o que aconteceu, eu passei e ela saltou pra fora do acostamento. Cheguei em Santa Cruz e fui fazer o desembarque. Chegaram duas mulheres, eu perto delas era pequenininho. Elas vinham pra cima de mim, me acusando de ter jogado elas pra fora do acostamento, e eu ficava quieto. Se eu dissesse que elas estavam erradas, elas tinham batido em mim. Nunca pensei que eu ia apanhar de uma mulher.”

Edson Barbosa Orling

E quem dirige táxi também tem história para contar. O Edson Barbosa Orling é motorista em Carazinho há apenas um mês e já teve experiências bem desagradáveis. Seria cômico se não fosse trágico! “Chegou um rapaz com aproximadamente 18 anos e entrou no táxi para fazer a corrida. Chegando no local que ele disse que morava, falou pra mim que iria buscar umas roupas e já voltava me pagar. Eu disse que ele não podia pagar depois e ele saiu correndo e entrou em uma casa abandonada. Eu fiquei esperando ele mais de meia hora, não retornou para me pagar.”

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Já o motorista Sérgio Royer, certa vez ficou preso na Avenida Brasil por causa de uma senhora. “Um fato curioso que me aconteceu em uma sinaleira é que uma senhora parou o carro, com a sinaleira fechada, pegou um paninho, foi pro banco de trás e começou a tirar o pó do carro. Em plena Avenida Brasil. Abriu o sinal e ela continuou a limpeza, ficou faxinando o carro, bem na frente Praça Toqueto. Toda a avenida parou. Abriu o sinal, fechou de novo e ela continuou limpando.”

 

Claudir Pinheiro de Almeida

Leocir Luiz Montanha e Claudir Almeida

E você já esqueceu sua bagagem no ônibus? Ou passou do ponto que queria descer porque ficou dormindo? No ônibus do Claudir Pinheiro de Almeida, que está na profissão há mais de 10 anos, acontece muito isso. “O cara me perguntou se já tínhamos chegado em Sarandi. Eu disse: Sarandi já passei faz tempo, estamos aqui em Chapecó! Aí tem que amanhecer na rodoviária, esperar outro ônibus pra poder voltar pra cidade.”  Pegar a bagagem errada também é muito comum. O problema é perceber apenas quando chega em casa. “Tem muita bagagem parecida. Aí chega na pressa e o cobrador entrega a bagagem errada, o passageiro vai chegar em casa e descobrir que a bagagem não é dele, a roupa não é dele. Leva a roupa do outro”, comentou Claudir.

 

Jairo Luiz Oliveira da SilvaNessa vida arriscada não poderia deixar de haver um boato para botar medo. Jairo Luiz Oliveira da Silva, que está na profissão há 25 anos, quatro deles em Passo Fundo e um em Carazinho,  conta que, certa vez, qualquer um que tivesse uma mochila nas costas, era assaltante. Se um rapaz quisesse ir até em casa de táxi, era bom não ter uma mochila. “Se tinha uma mochila nas costas o cara não levava, tinha medo de ser assaltado, passava a corrida pro outro taxista.”

_DSC0007Antigamente, quando haviam apenas estradas de chão batido, motoristas operavam verdadeiros milagres no volante. O Já aposentado, Moacir Antônio Grigolla trabalhou como motorista durante 30 anos e falou sobre as condições precárias que passava na estrada. “Na época em que eu trabalhei não tinha asfalto, não tinha nada, era só estrada de chão. Tinha uma estrada que não era qualquer um que passava. A água estava passando por cima da ponte, aquelas que é só a prancha, e tinha que saber mais ou menos onde estava a prancha pra passar por cima. Tinha que adivinhar”, lembrou.

Apesar dos pesares, não podemos esquecer de olhar o lado bom das profissões. Os motoristas, mesmo com todos os riscos e infelicidades que possam encontrar no caminho, tem muito o que contar. Os olhos atrás do volante já viram fatos que vão do trágico ao cômico e isso não é para qualquer um.