Carreira profissional em primeiro lugar

Projeto de Pesquisa da UPF estuda a projeção de vida dos jovens e aponta que eles tem optado deixar para mais tarde a construção da uma família

 

As rotinas modernas de trabalho têm influenciado a ideia de projeção para o futuro. A maneira como as pessoas e principalmente os jovens organizam a carreira já influencia nas organizações familiares. A taxa de fecundidade no Brasil está em declínio; há 50 anos, era de seis filhos por casal e hoje, não chega a dois filhos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Circulando pelo Campus da Universidade de Passo Fundo a afirmativa soa como uníssono entre os doze entrevistados na faixa etária entre 16 e 25 anos. “Primeiro é preciso estudar, se formar, construir carreira para dar uma condição boa pra família”, diz o estudante de fisioterapia Gian Carlos Beal. Como ele, os também acadêmicos de jornalismo e ensino médio, Flávio Rosalino e Francisco Ghelen, acreditam que só depois dos 30 ou 40 anos se possa iniciar uma família. “Hoje em dia mudaram muito as coisas, antes as mulheres que não casavam não eram nada” acrescenta a estudante do segundo ano do ensino médio Vitória Rigoni. Já o funcionário público Evandro Ortiz interpreta essa realidade com a afirmação de que “o casamento parece ser uma instituição falida”. Esta nova forma de pensar que mudou em apenas no espaço de uma geração para outra é confirmada pela psicóloga e analista de Recursos Humanos Cláudia Laner. “Eles parecem ter mais tempo para experimentar o mundo. Também as necessidades deles em relação ao trabalho e as empresas são outras, eles tem um desprendimento maior”, explica.

O estudo que comprovou todas essas afirmações teve início anos atrás com interesse da professora do curso de administração da UPF, Andrea Poleto Oltramari. “O pesquisa fez parte da minha carreira no mestrado e doutorado e observava principalmente a carreira dos bancários. Uma das frases que ouvi e que simboliza bem isso é de que as rotinas de trabalho já tomava muito o tempo de um bancário e depois do expediente tinham happy hours e trabalho pra levar pra casa; ele não podia ter alguém dependendo dele”. Jovens que vivem esta realidade também fazem parte da pesquisa como a estudante de administração e colaboradora do projeto Gabriela Remor. “Poder pesquisar melhora nossa capacidade de leitura, possibilita publicações para o currículo, ajuda depois quando for escrever o trabalho de conclusão de curso, além de pesquisar uma realidade da qual a gente faz parte”, finaliza.

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