Faltou luz! E agora?

Uma hora em que passamos com falta de luz em uma noite, nos leva à uma reflexão: faltou luz, e agora? O que fazer sem acesso à internet, sem um computador ou celular com bateria, sem chances de tomar um banho quentinho? O que fazer?

A energia elétrica, querendo ou não, nos fez dependentes, nos fez cômodos. Não notamos mas o que hoje pode ser tão fácil nem sempre foi assim. Vale lembrar que há 200 anos uma família não imaginava ter tantas possibilidades para usar a eletricidade e o que pode ser comum e essencial, hoje – como uma geladeira, um fogão elétrico ou luz em todos os cômodos da casa – nem era cogitado.

A distribuição de energia elétrica, existe há pouco mais de 100 anos. Para chegarmos aos Sistemas de Potências atuais, a caminhada foi longa. Devemos a descoberta a um dos considerados “sete sábios da Grécia Antiga” Tales de Mileto e o seu âmbar na pele de carneiro, em 600 a.c. Também à Ewald Georg Von Kleist e Petrus Musschenbroek e o condensador que armazenava cargas elétricas. Ou, à Benjamin Franklin e o para-raios, à Galvani que descobriu que potenciais elétricos produziam contrações na perna de uma rã morta e também Alessandro Volta que devido os seus estudos obteve-se pela primeira vez uma fonte de corrente elétrica estável. Créditos também, à Michael Faraday e o primeiro exemplo de um gerador de corrente elétrica alterada e em 1880, Thomas Edson apresentava sua lâmpada incandescente em corrente contínua. E enfim, à instalação do primeiro gerador em 1875, em Gare Du Nord, Paris e a primeira hidrelétrica junto às cataratas do Niágara em 1886.

Foi um longo tempo até que nos acomodássemos. Professora na rede municipal de ensino, Grasiela Marros, lembrou que não existiam aparelhos eletrodomésticos, para a conservação dos alimentos eram realizadas técnicas como o charque. Os banhos na maioria das vezes eram frios, ou com água aquecida nos fogões à lenha e a iluminação dos lugares dependiam de lampiões ou velas. A professora comentou ainda a fala de um aluno. “Nós estávamos comentando na escola e um aluno me disse: “Prô”, a minha vó diz que não tem saudade do ‘tempo antigo’, porque tudo era mais difícil, não tinha máquina de lavar.” Grasiela Marros lembrou que os passatempos eram outros, que as pessoas faziam reuniões no interior, os chamados “fuxicos”que em português é sinônimo de fofoca, cochicho.
Já em 2013, quando o Brasil está entre os cinco maiores produtores de energia hidroelétricas do mundo, a dificuldade é outra. Em alguns pontos da cidade Passo Fundo, são frequentes as quedas de energia. Responsável pelo abastecimento elétrico de 264 municípios do RS, a Rio Grande Energia (RGE), informou que são quatro fatores principais para a falta de luz: desligamentos programados pela empresa para operação na rede em condições de segurança, abalroamento de veículos (batidas em postes), ações do tempo (temporais com grande incidência de raios/descargas atmosféricas) e vegetais que tocam a rede. A empresa afirmou que “a distribuição de energia elétrica no município de Passo Fundo por parte da RGE é universalizada e todos moradores da área urbana e rural atendidos pela RGE tem energia garantida”.

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A RGE informou que para reclamações ou sugestões basta ligar no 0800 970 0900 Este serviço é gratuito e está disponível 24 horas.

A Rio Grande Energia investiu cerca de 2,7 milhões em Passo Fundo no ano de 2013, em manutenção de transformadores, recondutoramento de rede, substituição de postes de madeira por concreto, novas redes, entre outros investimentos, declararam.

A estudante de Jornalismo, Ana Flávia Marafon, comentou que acredita que ela, assim como a maioria das pessoas, se tornou uma dependente da energia elétrica. Que o uso da eletricidade deixou de ser uma questão de luxo e virou necessidade, sem falar das questões emocionais que a escuridão nos traz. “Não costumo pensar neste assunto, mas diante deste questionamento, refleti e percebi o quanto minha vida gira em torno da energia e o quanto eu me sinto perdida sem ela. Desde que eu acordo até o momento em que vou me deitar, de uma forma ou de outra estou utilizando-a É curioso pensarmos que somos dependentes de algo que não temos controle. O que fazer quando acaba a luz? Recorrer à quem? Somos dependentes da energia elétrica pela comodidade que ela nos traz!’
Elvis Picolotto compartilha da mesma opinião, “quando falta luz fico acordado apenas enquanto duram as baterias dos aparelhos, pego o carro e vou pra rua onde tenha com quem conversar e passar o tempo ou vou pra cama mesmo.” Comentou que se sente um tanto quanto “amarrado” à eletricidade, “tudo que a gente vai fazer não é possível de fazer sem luz, se for de dia beleza da pra ler alguma coisa com a luz do sol, mas de noite só resta dormir… por isso que antigamente as pessoas tinha mais filhos” brinca o também, estudante de Jornalismo.

Tantas foram as descobertas e novas tecnologias que surgiram, mas ainda nenhuma pode superar a energia elétrica, simplesmente pelo fato de que todas dependem dela. Muitos foram os benefícios que a eletricidade proporcionou, basta saber se eles estão sendo bem utilizados.