Culturas Extremas – Mutações Juvenis nos Corpos das Metrópoles

Ao trazer o tema das revoluções comunicacionais ocorridas e impulsionadas pela tecnologia pós-industrial, Massimo Canevacci recolhe aspectos culturais para mostrar como esses estão metamorfoseando-se. Culturas extremas é uma obra que nasce de uma “imensa insatisfação”, já que as pesquisas jornalísticas que tentaria responder, não conseguiam aprender realmente as “culturas juvenis”. O texto tem como linha norteadora desconstruir a ideia da cultura juvenil como fixa.

“Sair do social e entrar na metrópole significa, para mim, perceber as culturas eXtremas (X-terminadas) de formas móveis, irrequietas, opositoras” Massimo Canevacci

É por essa corrente de pensamento que o autor decorre sobre os significados líquidos de cultura, como quem diz não aos panoramas contextuais e metodológicos que “organizam” determinada sociedade. Massimo Canevacci brinda a relevância de seus estudos ao apresentar as variadas e fluidas formas de comunicação que chamou de “Metrópole Comunicacional”. Sobre essa, o autor chama a atenção para a relevância dos novos fluidos que surgem e que por vezes se tornando mais importantes do que compreendemos e fixamos como o conceito tradicional de sociedade, conceito descrito pelo autor como inútil e deprimido . Talvez seja esse o motivo, a desconstrução para efetivação da pluralidade,  que faz da obra Cultura Externas uma reunião de fragmentos em análise de múltiplos meios de informação, que ocorrem de forma multinarrativas.

A metrópole polifônica proposta por Canevacci trás para o diálogo elementos que são tratados como subalternos para todos que propõem-se ao método científico centralizado. A heterogeneidade dos elementos trazidos pelo autor, hoje são tônicos relevantes para a compreensão dos “módulos diferentes e escorregadios de cultura”.  O autor propõe objeto de compreensão: tatuagens, raves, vídeoarte, ciberspaço…  e passa a indicar uma multiplicidade de métodos e perspectivas de análise para “descentralizar o método, multiplicá-lo em seu próprio agir”. Massimo constrói (ao desconstruir) a partir da assimetria, como quem diz sim para a espontaneidade metodológica. Essa é a proposta de Canevacci para a libertação de todos os tipos de cultura.

massimocanevacci

Tais culturas [intermináveis] não são mais contra: nem contra uma cultura dominante, que justamente não existe mais”. Massimo Canevacci

Logo, nasce, da morte da contra cultura, as culturas intermináveis. Nessa perspectiva migra-se do conceito “contra” que ganhava até então tonalidades marxistas em sua denúncia da estrutura socioeconômica, para sobretudo, o “contra” do “cruzamento de novas formas de pensar”. “Tais culturas [intermináveis] não são mais contra: nem contra uma cultura dominante, que justamente não existe mais e que, de qualquer modo, dilui-se numa série policêntrica de poderes em competição entre si”. É o fim das subculturas, por essas transmutassem em culturaX.

 

[stextbox id=”custom” caption=”O Autor”] Massimo Canevacci é doutor em Letras e Filosofia pela Universidade Degli Studi di Roma La Sapienza – URS, na Itália, de onde é natural. Leciona antropologia cultural, arte e culturas digitais nessa mesma instituição e é professor visitante na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Publicou vários trabalhos sobre a realidade brasileira. É autor de livros como Antropologia da comunicação visual (Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2001), Antropologia do cinema (São Paulo: Editora Brasiliense. 1990), Fake in China (Maceió: Edufal, 2011) e Fetichismos visuais (São Paulo: Atelier Editorial, 2008).[/stextbox]