Paraíso verde pelas mãos de Fredolino Schmidt

Fredolino dedicou 17 de sua vida a topearia e construiu um ponto turístico em um pequeno município do norte do estado 

Estamos acostumados com praças com algumas árvores, flores, bancos, mas que tal uma praça em que as árvores têm formas? É o que encontramos na Praça Tancredo Neves no município de Victor Graeff, no norte gaúcho. As encantadoras esculturas verdes deram o título ao município da “Cidade da Mais Bela Praça do Rio Grande do Sul”.

Localizada no centro da cidade, é o principal ponto turístico da modesta cidade de pouco mais de três mil habitantes. O grande mestre e idealizador, responsável pelas obras de arte é o agricultor e aposentado Fredolino Selmiro Schmidt, que deixou o interior da cidade para se dedicar a topearia. Tudo começou quando Miro, como prefere ser chamado, foi trabalhar no município de Cruz Alta e observou os diferentes formatos nos ciprestes. Quando retornou a cidade natal passou no concurso da prefeitura municipal para jardineiro, sugeriu ao então prefeito e colega do coral, Ivar José Roessler que os ciprestes fossem plantados na praça e depois podados. “Depois de um ensaio dei a ideia para o Ivar, mas ele em questionou se iria mesmo dar certo”, relembra. Ele aceitou e cerca de 150 mudas foram plantadas.

Mas a topearia é um trabalho de muita paciência, os ciprestes demoram a crescer, somente depois de cerca de seis a sete anos eles tomam a altura necessária para serem podados. Além disso, apenas depois de dois anos a planta toma a forma idealizada, enquanto isso Miro podava os ciprestes já existentes na praça. “Naquela época existia uma escola na praça, então fiz os primeiros ciprestes em forma de criança”, diz Miro.

Uma das primeiras esculturas, na época ainda existia uma escola onde está localizada a praça.

Uma das primeiras esculturas, na época ainda existia uma escola onde está localizada a praça.

Todo o planejamento da praça, seu mapeamento não foi desenhado em nenhum papel. “Na minha cabeça a imagem de como a praça seria quando os ciprestes crescessem já existia”, afirma. Mas de onde seu Miro tirava as ideias para as figuras? “Eu assistia muito ao filme do Tarzan e via todos aqueles animais, depois passei a ir a biblioteca em busca de livros com figuras de animais”, declara. O escultor teve que desenvolver técnicas para poder atingir todas as formas que ele desejava: “Comecei a utilizar arames e para chegar ao alto estruturas de ferro”. Seu Miro revela quais são suas esculturas favoritas: “Eu gosto muito da junta de bois, o leão e Jesus”.

[stextbox id=”custom” caption=”Sobre os Ciprestes”]

Pertencem a família das Coníferas e são originárias da Europa, Ásia e América do Norte. Podem atingir até 25 metros de altura. Suas folhas são pequenas e sobrepostas, lembrando escamas cobrindo os ramos.

Fonte: Escola Britannica 

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No ano de 2004, ao completar 70 anos ele se aposentou e o trabalho feito por Miro passou a ser mantido pelos jardineiros da prefeitura. A Praça, hoje, é considerada Patrimônio Histórico e Cultural do Estado, pelo projeto de lei 205/05 e teve como redator o deputado Márcio Biolchi.

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