A jornada de quem viaja para estudar

A partir do momento que o fone de ouvido é conectado ao celular, as pessoas viajam para outro mundo, embaladas por músicas que contagiam o ser humano. É assim para Kenia Censi, estudante do terceiro nível de Serviço Social da Universidade de Passo Fundo. A acadêmica, que reside em Marau, é fã assídua dos versos de Humberto Gessinger no Engenheiros do Hawaii e está sempre ouvindo as canções do grupo gaúcho. A banda de reggae Natiruts e o grupo artístico O Teatro Mágico também fazem parte do mundo musical de Kenia, que emerge todas as manhãs quando ela percorre 33 quilômetros entre Marau e Passo Fundo, local de destino do seu ônibus. Após adentrar a Universidade de Passo Fundo, a acadêmica de Serviço Social volta à sua realidade. Retira os fones de ouvido, desliga a música e toma o rumo da sala de aula. A rotina de Kenia dura 1h10 min nas estradas para estudar. A música é seu passatempo durante o percurso.

Assim como Kenia, diversos estudantes da UPF passam horas por semana na estrada para chegar à instituição. Um morador de Carazinho – um dos municípios mais próximos de Passo Fundo –, por exemplo, viaja quase dez horas semanais para estudar. Mas o tempo de estrada para o acadêmico do terceiro nível de Jornalismo, Cristiano Bianchini, não é visto como um problema. ’’Quando se está buscando conhecimento, formação profissional, experiências, toda e qualquer barreira se minimiza, inclusive as distâncias’’, conta o estudante.

[stextbox id=”custom” float=”true” align=”right” width=”200″]A Universidade de Passo Fundo (UPF) recebe cerca de 164 ônibus com estudantes. Acadêmicos de diversas cidades da região estão presentes na UPF por dia. Os municípios mais comuns são: Carazinho, Marau, Erechim, Soledade e Lagoa Vermelha.[/stextbox]

O diálogo é fundamental
Enquanto Kenia utiliza o tempo de viagem para ouvir músicas, a estudante do terceiro nível de Fisioterapia, Suelen Bordin, classifica a viagem como uma oportunidade para interagir com seus companheiros: ‘’Aproveito para conversar com quem está do meu lado e com outros passageiros’’. Além disso, a menina comenta o que poderia estar fazendo durante o horário que está na estrada. ‘’Como não consigo ler durante as viagens, estaria estudando em casa, com mais calma e sem pressa’’, afirma Suelen.

Enquanto isso, o futuro jornalista Cristiano Bianchini sai de Marau e enfrenta a ERS-324 todos os dias para chegar à UPF. O jovem destaca que o tempo das viagens pode ser utilizado em prol do aprendizado. ’’O tempo de deslocamento pode ser uma boa oportunidade para leitura, música, notícias e informação, para uma boa conversa, enfim, ao final de tudo, chega a ser satisfatório’’, comenta o acadêmico.

O sonho de estudar onde reside
Apesar da presença de campi universitários da UPF na região, algumas cidades não possuem determinados cursos oferecidos pela instituição no Campus I. Segundo Kenia Censi, a disponibilização do curso na cidade em que reside seria mais acessível para a estudante, pois evitaria o corre-corre do seu cotidiano para pegar o transporte. Já a acadêmica Suelen relata o desejo de cursar em Marau, onde vive. ‘’Seria muito bom, porque estaria me poupando de pegar a estrada duas vezes ao dia, e também ajudaria economizando dinheiro com alimentação, entre outras coisas’’.

A jornada dos estudantes que viajam para estudar remete a possibilidades. Enquanto uns ouvem músicas, outros agregam conhecimento por meio da leitura. Há também os que fazem da viagem uma oportunidade para um simples diálogo. De maneiras distintas, os acadêmicos buscam o hábito que mais lhe convém para frequentar os anos de estrada e graduação.