Crítica: O fantasma da Ópera

Cartaz oficial da obra.

In sleep he sang to me, in dreams he came…

Música, dança e mistério. Essas são palavras que podem se destacar no musical dirigido por Joel Schumacher em 2004. O fantasma da ópera, inspirado na obra literária francesa que leva o mesmo nome, ou Le Fantôme de l’Opéra, na língua original, foi publicada em 1910. Desde então, foi adaptada muitas vezes para o teatro. O filme de 2004, conta com Gerard Butler (300) interpretando o fantasma, enquanto Emmy Rossum (Dezesseis Luas) interpreta Christine Daaé, a iniciante cantora lírica que desperta a paixão do fantasma.

O personagem do fantasma tem o rosto desfigurado e uma aparência tenebrosa, por isso se esconde nos porões do teatro, sem que quase ninguém o possa ver. Mesmo com essa vida solitária, ele é cantor, músico, designer e arquiteto, um gênio que apesar de seu talento, vive no mundo das sombras. Mas em alguns raros casos ele sai da escuridão para assistir suas duas paixões: a música e Christine.

As músicas cantadas no filme são bem produzidas e estão de acordo com cada cena. The Phantom of the Opera, a principal composição e tema da obra, e Masquerade, cantada na cena de comemoração de ano novo, com coreografias de quase todos os figurantes, foram destaques. Quem interpreta as músicas são os próprios atores, com exceção de Minie Driver, que interpreta Carlota, a diva e principal soprano do teatro. Quando ela interpreta a música, quem canta em seu lugar é a Margaret Preece, uma professora de canto.

O cenário foi feito remetendo o séc. XIX, época em que se passa a obra, e o luxo é predominante em todo o teatro. Cortinas de veludo, figurinos ricos em detalhes e obras de arte em estilos barroco enfeitam o teatro garantindo um ar de elegância vitoriana.

gerald butler

Gerard Butler como o Fantasma da Ópera.

Mas algumas coisas ficam sem resposta no filme. Por que o fantasma, que originalmente é deformado e esquelético, no filme aparece  galante e com uma máscara que não esconde um rosto sem nenhuma deformidade? Apenas em 2  momentos sua deformidade é exposta. Na primeira vez, Christine tira a máscara do fantasma, mas  quase não se nota a aparência, enquanto na segunda vez em que Christine faz isso, em frente a todos  os espectadores do teatro, uma nova face, com um dos olhos caídos e com cabelos claros e ralos é  revelada. Mas em outras cenas no filme, mesmo usando a máscara, rosto do personagem não  demonstrava aquelas características. Estas cenas podem ser constatadas em closes do rosto do  fantasma, em que os dois olhos estão perfeitamente iguais na maioria das cenas.

Cena em que Christine vai ao cemitério.

Outra cena questionável é quando Christine vai ao cemitério visitar o túmulo de seu falecido pai. O  cenário do cemitério peca com informações demais. Estátuas que parecem serem feitas de papel se erguem por todo o espaço, enquanto o mausoléu do pai de Christine é grande e o único que aparece  na cena. O detalhe é que a moça era supostamente pobre. Na mesma cena, Raoul de Chagny, (Patrick  Wilson, Invocação do Mal) que é apaixonado por Christine, vai ao cemitério atrás de sua amada, pois descobriu que o fantasma também foi para lá. A cena da luta entre os dois é um tanto medonha, com movimentos que fazem o espectador se perguntar se estão lutando ou brincando.

Mesmo com algumas cenas como essas, o filme não perde a magia. O diretor soube conduzir as cenas. Com duração de duas horas e vinte minutos de longa, as cenas rápidas e movimentos de câmera conseguem deixar o filme em um ritmo agradável. Indicado a três Óscar, o Fantasma da Ópera é um grande trabalho envolvendo música, fotografia, arte e atores talentosos. Mesmo os figurantes ganham destaque com o brilho dos figurinos e dos cantos afinados, emoldurados por um cenário deslumbrante.

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Fantasma e Christine, interpretando juntos a peça Don Juan

Curiosidades:

No cartaz promocional, o fantasma usa a máscara do lado direito do rosto. No filme, ele a usa no lado esquerdo.

Antonio Banderas e John Travolta também fizeram o teste para o papel do fantasma.

Emmy Rossum tinha 16 anos ao interpretar Christine, a mesma idade da personagem na história.

O processo para que Gerard Butler estivesse caracterizado de fantasma levava cerca de nove horas.

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Raoul e Christine na cena do baile de ano novo.

Na cena em que há um incêndio, ele é real. O diretor queimou propositalmente o cenário, pois queria realismo.

O primeiro ator a interpretar o Fantasma no cinema foi Lon Chaney, em 1925.

O filme de 2004 custou 96 milhões de dólares,  sendo o filme independente mais caro feito até então.