Um espaço para o vinil – Dupla de Passo Fundo cria selo especializado no assunto

Após ter sido morto e enterrado para muito, o disco vinil reencontrou seu lugar no mercado musical.

O disco de vinil, por mais ultrapassado que possa parecer se tornou item de admiração e coleção de muitos, que prezam pela qualidade sonora que eles emitem e por toda a história por trás de cada disco. Foi isso que motivou Rodrigo de Andrade a transformar sua paixão pelo item em sua fonte de renda. Junto com o sócio Leonardo Marmitt, ele resolveu apostar na música em formato digital, e ai surgiu a empresa 180 Selo Fonográfico.

O primeiro lançamento deles aconteceu em setembro de 2013, mas o trabalho começou muito antes. Andrade sempre colecionou discos e, como jornalista cultural, cobria a cena do vinil. Já Marmitt tinha uma produtora e trabalhava com eventos culturais, principalmente shows. Atentos para o fato do mercado de vinil estar aquecido, eles resolveram apostar nessa experiência e investir.
O empresário disse que ainda é complicado explicar para as pessoas sobre o projeto. “Muitos não entendem, acham um absurdo. Pensam que estamos produzindo para vender em Passo Fundo. Na verdade, vendemos para todo o Brasil.” Contou ele. Até o momento, a empresa já lançou LPs da banda Cachorro Grande e do Marcelo Gross, e compactos das bandas General Bonimores, Cachorro Grande e O Terno, mas tem planos para lançar outros títulos ainda nesse ano. A prioridade do 180 Selo Fonográfico é lançar principalmente material inédito, trabalhos recentes de bandas e artistas contemporâneos. O áudio é remasterizado para o formato analógico, garantindo a fidelidade de som. O próximo passo é inaugurar uma coleção de raridades. “Vamos resgatar discos clássicos e lançar pela primeira vez material antigo, raro.” completou.

downloadA nova geração não conheceu o auge do formato, que começou a sair de cena principalmente entre o final dos anos 90 e a metade dos anos 00 no Brasil, e hoje passou a ser considerado um artigo de luxo. De acordo com a Nielsen Soundscan, sistema de informações que monitora e contabiliza os resultados do mercado fonográfico dos EUA e do Canadá, na primeira metade de 2013 o crescimento na venda de discos de vinil os dois países foi de 33,5%. Para o Andrade, o momento que o vinil está vivendo é fruto de uma nova postura das pessoas em relação a música, e completa “A última geração descobriu que, através da internet, se pode ter acesso a toda a música já gravada. Agora, esse pessoal está atrás de uma experiência mais completa e profunda. Aí, encontram o vinil.”

O preço do disco vinil em relação ao CD é muito mais elevado, mas segundo Andrade isso se justifica pelo ato de colecionar, e também por ser um produto que se for conservado valoriza muito com o tempo. A principal diferença entre apreciar a música no formato digital e no analógico está na qualidade do áudio. O empresário explicou que esse formato carrega um pedaço maior da onda sonora gerada pelos instrumentos e vozes, o que faz soar mais rico e completo.
Os discos são produzidos no Leste Europeu, na maior fábrica de discos do mundo, já a transferência do áudio para formato analógico está sendo feita na Inglaterra. Depois que o álbum fica pronto lá, ele vem para o Brasil, onde é feita a pós-produção, com detalhes como o OBI e o plástico externo.
Quanto ao diferencial do 180 Selo Fonográfico, Andrade discorre, “Temos uma proposta artística diferente para o material gráfico: a capa e contracapa não trazem logos do selo, código de barras nem texto que polua a arte. E o principal é que estamos investindo pesado para garantir a melhor qualidade de som. Sem falsa modéstia, estamos lançando os melhores discos do país. Os artigos mais luxuosos do mercado musical brasileiro são os discos do Selo 180. Essa é a nossa aposta para se consolidar nesse meio. Estamos oferecendo para o público os lançamentos mais caprichados do Brasil. Nossa proposta é ambiciosa e estamos extremamente satisfeitos com o resultado alcançado.”

O 180 Selo Fonográfico também tem uma loja online e seus títulos estão nas principais lojas de discos do país.