Balonismo: Voar ao sabor do vento!

“O balão é uma aeronave, ele tem prefixo, tem seguro, passa pelas mesmas exigências que um avião. Como uma aeronave, tem manutenção anual, tem licença, é todo regulamentado e vistoriado pela aeronáutica.”

“Uma viagem de balão é ver o mundo de uma maneira completamente diferente. É uma oportunidade de voar ao sabor do vento.” É assim, que muitos balonistas descrevem a sensação de flutuar nos céus com um balão de ar quente. Para Macleitiane Ecker, o organizador do I Festival Internacional de Balonismo de Passo Fundo, isso não seria diferente.

Coordenador do evento_Foto_Fabiana Beltrami_Nexjor FAC UPF_36Há oito anos no ramo de balões, Ecker contou à equipe Nexjor, que sempre gostou muito de esportes, alguns radicais outros nem tanto, e sempre gostou de voar. “Eu fiz algumas aulas de pilotagem de helicóptero e procurava algo nesse sentido, até que eu fiz um voo de balão e me encantei, foi um voo mágico. Eu me formei em piloto em 2011, foram 5 anos buscando o diploma.” Desde então, Macleitiane montou a empresa MacFly Balonismo, especializada em promoções publicitárias com balões de ar quente, além da realização de campeonatos de balão. Em Passo Fundo são 8 balões presentes no Festival.

A equipe do Nexjor conversou com o Macleitiane, e tiramos algumas dúvidas sobre o balonismo, dá uma olhada!

N.: O que é necessário para se tornar um piloto de balão?

ME.: Para ser um piloto de balão você precisa procurar um instrutor, porque no Brasil nós não temos um Centro de Formação de Pilotos, nós não temos um Aeroclube e Escolas de Balonismo. Estes instrutores vão passar 16h de aulas práticas e teóricas, depois disso, é necessária a realização de um exame médico na base aérea, aqui no Rio Grande do Sul é em Canoas, que é o mesmo exame médico de pilotos de avião e helicóptero. Passado no teste e nas 16h, estando apto pelo instrutor de balão de ar quente, você é encaminhado para um checador da ANAC, Agência Nacional de Aviação Civil, para a realização de um voo cheque com o piloto-aluno, para a aprovação ou não do curso de pilotagem de balão. Se aprovado, é emitido o brevet.

N.: Até que ponto o piloto tem controle sobre o voo?

ME.: Antes da decolagem com o balão de ar quente, é feita uma medição do vento, com uma sonda que é um balão de criança com gás hélio dentro. Essa sonda sobe e a gente mede a intensidade do vento e a direção. Com essa medição, é feito um plano de voo e escolhido o melhor lugar para a decolagem. Essa sonda também vai indicar nas alturas as camadas de vento, porque em solo a gente pode ter uma direção de vento e em mil metros de altitude pode ser outra direção, e geralmente é o que acontece, por isso a gente sobe e desce procurando essas camadas de vento dando uma direção ao balão. O que impulsiona o balão é o vento, dizemos que a gente voa na direção do vento, mas na direção do vento que a gente escolhe.

N.: Há fabricantes de balão no Brasil?

ME.: No Brasil há 4 fabricantes de balão de ar quente. Como em tudo o brasileiro é muito criativo, essas empresas fabricam também balões de forma, ou seja, balões que tem formatos especiais. Dois destes fabricantes são de renome internacional, vendem e fabricam balões de formas para o mundo inteiro, são balões criativos e que são usados os melhores materiais.

N.: Qual é a frequência de acidentes com balão de ar quente?

ME.: O exemplo do acidente que aconteceu na Turquia demonstra como é raro acidentes de balão, porque se acontecesse com frequência não dariam tanta ênfase. Estatisticamente o balão é a aeronave que menos registra acidentes, estatisticamente a mais segura, claro que ela tem suas limitações, ela não voa com ventos fortes, e também tem outras vantagens em relação à outras aeronaves. Eu diria que cada aeronave tem suas vantagens e desvantagens, e o balão tem essa característica, é a aeronave que mais propicia o contato com a natureza, interação com o meio ambiente.

Nós temos mais de 30 anos de balonismo no Brasil e podemos dizer que temos um acidente fatal até agora. O balão é a aeronave que tem o fator de segurança mais alto, é 15 por 1, enquanto que no avião é 4 por 1. É três vezes mais seguro, estruturalmente, que um avião. Temos que cuidar, que tomar todas as medidas de prevenção para evitar esse tipo de incidente.

N.: Qual é a diferença entre baloeiro e balonista?

ME.: O baloeiro é aquela pessoa que solta balão de São João e isso é proibido, não é uma aeronave e não tem nada a ver com o balão que a gente voa. Neste tipo de balão não há tripulantes, é colocado fogo e ele acaba caindo em algum lugar sem previsão e gera riscos. O balão de ar quente é muito diferente, a chama dele só é acionada se você estiver com o maçarico, se por acaso o piloto cai em algum lugar, a chama não está acesa e o tecido do balão ele é antichama. Balonista é um esportista e balonismo é um esporte. Uma coisa é bem diferente da outra.

 N.: Quais são os custos para se formar balonista e adquirir a estrutura de um balão?

ME.: Nós temos um custo de formação de piloto de 20 a 30 mil reais. Já as partes do balão, o cesto, cilindros, maçarico, o envelope, o ventilador, isso tudo está em torno de 60 a 70 mil. Depois é necessário mais um carro com uma certa estrutura para o deslocamento do equipamento, o ideal é uma camioneta 4×4. Claro que o balão é rentável, pode ser feito propagandas, voos turísticos, aí é necessário licença para esse tipo de voo. O pessoal investe mas acaba tendo um retorno, além de ser um “hobby-trabalho”.

N.: O que é balonismo para você?

Balonismo é uma forma de vida, depois que eu me formei piloto mudou bastante coisa, passei a participar de campeonatos no mundo todo, tu entra num grupo que é muito bacana, tu faz amigos, tu vai em lugares novos, tu tem experiências de vida completamente diferentes, que nem sempre as pessoas conseguem ter.

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Se você ficou interessado em balonismo, confere a dica que o Macleitiane nos deu:

“O Festival de Balonismo de Albuquerque, nos Estado Unidos,  é o maior do mundo, chega a ter cerca de mil balões no céu. São 9 dias de Festival e ele foi escolhido uma das cem coisas, entre as mil, para se conhecer antes de morrer. É mágico!”

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