No trabalho, amor e dedicação fazem toda a diferença

Valorizar a vida, formar cidadãos éticos e trabalhar na construção da igualdade social. Esses são alguns dos valores da Associação Beneficente São Francisco de Assis (Abesfa)

Fundada em 10 de setembro de 1962, na cidade de Marau, a Associação inspirou-se na história de São Francisco de Assis, um jovem rico e adepto aos prazeres da vida, que ao longo da sua história resolveu desfazer-se de tudo o que tinha e dedicar-se aos pobres e excluídos. Desde a sua fundação, a entidade atende duas comunidades, bairro Fátima e Santa Helena.

Além de ter uma equipe de coordenação e professores, a Abesfa também conta com o apoio de voluntários e colaboradores. Os voluntários são pessoas que trabalham, gratuitamente, na Associação. Já os colaboradores são aqueles que contribuem através da doação de roupas, alimentos e utensílios domésticos, destinadas às famílias necessitadas.

Segundo a coordenadora do projeto, Camille Dal’Maso, atualmente a entidade acolhe cerca de 200 crianças e pré-adolescentes que participam diariamente de atividades no turno inverso ao escolar. São proporcionadas oficinas de dança, capoeira, marcenaria, artesanato e padaria. “Com a participação das crianças, elas inserem-se em algo, ou seja, é um aprendizado envolvente e que ajuda a contribuir para, futuramente, garantir uma profissão”, afirma.

Professora Loridene e os alunos da oficina de artesanato

Para a professora Loridene Bonamigo, que trabalha no bairro Fátima há mais de dois anos, é muito gratificante ver o crescimento dos alunos participantes, principalmente pelo fato de que ainda existe preconceito em relação à carência das comunidades mais pobres. “Como qualquer criança ou pré-adolescente, eles brincam, correm e distraem-se. Porém, eu entendo, eles funcionam assim. É deixar que eles ‘sejam’, é o que eles não podem ser na própria casa devido à situação social”, avalia. Além disso, o trabalho desenvolvido pelas crianças também dá um retorno emocional e intelectual. “Tudo que é proposto eles aceitam com empolgação, eles querem estar lá”, completa.

Através das atividades, a Abesfa oportuniza uma visão social igualitária e mais humana. Para o adolescente Andrei Bueno Zanin, de 14 anos, fazer parte da entidade é o mesmo que lutar para construir um futuro mais digno. “Fiz muita coisa que, se eu estivesse em casa, não aprenderia. Tenho certeza que isso vai contribuir para o meu futuro profissional”, destaca. Além disso, comenta o quanto se sente bem em fazer o que gosta. “A aula de padaria é a minha preferida, cada um contribui com o que pode. Isso ajuda no nosso crescimento”.

Para Ana Carolina do Sacramento, de 10 anos, a entidade motivou-a a estudar para adquirir mais conhecimento. “Fizemos várias atividades e aprendemos um pouco de tudo. As oficinas me motivam a participar”, avalia a aluna.

Fazer parte dessa história é gratificante, principalmente por saber que as crianças, de alguma maneira, são vistas na sociedade. A coordenadora Camille Dal’ Maso afirma que, por ser um lugar digno de carência, a melhor forma de contribuir é com apoio, ensino e educação. “Planta-se hoje, colhe-se amanhã. É preciso ser protagonista da própria história. E, principalmente, saber que eles não serão apenas o futuro, mas sim o presente”, conclui a coordenadora.

Confira o trabalho realizado na oficina de marcenaria:

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