Maria Antonieta: reine et victime de la mode

Princesa da Áustria, delfina e rainha da França, descendente da realeza e filha da imperatriz da Áustria, Maria Teresa. Essas poucas palavras já podem expressar o quanto essa pessoa era importante em um mundo onde a nobreza e a etiqueta era prioridade.

7 anso de idade

Retrato de Maria Antonieta aos 7 anos

Na sua terra natal, Áustria, a língua oficial é o alemão. Portanto, existem variações de seu nome. Em alemão: Maria Antonia Josepha Johanna von Habsburg-Lothringen; Em francês: Marie Antoinette Josèphe Jeanne de Habsbourg-Lorraine. Nascida em 1755 em Viena, Maria Antonieta foi uma princesa aclamada como a esperança da França para dias melhores, até chegar ao ponto de ser uma rainha envolvida em constantes escândalos por desavenças com a corte francesa e fortes rumores contra sua índole.

Quando criança, foi tratada de acordo com a etiqueta de seu país, que mesmo rígida e não permitindo distanciamento do comportamento esperado a uma princesa, era driblada por Maria Antonieta. Quando se tornou noiva do delfim da França, passou a receber intensos tratamentos, tantos estéticos como comportamentais. Falava fluentemente alemão, francês e italiano, tinha aulas de dança, canto e séries de aulas de etiqueta francesa.

Aos 14 anos de idade, a jovem delfina austríaca foi enviada para a corte francesa, em um gesto de união entre os dois países, que viviam em conflito. Ela se casaria com o delfim da França, Luís Augusto, que mais tarde se tornaria Luís XVI, rei da França. Quando foi entregue ao seu futuro esposo, em um ponto estratégico de divisa entre os dois países, foi obrigada a deixar para trás tudo o que pudesse lembrar de seu país natal. Maria Antonieta nunca mais voltaria a Áustria, e também não veria mais a imperatriz sua mãe. Estava indo para uma terra desconhecida com a missão de conquistar o povo francês e se tornar progenitora dos futuros herdeiros do trono.

14 anos

Aos 14 anos, em retrato de seu noivado

Maria Teresa gastou a maior fortuna já investida em um casamento real com sua filha, encomendando um enxoval bordado com fios de ouro e prata e cravejado de pedras preciosas, transportados em baús banhados a ouros por um total de 57 carruagens graciosamente enfeitadas e puxadas por cavalos brancos que a seguiriam por todo o trajeto até a França. Mesmo com recomendações para que esquecesse suas origens, Maria Teresa orientou a filha para nunca esquecer aonde cresceu. “Seja sempre uma boa alemã”, consta em uma das cartas enviadas pela mãe.

Chegando a França, a delfina não foi tratada com muito afeto. Os franceses tinham grande desafeto pela Áustria, devido as constantes guerras e por terem sido países muito inimigos. Apelidos escondidos e deboches entre grupinhos eram comuns, e até mesmo a amante do rei, madame Du Barry, foi cumprimentada pela princesa, que fez esse gesto mesmo a contra gosto.

Com alguns anos de casamento, a delfina ainda não tinha engravidado, caso que era gravíssimo em uma corte, pois os filhos são o grande objetivo de uma mulher nobre. A decadência da jovem princesa começava ai, pois o povo pedia um herdeiro, e rumores de que a jovem era estéril começaram a surgir pela França.

maria antonieta

Em tela oficial como rainha da França

Maria Antonieta se tornou rainha aos 18 anos de idade. Os soberanos herdaram uma França em crise, o povo com fome e várias dívidas para serem pagas. A rainha era acusada de descaso com o povo e de não se importar que por trás dos portões do palácio de Versalhes, aonde ela e toda a corte viviam, existiam pessoas famintas. Nessa época surgiram rumores de que a jovem rainha teria exclamado “se eles não têm pão, que comam brioches!”.

Como a única arma que tinha em mãos, Maria Antonieta começou a usar a moda como arma política. Acreditava que com uma aparência imponente, conseguiria o respeito de seus súditos. De fato, os vestidos cravejados de diamantes que nunca se repetiam, cabelos muito altos arrumados, batizados por ela de “poufs” feitos pelo seu cabeleireiro pessoal Bernard, e festas gigantescas organizadas por ela, fizeram com que sua imagem de mulher poderosa se petrificasse até os dias de hoje.

As joias eram compradas de maneira que nunca fossem usadas duas vezes, tecidos novos surgiam graças à criatividade da rainha. Todas as peças que usavam eram copiadas pela corte e até pelas pessoas mais pobres de maneira improvisada. Seus cabelos circulavam em desenhos das revistas de moda da época, e suas invenções eram aclamadas como “os mais belos trajes de uma rainha”. Maria Antonieta sacramentou sua fama, e parecia que ela não servia a moda, mas sim, a moda a servia. Tecidos de vários países, diversas costureiras e estilistas de várias nacionalidades eram escolhidos para vestir e adornar e rainha que encontrou na moda uma saída diante de tantos problemas que a perseguiam.

MA-Lebrun

Nesta obra, a rainha aparece vestindo um traje camponês, criado por ela e batizado de “chemise à la reine”. Na ocasião o povo francês reprovou o traje por ser muito simples para uma rainha.

Mas o que foi sua glória, também foi sua ruína. Os grandes gastos foram a acusação perfeita para as dívidas contraídas pela corte, e toda a fome e problemas da França recaíram sobre ela. Enquanto isso, Luís XVI se via impossibilitado de dizer não as vontades da esposa, pois com o tempo passou a ter grande afeição por ela. Estavam os reis da França em uma situação cada vez mais agravante. Somente em 1778 a rainha engravida de uma menina, que não serviu como consolo para amenizar a revolta da crise na França. Ela ainda teria mais três filhos, todos mortos até a Revolução Francesa.

Rumores de que a Rainha era lésbica e que tinha um caso com a duquesa de Polinag, amiga íntima da soberana foram se alastrando. Folhetos depreciativos circulavam pelo reino. A bastilha, prisão que era símbolo do autoritarismo do rei foi tomada e os presos de lá libertados. Em 1789 foi criada pelo clero a Assembleia Geral Constituinte, e o rei foi vendo seu poder ser retirado pouco a pouco pelos revoltosos.

Em 1792 a república foi proclamada, e a família real foi presa. Vários nobres foram guilhotinados, ente eles, o rei da França, em 1793. Maria Antonieta foi separada dos filhos, e o filho mais novo morreu no cárcere devido aos intensos maus tratos. Destituída do título de rainha, Maria Antonieta passou a vestir apenas preto, e foi acusada de uma série de crimes falsos, entre eles, incesto com o filho mais novo. Dessa forma, os rebeldes conseguiram que a corte julgadora decidisse pela morte da ex-rainha.

Marie_Antoinette_Adult11

Seu último retrato, feito na prisão, desprovida de seus costumeiros ornamentos

Em 1793, Maria Antonieta foi guilhotinada. Era a última rainha de França, que havia vivido um reinado conturbado, prejudicado pelos inimigos da Áustria que trabalharam constantemente pela ruína da austríaca. Deixava para trás Maria Teresa, que mais tarde foi libertada. Maria Antonieta está enterrada na basílica de Saint-Denis, em Paris.

Depois de sua morte, vários soberanos de outros países decretaram luto, e condenaram esse tipo de atuação pela parte dos revoltosos. A rainha se tornava então um símbolo de luta contra a opressão feminina.

Inspiração de grandes estilistas, temas de desfiles de moda, aclamada por várias celebridades como fonte de criatividade para a moda, Maria Antonieta é atualmente uma das rainhas mais memoráveis da história da humanidade, tendo em sua homenagem vários livros, monumentos, e museus.

filme

Cartaz do filme, estrelado por Kirsten Dunst

Diversos filmes foram produzidos para contar a história de tão memorável rainha. Entre eles, “Marie Antoinette”, com direção de Sofia Coppola, que soube mostrar em diversos detalhes a vida luxuosa e triste da soberana. “Rainha da Moda: como Maria Antonieta se vestiu para a revolução” de Caroline Weber, conta com detalhes precisos toda a vida da jovem rainha, com fragmentos históricos raros e descrições minuciosas sobre as roupas e adornos durante todas as fases da vida de Maria Antonieta.

Princesa, delfina, rainha, luxuosa, oprimida, julgada, inovadora, Maria Antonieta conheceu os dois sabores de uma soberania. Foi aclamada pelo mesmo povo que a guilhotinou. E seus descendentes franceses se orgulham hoje de tal personalidade marcante na história de seus monarcas.