Você fala sobre política no facebook?

Curtir, compartilhar, seguir e twittar. Você já parou pra pensar que em tudo o que fazemos na internet, estamos emitindo opiniões? Segundo o relatório Global Web Index que analisa o desempenho das redes sociais no mundo a partir de uma base de 170 milhões de usuários em 32 países, o Facebook ainda é a rede social dominante em todo o mundo.

A principal característica da rede social é a democratização no processo comunicacional. Ela permite que pessoas de diferentes níveis intelectuais e sociais discutam sobre diversos temas.

Dentre os assuntos compartilhados, a política está sempre em pauta. Discutir o cenário político atual, a história da política ou até mesmo defender esquerda ou direita tem se tornado um hábito comum no ciberespaço. Porém, muita gente não gosta de falar sobre o assunto e prefere filtrar aquilo que quer ver na sua rede social.

O FB Purity funciona como uma ferramenta antispam. A extensão mantém as informações relevantes para o usuário e filtra as atualizações no feed, como spam e propagandas. Essa é apenas uma das opções para se ver livre de postagens indesejadas. Em ano eleitoral, a ferramenta tem sido usada frequentemente para filtrar postagens sobre política. Mas afinal o que é melhor, discutir ou não sobre o assunto?

Bárbara cresceu em uma família com diferentes opiniões políticas. A família do pai de esquerda, a da mãe, de direita. Tudo isso poderia ser confuso para a jovem, mas pelo contrário, segundo ela, conviver com a ambiguidade só a ajudou a crescer a ampliar sua visão. ”Conforme fui crescendo e aprendi a filtrar mais, desenvolvi a minha criticidade. Daí adiante, ninguém mais me influenciou a nada. Passei a ver as coisas sob meu próprio prisma, avaliando e filtrando todo o meu entorno com meticulosidade ”.

Apesar de ter apenas 19 anos, a estudante de Direito já tem uma bagagem extensa na política. Ela já foi presidente da Casa da Amizade de Sarandi, e antes mesmo de completar 18 anos, foi candidata a vereadora. Apesar de não ter ganhado as eleições, Bárbara continuou na política. Atualmente ela é Presidente da AMT, e colaboradora no Diretório Acadêmico Jordão Gheller, da UPF Campus Sarandi. “Se partirmos do pressuposto de que as redes sociais são veículos importantíssimos de comunicação social, diria que é o lugar certo para se debater todos e quaisquer assunto. Afinal, as pessoas poderão tomar conhecimento da temática e interagir em tempo real, e isso é fantástico’’ destaca a jovem.

Segundo a estudante existe muita distorção no mundo virtual, há muita coisa publicada que não é verdade. Ela também ressalta que precisamos ter cuidado para não impor nossas opiniões para que o debate seja o mais democrático possível.

Segundo o Relatório Global, mais de 50 % dos usuários do Facebook tem entre 16 a 24 anos. Jovens que parecem ter sido motivados a falar sobre política após o movimento social #VemPraRua. As redes sociais foram utilizadas para reunir as pessoas para saírem às ruas com o objetivo de reivindicar seus direitos, e acabaram se tornando uma ferramenta de debate sobre o cenário político em que vivemos.

Para Bárbara, a sociedade precisa de pessoas com opinião formada, e não de meros repetidores do senso comum ‘’precisamos ver o quão fantástico é podermos debater virtualmente política e tantos outros assuntos, porque isso demonstra que ainda temos liberdade de expressão’’.

Em ano de eleitoral, cabe ao usuário das redes sociais refletir se é melhor ignorar ou discutir um assunto que ainda será pauta por muito tempo.