Dia da Fotografia

Dia da fotografia - foto Maryana Rodrigues

Por Maryana Rodrigues e Luana Hemerich

“Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração.”  (Henri Cartier-Bresson, 1994).

Uma fotografia pode resultar em infinitas leituras. Nela, o fotógrafo nos mostra o seu melhor ‘ângulo’ do mundo. Quando capturada, a imagem já possui uma bagagem cultural, e atinge de forma diferente os receptores dessa informação. A fotografia pensada como arte ou como instrumento de comunicação visual é um meio de se questionar, conhecer e até de se transformar uma realidade.

O ato de fotografar se tornou uma atividade cotidiana. Algo que pode ser feito a qualquer momento, seja com o celular, com o tablet, com câmeras, compactas ou profissionais. Desde a sua invenção, a fotografia nunca esteve tão à serviço da sociedade quanto agora, mas essa ideia de ‘guardar’ uma imagem em uma folha de papel parecia mágica e impossível no início do XIX.

No dia 19 de agosto de 1839 foi feito o anúncio oficial da invenção da fotografia pelo governo francês. A primeira fotografia reconhecida foi feita por Joseph Nicéphore Niépce, em 1826. Em 1827, Louis Jacques Daguerre criou uma sociedade com Niépce e, após a sua morte, continuou esse trabalho. Em 1838, Daguerre declarou que havia conseguido fixar uma imagem através da técnica que ficou conhecida como daguerreótipo. O governo francês, então, comprou a patente e colocou a técnica em domínio público. A invenção, apresentada como um “aparelho mágico” que produzia imagens, foi a primeira câmera produzida em escala comercial, por isso no dia 19 de agosto é celebrado o Dia da Fotografia.

Na mesma época em que Daguerre apresentou a sua invenção, o francês William Fox Talbot desenvolveu um processo denominado calótipo, usando folhas de papel cobertas com cloreto de prata. Esse processo produzia um negativo que podia ser reutilizado para produzir várias imagens positivas.

Mas a técnica fotográfica, em si, já existia há algum tempo. Historicamente, a produção de imagens através da passagem da luz por meio de um pequeno orifício já era usada na Grécia Antiga, uma maneira rudimentar de produção de imagens. No Brasil, ainda na década de 1830, Antoine Hercule Florence já vinha desenvolvendo experiências com a fotografia. Mesmo sem o reconhecimento na época, o historiador Boris Kossoy resgatou sua trajetória e, em 1976, publicou “Hercule Florence: a descoberta isolada da fotografia no Brasil”, afirmando que Florence foi um dos pioneiros mundiais da fotografia.

A fotografia começou a se tornar popular nos anos 1900, quando as câmeras e filmes começaram a se tornar acessíveis para uma parte da população. A primeira delas foi a Brownie-Kodak, que vendeu cerca de 100 mil unidades à época. Desde esses tempos, a evolução tecnológica proporcionou o desenvolvimento cada vez maior das máquinas e das formas de fotografar.

O Nexjor conversou com o fotógrafo e professor da Faculdade de Artes e Comunicação da Universidade de Passo fundo, Rafael Czamanski. Ele conta um pouco desse gosto pela fotografia, que começou como trabalho em família, e a experiência de aprender e ensinar fotografia. É só apertar o play!

Rafael Czamanski - Professor da Faculdade de Artes e Comunicação da UPF

Rafael Czamanski – Professor da Faculdade de Artes e Comunicação da UPF

Rafael Czamanski

Do analógico ao digital

Hoje, existem duas formas distintas de captação de imagens, a fotografia analógica e a fotografia digital. Desde que foi descoberta, a fotografia analógica pouco evoluiu. Permaneceu com seus princípios ópticos e formatos por mais de 100 anos, reinando absoluta na história. Com o surgimento da fotografia digital, no final dos anos 1980, todo o glamour conquistado pela fotografia analógica entrou em declínio. Os grandes fabricantes já não confeccionam materiais da fotografia analógica, acabando assim com o fascínio exercido durante décadas pelos laboratórios fotográficos de revelação e ampliação e transformando a prática da fotografia analógica em algo primitivo.

O princípio básico da máquina fotográfica analógica é a câmara escura, descrita por Giovanni Baptista Della Porta, em 1558, e usada pelo famoso estudioso Leonardo da Vinci. Já no final de 1980, surge a fotografia digital, que possui uma diversidade no que diz respeito a seu armazenamento e equipamentos, sendo, atualmente, disponível à grande maioria da população. A primeira fotografia digital foi produzida  por Russel Kirsch. É a imagem de seu filho, Walden, com apenas três meses. A fotografia media 5cm x 5cm, era preta e branca e continha 176 pixels.  Já a primeira fotografia colorida permanente foi tirada em 1861 pelo físico James Clerk Maxwell.Com a evolução da fotografia, essa facilidade de reprodução e divulgação vem sendo debatida, já que hoje os fotógrafos contam ainda com programas de tratamento da imagem.

Fotojornalismo

Entre 1940 e 1950 tem início a produção do fotojornalismo em revistas e jornais como O Cruzeiro, Manchete e Última Hora. O século XX foi datado por uma utilização cada vez maior da imagem como forma de informação, principalmente em jornais. Com isso, houve a necessidade da diminuição do equipamento fotográfico, para que ficasse mais cômodo aos fotojornalistas. Por isso, as empresas começaram a investir pesado em tecnologias e inovações para suprir essa necessidade. O acesso à tecnologia permite que o fotojornalista envie uma imagem para a redação em poucos minutos, mesmo estando em outro país ou continente. Mas isso também permite que qualquer cidadão possa veicular seu material, provocando uma verdadeira revolução no fotojornalismo.

Em 1997, a Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, iniciou o primeiro curso de nível superior em fotografia no Brasil. Já em São Paulo, em 1999, nasceu o primeiro curso de bacharel em fotografia do país.

A fotografia encanta, emociona, pois através dela contamos histórias! Ela é uma rica fonte de informação, afinal, o que seria da memória dos séculos XIX e XX se não fossem as fotografias produzidas em negativos, que armazenam até hoje imagens importantes de nossa história?

Pioneiros da fotografia no Brasil

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Marc Ferrez

Marc Ferrez (07/12/1843 – 12/01/1923): Retratou cenas dos períodos do Império e início da República, entre 1865 e 1918. Seu trabalho é um dos mais importantes legados visuais daquelas épocas.

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Augusto César Malta de Campos

Augusto César Malta de Campos ( 1864-1957): trabalhou como fotógrafo oficial do Distrito Federal (então no Rio de Janeiro) entre as décadas de 1900 e 1930, e criou um gigantesco acervo que documentou as transformações pelas quais passou a capital do Brasil no início do século XX. Grande parte de suas fotografias está no acervo do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro. São, ao todo, 80 mil fotos, incluindo 2.600 negativos em vidro e 40 panorâmicas.

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Militão Augusto de Azevedo

Militão Augusto de Azevedo (1837-1905): criou o estúdio Photographia Americana em 1875, onde, além de figuras ilustres como Castro Alves, Joaquim Nabuco, Dom Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina, recebeu uma clientela mais popular do que a dos demais estúdios instalados em São Paulo. Em 1996 a coleção de mais de 12.000 fotos produzidas por Militão de Azevedo foi adquirida pela Fundação Roberto Marinho e doada ao Museu Paulista da Universidade de São Paulo.

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