Pelo fim da violência contra a juventude

Fernando César, 19 anos, tráfico de drogas; Leandro Vargas, 25 anos, suicídio; Cinthia Magalhães, 16 anos, sequestro e estupro; Antônio de Lima, 14 anos, grupos de extermínio; Jéssica Picolo, 13 anos, sequestro e homicídio; Djair de Jesus, 16 anos, violência policial; Edson Luis, 18 anos, ditadura militar. 

Vai em paz. Esse é o comentário que, na maioria das vezes, ouvimos após a morte de alguém. Mas diante de todos esses nomes, é possível ficar em paz? Jovens têm suas vidas ceifadas todos os dias, e uma das principais causas: a violência.

 “Na manhã do dia 1º de abril de 2005, vi a foto do meu filho estampada na primeira página do jornal. Então soube que meu filho estava morto”. (Luciene Silva, mãe de Raphael da Silva Couto, 17 anos, assassinado na Baixada Fluminense, em março de 2005). (Fonte: www.casadajuventude.org.br)

Campanha

Créditos: Ateliê15

Diante do alto índice de homicídios cometidos contra jovens no Brasil, a Pastoral da Juventude, que é uma organização ligada à igreja católica de toda a América Latina, sentiu a necessidade de propor soluções que visam conscientizar e combater as diversas formas de violência contra a juventude. Em 2008, durante a 15º Assembleia Nacional das PJ’s, ao longo das discussões e propostas para a Pastoral da Juventude, uma jovem participante recebeu a ligação da sua mãe, informando que mais um jovem – negro e pobre – havia sido assassinado na comunidade onde residia. Diante disso, o tema violência tornou-se a pauta principal e uma nova bandeira de luta. A militante e coordenadora regional da Pastoral da Juventude, Josieli Lazzarotto, explica como a Campanha Nacional contra a Violência e o Extermínio de Jovens concretizou-se. “Após a assembleia realizada em 2008, sentia-se, portanto, a necessidade de organizar ações específicas que tivessem como objetivo o combate à violência, nascendo assim a Campanha, que ganhou força depois do assassinato do Padre Gisley, que era assessor da juventude junto à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)”, destaca.

Segundo os dados divulgados pelo Mapa da Violência 2014, os homicídios representam apenas uma das tantas formas de violência pelas quais os jovens brasileiros sofrem. “A Pastoral da Juventude lamenta essa realidade. Contudo, além do lamento, assumimos uma posição de enfrentamento, ou seja, somos contra qualquer tipo de violência, e atuamos em defesa da vida da juventude”, afirma.

A coordenadora comenta que várias atividades já foram desenvolvidas, e projetos são organizados com o objetivo de conscientizar a população. “Já foram realizadas ações visando a capacitação de jovens para o debate do assunto, que é caso do Seminário Nacional, realizado em Maio de 2013, além dos seminários diocesanos e estaduais, realizados em várias regiões. Outras ações realizadas tiveram como o objetivo chamar a atenção da sociedade para o problema, em que podemos citar diversas marchas, caminhadas, mobilizações e Festivais da Juventude, também realizadas pelos grupos de diversas regiões brasileiras. Além disso, os grupos de jovens, em seus encontros, refletem sobre a violência”, completa.

Em nível nacional, a PJ se organiza em torno de seis projetos nacionais, um deles é chamado A Juventude Quer Viver, que tem como principal objetivo a defesa da vida. A Campanha é um dos eixos desse projeto, que também busca discutir e articular ações relacionadas à reforma política, à conquista de políticas públicas para juventude e a efetivação de direitos. Um exemplo de ação realizada por este projeto é a participação da PJ nos Conferências de Juventude, no Conselho Nacional da Juventude e também nos conselhos municipais e estaduais, lutando por direitos para a juventude brasileira. Mas essas ações em nível nacional só são importantes, porque a base, ou seja, os grupos de jovens das comunidades e as organizações paroquiais e diocesanas da PJ estão preocupados em defender a vida dos jovens.

Para conferir os dados exibidos no gráfico, clique nos quadrados.

Fonte: Mapa da Violência 2014 | Levantamento: Liliane Ferenci | Infográfico: Marcus Freitas

A partir dos dados apresentados no gráfico acima, Josieli afirma que quando queremos solucionar algum problema, é preciso conhecer as causas e atuar na sua prevenção.  “Acredito que toda a sociedade deve buscar conhecer e refletir sobre a realidade das juventudes. Uma das causas da violência contra os jovens é a desigualdade social, que impede que todos os jovens tenham acesso aos recursos da mesma forma. Quem mais sofre com a violência é a juventude, negra e empobrecida. Outro fator é a cultura que temos hoje, de que tudo se resolve com violência. Isso deve ser combatido. Por isso, a efetivação de políticas públicas que garantam aos jovens o acesso à educação, saúde, esporte, cultura, lazer e emprego são fundamentais. Além disso, precisamos de mudanças profundas no nosso modo de agir, em que prevaleça o diálogo no lugar da violência, a solidariedade no lugar da competição e mobilização coletiva no lugar do comodismo”, finaliza a coordenadora regional.

Por fim, um trecho da Carta de Guararema, escrita pelas Pastorais da Juventude do Brasil: “Reafirmamos nosso compromisso com a vida da juventude, assumindo o desafio de colaborar com a construção da cultura da paz e denunciando as estruturas sociais que geram morte e violência. Nos inspiramos na mística revolucionária dos mártires da América Latina e do mundo, renovamos o compromisso com a dignidade humana, fortalecemos a esperança de um outro mundo possível e afirmamos que toda a vida tem o mesmo valor“.

Mão

“Vamos juntos gritar, girar o mundo, chega de violência e extermínio de jovens!”

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