O uso da bicicleta como alternativa urbana

A chegada das ciclovias em Passo Fundo oferece uma nova opção de deslocamento e lazer

‘’O clima que sentimos quando pedalamos pelas ruas e avenidas é de extrema insegurança’’. Assim é classificada a situação do tráfego de bicicletas nas vias urbanas de Passo Fundo/RS, pelo estudante de Engenharia Civil, Diego Burlamaque, de 18 anos. O jovem, assim como tantos outros passo-fundenses, faz da bicicleta o seu meio de transporte mais rápido durante o seu cotidiano.

A partir deste ano os ciclistas não terão que se preocupar em transitar no mesmo local que os carros. A Prefeitura de Passo Fundo já iniciou um projeto que visa à construção de duas ciclovias no município. O programa ‘’Passo Fundo vai de Bici’’ é um sonho realizado para os ciclistas. De acordo com Burlamaque, a mudança na cidade representa muito para os amantes dessa prática. ”Creio que a partir desse momento teremos um aumento significativo no número de praticantes do ciclismo’’.

As ciclovias serão entregues até o final de 2014
Foto: Matheus Moraes – Nexjor FAC/UPF

A ideia, segundo o prefeito Luciano Azevedo, surgiu em 2011, quando ele recebeu um convite para conhecer a implantação do Sistema de Transporte Público de Bicicleta desenvolvida em Porto Alegre. ‘’Com esse e outros exemplos, pude sentir a relevância do tema, e vivenciei os benefícios que a cidade recebeu. Aqui em Passo Fundo, junto com as pessoas certas, estudamos a melhor forma de disponibilizar para a comunidade a infraestrutura necessária para que houvesse uma nova alternativa de lazer e de locomoção’’, explica Azevedo.

Como é a estrutura das ciclovias?

No total, as duas ciclovias – divididas entre dois pontos da cidade – contam com cerca de três quilômetros de extensão. Com 100 metros a mais, a ciclovia da Avenida Brasil terá 1,6 quilômetro, enquanto a da Rua Rui Barbosa contará com 1,5 quilômetro. Para a secretária de planejamento da Prefeitura, Ana Paula Wickert, o relevo suave e a amplitude do céu, árvores e paisagens contribuem para que as pessoas se apropriem desse espaço. ‘’Essas ciclovias serão o tronco estruturador de toda futura rede ciclável que o Plano de Mobilidade Urbana indicou para Passo Fundo’’, comenta.

Com esses pontos favoráveis na cidade, o projeto pretende ampliar também o ambiente de lazer nos bairros da cidade. Conforme a arquiteta Ana Wickert, a solução para implantar o sistema cicloviário é variada, pois depende da largura da via, fluxo de veículos e topografia. No entanto, iniciativas para ampliação do projeto nos bairros serão projetadas no futuro. Nos locais mais deslocados da cidade, a secretária relata que devem ser instaladas ciclorrotas ao invés de ciclovias. ‘’Podemos ter ciclorrotas, que são percursos sinalizados da presença de ciclistas, e não necessariamente ciclovias. O importante é o entendimento do respeito às leis de trânsito’’, afirma a secretária.

A busca por novos ciclistas

Toda essa preparação é realizada para despertar a vontade de pedalar nos cidadãos. Nos últimos anos surgiram dezenas de grupos de ciclistas em Passo Fundo. Na busca por diversão e aventura, os cidadãos se reúnem para conhecer trajetos novos, pedalar e ter um programa diversificado nos finais de semana. Esse é um fator que o prefeito Luciano Azevedo acredita fazer a diferença. ‘’Creio que a ciclovia vai ter papel fundamental em parceria com esses grupos incentivadores ao uso da bicicleta para conquistar novos adeptos a cada dia’’, relata o prefeito da cidade.

Enquanto os ciclistas comemoram a inclusão desse meio de transporte, quem não é praticante da modalidade esportiva também vê avanços com essa novidade. De acordo com Ana Wickert, a medida sustentável de veículos não motorizados é uma tendência na urbanização contemporânea dos grandes centros. ‘’Está chegando a Passo Fundo essa alternativa. As ciclovias vieram para ficar nas cidades brasileiras’’, exclama a secretária de planejamento da Prefeitura.

A partir do final do segundo semestre de 2014, o cidadão passo-fundense poderá contar com a segurança e a sinalização necessária para trafegar com tranquilidade. Agora, a única preocupação dos ciclistas é pedalar e aproveitar os percursos que as ciclovias têm a oferecer.