Dengue: uma preocupação constante

por Vinícius Fantin

Com vários casos de pacientes contaminados em outras cidades, a dengue chega a Passo Fundo e traz consigo uma série de medidas que devem ser tomadas para que o Aedes Aegypti não se torne um vilão.

Após grandes surtos da doença nos anos anteriores, uma grande equipe de combate a dengue é montada na cidade. Todo ano a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Saúde e do Núcleo de Vigilância Ambiental em Saúde, reúne um grupo de agentes e supervisores que são responsáveis pelo combate da dengue. Em 2013, Passo Fundo foi declarado infestado pela doença. Para ser considerado infestado, devem ser encontrados três focos do mosquito num raio de trezentos metros. Porém, os casos registrados em Passo Fundo foram importados, ou seja, as pessoas que contraíram dengue viajaram para cidades dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e acabaram trazendo consigo a doença.  A boa notícia é que todos os pacientes que estavam em acompanhamento estão bem e fora de perigo.

Para controlar o Aedes Aegypti é necessário um trabalho em parceria.  A chefe do Núcleo de Vigilância Ambiental em Saúde, Ivania Silvestrin (37), destaca que ainda há muita resistência dos moradores em receberam os agentes em sua casa. “Mesmo identificados, os agentes encontram muitas dificuldades em visitar todas as casas. É um trabalho que ainda enfrenta muita resistência”, avalia.

Ivania Silvestrin – Chefe do núcleo ambiental de vigilância em saúde. Foto: Vinícius Fantin – Nexjor FAC UPF

Os agentes são responsáveis por visitar todas as casas da cidade. Eles estão identificados e levam consigo informações e dicas para eliminar focos do mosquito ou espaços onde ele possa se desenvolver, ou seja, recipientes de água limpa e tratada. Em Passo Fundo, os bairros Vila Luiza, Jaboticabal, Rodrigues, Cruzeiro e Recreio são considerados os mais críticos. Vale ressaltar que é o mosquito fêmea que transmite a doença e ele precisa estar infectado. Durante as visitas, os agentes encontram focos nos mais variados lugares. Além dos espaços tradicionais como vasos de plantas, lonas, caixas d’água e materiais que armazenam água, até no cemitério é possível encontrar focos. Quando eles são encontrados, é feito o processo de recolhimento das larvas, que são encaminhadas para exames num laboratório. Depois de coletar, o local é limpo pelas agentes. Nos locais aonde é impossível fazer a limpeza, é colocado larvicida para o correto tratamento do mosquito.

Agentes de endemias aplicando insetida no Cemitério e Capela Mortuária Jardim da Colina

Agentes de endemias aplicam insentida no Cemitério e Capela Mortuária Jardim da Colina. Foto: Vinícius Fantin – Nexjor FAC UPF

Em Passo Fundo, os agentes, além de trabalharem com o Aedes Aegypti, o mosquito Aedes Albopictus  é outro foco de atenção. A diferença entre eles é que o Aedes Albopictus não transmite dengue e sim a febre chicungunha. Nos hospitais de Passo Fundo, o único com registro de casos de dengue é o São Vicente de Paulo. Neste ano já foram contabilizados oito casos suspeitos, destes, sete não confirmaram e um está em análise.

O professor do curso de Medicina da UPF e mestre em Clínica Médica, Gilberto da Luz Barbosa, dá algumas dicas e orientações sobre tratamento e sintomas da dengue, uma doença que pega muita gente de surpresa e que facilmente é confundida com uma gripe.

– Quais são os principais sintomas da dengue?

A dengue é uma doença viral que apresenta um espectro abrangente de sintomas, podendo ter um curso benigno (na maioria dos casos) ou grave. Classicamente caracteriza-se como uma doença febril aguda, com febre alta, entre 38 ou 39Cº, de início abrupto, acompanhada de dor de cabeça, dor retro ocular, dores musculares e nas articulações. Pode também apresentar náuseas, vômitos, diarreia e falta de apetite. Alguns pacientes podem desenvolver sintomas hemorrágicos, como sangramento nasal, hemorragia digestiva e sangue na urina.

– Qual seu tratamento?

O tratamento da doença consiste principalmente em repouso e hidratação adequada, que na maioria das vezes poderá ser feita com soro via oral. Os casos mais graves vão necessitar de hidratação por via venosa. Também será necessário o uso de analgésicos e antitérmicos.

– Qual a diferença entre os tipos de dengue? Qual é a mais comum?

A dengue é classificada em Dengue Clássica e Dengue Hemorrágica.  A forma clássica é muito mais frequente. Nas duas formas podem ocorrer sangramentos, mas a forma hemorrágica tende a apresentar um curso mais grave com risco maior de complicações e morte. O diagnóstico da forma hemorrágica depende de critérios clínicos e laboratoriais bem estabelecidos e que o médico consegue definir facilmente. Basicamente esta forma hemorrágica caracteriza-se por apresentar uma perda maior do líquido que se encontra no nosso sistema circulatório.

– Existe algum remédio para o tratamento da dengue?

Até o momento não existe nenhuma droga antiviral que seja efetiva no tratamento da Dengue, nem a disponibilidade de vacinas para fazer a prevenção da doença.

– Há um período fixo no ano para se contrair dengue?

O mosquito da Dengue tem vulnerabilidade a temperaturas baixas. Nos meses de inverno, onde costuma fazer temperaturas próximas de zero, a probabilidade da doença diminui bastante. Mas, deve-se ressaltar que  os ovos do mosquito persistem no solo e resistem a baixas temperaturas durante vários meses, portanto estando aptos a eclodir quando as condições ambientais lhe forem favoráveis.

Para esclarecer algumas dúvidas dos moradores sobre a dengue e também reforçar os cuidados que devemos ter em casa, entrevistamos a supervisora dos agentes, Joiceline Strapasson.