Grandes escritores passam por Passo Fundo e compartilham seu legado literário

Acompanhamos a coletiva de imprensa de grandes
escritores em sua vinda a Capital Nacional da Literatura

Na última semana, foi realizado o 13º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural com os escritores Roger Chartier, Regina Zilberman, Edvaldo Souza Couto, Ignácio de Loyola Brandão, Chico Marinho, Lucia Santaella e Luciana Savaget. Na oportunidade, o Nexjor participou da coletiva de imprensa onde os autores destacaram um pouco mais da vida e de seus pensamentos, a respeito das novas mídias digitais, novas formas de leitura com os diversos suportes disponíveis no mercado e a qualidade da educação nas escolas públicas e privadas no mundo.

A escritora Anne-Marie Chartier também esteve presento na Jornada em ação, mas não participou da coletiva de imprensa.

Roger ChartierRegina Zilberman Edvaldo Souza CoutoIgnácio de Loyola BrandãoChico MarinhoLucia SantaellaLuciana Savaget
IMG_3777Roger Chartier é formado pela École Normale Supérieure de Saint Cloud e pela Université Paris-Sorbonne, é Doutor Honoris Causa da Universidade Carlos III de Madrid, pesquisador correspondente da British Academy, professor e pesquisador da École des Hautes Études en Sciences Sociales e professor do Collège de France, ambos em Paris. É membro do Centro de Estudos Europeus da Universidade de Harvard, e também leciona na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

Seus principais estudos são na área da história cultural, onde é um dos mais reconhecidos historiadores da atualidade. Roger destacou na coletiva a questão das traduções em diversos locais, e que isto tem ligação com a evolução da língua entre os países. No caso das traduções de livros, Chartier afirma que alguns são traduzidos duas vezes, como por exemplo, no Brasil e em Portugal. Com ênfase nas práticas culturais da humanidade, suas principais contribuições para a história da cultura estão relacionadas às noções complementares de “práticas”, “representações” e “apropriação”. A partir, das quais, as diversas formações e manifestações culturais podem ser examinadas sob a perspectiva da relação interativa entre esses três polos.

Foto: Lucas de Costa França

IMG_3785Regina Zilberman é uma das maiores especialistas em literatura infanto-juvenil do país. Sobre as novidades literárias nas escolas, a escritora diz que “os livros chegam na escola, e vão para uma caixa na sala do diretor, e não chegam aos alunos”, e que isso dificulta as pesquisas que poderiam ser feitas.

Licenciou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutorou-se em Romanística pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha. É professora adjunta do Instituto de Letras, da UFRGS, e pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). Em entrevista, Regina contou que a opção pelo curso de letras foi uma decisão de última hora: “Na hora de me inscrever para o vestibular é que eu decidi fazer letras, eu iria fazer ciências sociais, fico feliz por ter feito a escolha certa”. (risos). Ainda sobre sua profissão, lembra que “lia antes mesmo de ser alfabetizada”.

Foto: Lucas de Costa França

IMG_3876Possui graduação em Licenciatura Plena em Filosofia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (1985), mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1990) doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1998) e estágio de pós-doutoramento em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2011).

Entre os principais estudos do escritor, estão os temas: estética; corpo e tecnologia; sexualidade e tecnologia; filosofia da técnica; educação, comunicação e tecnologias; cibercultura e novas educações, software livre, leitura e escrita na era digital, currículo e formação de professores; redes sociais na internet. Com bolsa do CNPQ desenvolveu a pesquisa “Cibercultura e novas educações: leitura e escrita digitais na formação docente” e desenvolve atualmente a pesquisa “Cibercultura e Educações: Narrativas de professores nas redes sociais digitais”.

Edvaldo é, de certa forma, um defensor do uso de celulares durante suas palestras. “Liguem todos seus aparelhos, seus celulares. Postem, compartilhem o que está acontecendo neste debate”. Disse em sua fala, se referindo ao uso das tecnologias, que por muitos é vista como um exagero, Souza acredita que estes novos suportes não atrapalham ou prejudicam as formas de ensino e sim, as complementam. “Agora nós vivemos conectados, o grande desafio dos países é conectar estas pessoas”.

No início de sua carreira, Couto diz que sempre foi um leitor assíduo e inspirado por vários autores, “sempre fui um leitor apaixonado por Walter Benjamin, ele escreveu bastante sobre as chamadas novas tecnologias da virada do século XIX para o começo do século XX: a fotografia, o cinema e as novas formas de registro da música”.

Foto: Lucas de Costa França

IMG_3857É Jornalista, escritor, roteirista de televisão e cronista do jornal O Estado de São Paulo. Ao longo de sua vida, recebeu inúmeros prêmios, entre eles o Prêmio Jabuti para o Melhor Livro de Ficção de 2008, por “O menino que vendia palavras”.

Perguntado a respeito da diferença de escrever livros espontaneamente e por encomenda, ele responde: “a minha ficção é minha, ninguém toma. Eu faço os chamados livros institucionais, que é um novo segmento dentro do mundo editorial”. Loyola é coordenador dos debates das Jornadas Literárias de Passo Fundo desde 1988. Contribui decisivamente na organização de cada edição das Jornadas, desenvolvendo consultorias.

Quando escreve seus livros de ficção, o escritor diz que não leva em conta o interesse do público, ele sempre segue sua própria imaginação: “não, não, eu faço a minha ficção. Inclusive quando me pedem se fiz livros infantis, eu digo, fiz livros!”.

Foto: Lucas de Costa França

Foto: DilvugaçãoÉ graduado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Minas Gerais (1983) e professor da mesma, mestrado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1997) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (2004).

Ele destaca que a internet é importante para o ensino das crianças e dos jovens, mas quando um adolescente acessa as ferramentas de pesquisa, faz uma leitura superficial, “uma leitura rasa, não aprofundada”. Ainda sobre a importância da internet no ensino das escolas, o escritor destaca: “Como é que o professor vai falar sobre mídias digitais se as crianças já nascem nesse mundo digital?”.

Marinho também desenvolve inúmeras pesquisas nas áreas de jogos digitais, cinema de animação, arte computacional, instalações interativas imersivas, multimídia, interfaces homem máquina, além de aplicativos artísticos e educacionais para dispositivos móveis.

Foto: Divulgação 

compacta_sp-0041É uma das principais pesquisadoras na área da semiótica no Brasil. Professora titular da PUC-SP com doutoramento em Teoria Literária na mesma universidade, em 1973, e Livre-Docência em Ciências da Comunicação na ECA/USP, em 1993. Atualmente é Diretora do CIMID, Centro de Investigação em Mídias Digitais e Coordenadora do Centro de Estudos Peirceanos, na PUC-SP. Lúcia ainda é presidente honorária da Federação Latino-Americana de Semiótica e publicou 41 livros.

Lucia destacou a qualidade da educação em nosso país, onde “48% dos alunos que deixam a universidade são analfabetos funcionais”, destacando uma pesquisa recente. Para a escritora, “nós estamos no fundo, do fundo do poço” e diz que prefere não comentar muito a respeito da qualidade do ensino brasileiro, por que está tudo errado.

Algum dos países de primeiro mundo tem os melhores sistemas de educação do mundo, mas segundo Santaella, não se pode estabelecer uma comparação, porque estes países estão em um território muito menor do que o Brasil, por exemplo.

Foto: Divulgação

Luciana-SavagetLuciana Savaget é jornalista e autora de livros infanto-juvenil. Conquistou diversos prêmios, entre eles o de Personalidade do Ano Internacional da Criança, conferido pela União Brasileira dos Escritores/UBE, da Academia Paulista dos Críticos de Arte de São Paulo. Além disso, também ganhou a Menção Honrosa do prêmio jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Atualmente, trabalha no Globo News. Vários de seus livros seus conquistaram o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

Savaget se refere às formas de leituras e diz que, “as pessoas estão lendo cada vez mais, mas com pouca consistência” e que quando as pessoas leem nos smartphones, tablets, “não se pode confiar no que está sendo lido”. Ainda sobre a questão, ela ressalta que seria necessário checar em dez sites pelo menos, para saber se tal informação tem fundamento verídico.  Luciana diz que ainda existem muitas notícias boas espalhadas pelo mundo, “mas que ganham pouco espaço nos meios de comunicação”. Ao responder o porquê de ser reservado tão pouco tempo as boas notícias, sem hesitar a escritora diz “não dá audiência”.

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