Aromas latinos

Exposição da 10ª Bienal do Mercosul brinca com os cinco sentidos

Pêndulos de luz exalando odores balançam de um lado para o outro na exposição Olfatória: o Cheiro na Arte, no segundo andar da Usina do Gasômetro. Do outro lado da sala que abriga uma das sete mostras da 10ª Bienal do Mercosul, o aroma vem das coroas de flores brancas. Disposta pelo chão, a obra forma um trajeto irregular por onde caminha a professora universitária Vânia Barreto Biriba, 55 anos. Ela percorreu 2.580 quilômetros de Aracajú até Porto Alegre para visitar o filho.

Vânia é amante de novas experiências. Para ela, a arte revela os contextos e os cenários na qual uma determinada obra foi criada. Seguindo a proposta da Bienal de valorizar a produção artística latina que muitas vezes se oculta perante o público e a crítica, sentidos como olfato, tato, paladar e audição são invocados pelas próprias obras e intrigam até os mais habituados.

– Tenho muitas lembranças associadas a cheiros e estou revivendo algumas delas aqui – comenta Vânia ao deparar com a obra Gira, do carioca Alexandre Vogler. A composição é feita de arruda, erva de cheiro forte que a professora cultiva no quintal de casa.

Teve gente que partiu de muito mais longe para prestigiar os 29 artistas que expõem seus trabalhos no espaço Olfatória. A artista visual mexicana Emília Sandoval, 40 anos, está na Bienal especialmente para prestigiar o fluminense  Ernesto Neto, um de seus artistas favoritos. Em espanhol, ela conta que consegue trabalhar a visão e o olfato na interpretação das obras.

Uma das mediadoras da exposição, Isabella de Mendonça, é responsável por orientar o público durante as visitas. Na primeira semana de Bienal, a obra de maior impacto foi a Roda dos Prazeres, de Lygia Pape. – O público pode interagir, não somente através da visão, mas sim, provar os sabores e também ser confundido pelas cores – Isabella explica que o objetivo da artista foi quebrar paradigmas, onde cores suaves reservam sabores bem exóticos.

Bienal Mercosul Foto Guilherme Dias - Divulgação

Roda dos Prazeres, de Lygia Pape, foi a obra mais visitada na primeira semana de Bienal do Mercosul – Foto: Guilherme Dias/Divulgação

Quem não precisou andar muito para saciar a curiosidade foi o estudante Gabriel Dias Martins, 25 anos. O porto-alegrense já prestigiou as últimas duas edições da Bienal, mas a experiência da Olfatória é inédita.

– É uma surpresa, porque aqui na exposição tudo só acontece quando o público faz parte e participa da obra – conta Martins, instigado pela dúvida e também pelos odores da exposição.

O público terá a oportunidade viver estas e outras experiências até o dia 06 de dezembro. A exposição funciona de terça a domingo, das 9h às 21h, sem a cobrança de taxa de ingresso. Durante este período, um dos cartões postais de Porto Alegre exala odores que servem de convite. No Gasômetro, a arte está no ar em todos os sentidos.

O público comenta a respeito das obras instaladas na Usina do Gasômetro

 

Matéria produzida durante a semana de treinamento do concurso Primeira Pauta ZH 2015