História da Mídia Impressa em Passo Fundo

#osprimóridos

A origem da comunicação acompanha a evolução humana, e a mídia impressa é usada a mais de 2 mil anos pela civilização para transmitir informação. Por isso o Núcleo Experimental de Jornalismo da Universidade de Passo Fundo (Nexjor/UPF) resolveu preparar uma matéria especial com o tema: “História da Mídia Impressa em Passo Fundo”. Nosso objetivo é privilegiar o conteúdo histórico, mostrando a evolução midiática desde os primórdios da comunicação impressa, e comparando as dificuldades dos primeiros jornais com a facilidade de acesso a informação momentânea que praticamos hoje.

Impresso no mundo
Usada como símbolo de imposição e intimidação, a Acta Diurna, criada por Júlio César, na Roma Antiga, por volta dos anos 59 A.C., foi um dos primeiros relatos jornalísticos da história. Trazendo notícias diárias, falando principalmente de conquistas militares, ciência e política a Acta era escrita pelos chamados Correspondentes Imperiais, que eram enviados para todas as províncias Romanas a fim de acompanhar e buscar notícias. Revolucionando os conceitos de tipografia, o alemão Johanes Gutenberg, criou em 1441 a prensa moderna, uma épica invenção que deu início a uma nova era aos modelos tipográficos e impulsionou a comunicação impressa. Inicialmente a prensa era utilizada para produzir material gráfico religioso, e só começou a produzir informação noticiosa e literária no início do século XVI, tendo sua intensificação somente um século mais tarde. Os processos de impressão foram apenas um capítulo da história do jornal impresso.

Atravessando o Atlântico
Em 10 de setembro de 1808 surge o primeiro jornal inteiramente publicado no Brasil. A Gazeta do Rio de Janeiro tinha quatro páginas e era voltado às notícias relacionadas aos reis e rainhas, porém antes disso, em 1º de junho do mesmo ano já circulava no país o Correio Braziliense. Editado por Hipólito José da Costa e impresso em Londres, o jornal era considerado desagradável aos interesses portugueses, que haviam chegado ao Brasil desde 22 de janeiro. A família real portuguesa realizou muitas transformações econômicas, sociais e políticas desde sua chegada, porém não alterou a situação quanto à censura imposta contra a imprensa brasileira. Essa repressão foi abolida em agosto de 1827, dando inicio ao aparecimento de novos jornais pelo país.

Gazeta do Rio de Janeiro 1808

Gazeta do Rio de Janeiro 1808

Chegando ao território Gaúcho
Ainda em 1827, surge O Diário de Porto Alegre sendo o primeiro jornal do Rio Grande do Sul. Iniciou em 1º de junho, sob a direção do major Lourenço J. de Castro, que também foi seu redator, juntamente com José Inácio da Cunha. Com apenas duas páginas o jornal circulava diariamente, e procurava noticiar dos mais diversos assuntos. A criação do Correio do Povo, em 1895, foi o marco do início da fase moderna na mídia impressa no sul do país, contribuindo para o surgimento de outros veículos no interior do estado.

A pesquisadora e professora da Universidade de Passo Fundo (UPF), Sônia Bertol, com base na pesquisa realizada, em 2001, por ela juntamente com a orientanda de pesquisa Fabíola Erosi, afirma que existe concordância entre os pesquisadores sobre o impulso da imprensa gaúcha. Segundo dados obtidos durante o trabalho, a Revolução Farroupilha foi à mola-mestra para o seu surgimento, tendo os jornais usados com conceitos políticos e com conteúdo opinativo e muitas vezes contendo linguagem violenta.

Passo Fundo
O povoado de Passo Fundo passava por uma breve época de desenvolvimento, quando em 24 de abril de 1890 um grupo denominado “clube do toco de vela” fundou o semanário Echo da Verdade. Com o Cel. Gervásio Lucas Annes como redator e Manoel Francisco de Oliveira como gerente, foi o primeiro jornal local a circular. Anos mais tarde, em 1925, Herculano Annes, Gabriel Bastos e seus familiares fundaram O Nacional; e em 1935, Túlio Fontoura conduziu a criação do Diário da Manhã.

Toco de Vela
Eram homens jovens, letrados e com fama de pobretões. Por isso do apelido, já que se reuniam à noite e não teriam dinheiro para comprar uma boa lamparina.

“A história dos jornais é, sobretudo, a história de uma sociedade com seus movimentos culturais, religiosos e, principalmente, políticos”, afirmou a pesquisadora Sônia Bertol. Passo Fundo se encontra no seu auge evolucional com os meios comunicacionais, surgiram novos veículos, mas ainda sim os principais e de maior credibilidade são, a grande realização de Tulio Fontoura, O Diário da Manhã e, desde sua primeira edição denominada independente e familiar, O Nacional.

Foto: AHR Passo Fundo

Foto: AHR Passo Fundo

Perante a grande evolução regional das tecnologias comunicacionais, a professora diz ser difícil afirmar se o surgimento da informação momentânea vai excluir o jornalismo impresso. Pra ela, o avanço tecnológico parece facilitar a superficialidade e a fugacidade, porém o jornal impresso como sempre deverá manter a característica de aprofundar os conteúdos, afinal a imprensa é a cara do povo que ela serve, e também um agente para sua transformação.