Trabalho para a inclusão

Trabalhar e construir uma carreira profissional é o sonho de
toda pessoa que deseja se tornar independente

É normal em certa etapa da vida os filhos adquirirem autonomia. Esse processo nunca é fácil, mas deve ser, pelo menos, natural. No caso de pessoas com deficiência adquirir independência é sempre mais difícil. Além de fatores que por vezes limitam sua autonomia física, aspectos do ambiente onde vivem e da própria sociedade acabam por dificultar este processo.

Partindo da compreensão de que o trabalho é essencial na vida de um cidadão, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), de Passo Fundo, criou o Projeto Jovem Capaz. A Instituição trabalha atendendo pessoas que apresentem deficiência intelectual, e\ou múltipla, e oferece acompanhamentos diversos na área da saúde, assistência social e educação. O intuito do projeto é o de prestar assistência, orientação e coloção dos seus usuários e de pessoas encaminhadas pela rede, no mercado de trabalho. Assim, o esperado é desenvolver e potencializar a capacidade de cada um dos atendidos.

Foto: Assessoria APAE

Foto: Assessoria APAE

Coordenado pela assistente social Taíse de Oliveira Andrade, o trabalho também conta com o auxilio de uma psicóloga. Taíse conta que a decisão de por o projeto em prática partiu da vontade que os alunos tinham de trabalhar “Surgiu porque os alunos diziam que estavam cansados, queriam trabalhar. É a queixa que eles trazem para nós sempre, de estar ociosos nesta questão”. Os alunos buscavam algo novo, além do habitual ambiente escolar e familiar.

O projeto obtém parceria com o INSS, o Ministério do trabalho por meio do sistema “S”, e de empresas que procuram pessoas com deficiência (PCD) para completarem o seu quadro de funcionários. As atividades iniciaram-se de maneira efetiva no ano de 2014. Foram atendidos os usuários com deficiência intelectual que frequentam a modalidade de ensino APAE-EJA, os participantes das Oficinas de Convivência, e pessoas encaminhadas pelo sistema “S” (SEST, SENAC, SENAI, SEBRAE).


Pesquisa: Camila Dekeper / Infografia: Marcus Freitas

Foto: Assessoria APAE

Foto: Assessoria APAE

Família
O acompanhamento junto à família é uma das principais etapas. A assistente social Taíse e a psicóloga Rúbia Annes da Silva destacam o papel da família no processo. “A família é bem importante! Se as famílias não nos apoiarem o trabalho não rende.” É preciso que a família dos alunos atendidos entenda e compreenda a importância da aquisição de autonomia e independência do usuário. O desenvolvimento do potencial da pessoa com deficiência traz diversos benefícios e também melhora a relação intrafamiliar de cada um dos atendidos. Os alunos querem ser aceitos e reconhecidos como adultos responsáveis sobre si. Pessoas ativas, capazes de produzir e criar.

A dona Eloir Fagundes, 51 anos, é mãe do aluno Dionata Fagundes Telles, um dos atendidos. O projeto foi a melhor oportunidade de fazer o sonho do Dionata se tornar real. A mãe conta que surgiram alguns receios, mas sempre no intuito de proteger o filho. “Ele sempre teve vontade de trabalhar”, conta. Agora que o Dionata está empregado, e desenvolvendo atividades das quais ele é capaz de realizar, a família afirma estar feliz com os resultados. O filho da dona Eloir é um dos contratados após o fim do projeto.

A primeira turma a ser atendida já encerrou suas atividades. Dos 12 jovens que passaram pela experiência de trabalhar através de um contrato de jovem aprendiz na empresa Kuhn do Brasil, nove foram efetivados e seguem trabalhando. A formatura do grupo ocorreu no dia 5 de novembro. Uma nova turma foi montada, e iniciou no projeto em outubro.

Foto: Assessoria APAE

Foto: Assessoria APAE

A enorme contribuição que este trabalho desenvolvido traz para a vida das pessoas com deficiência é a minimização do processo de exclusão social que elas sofrem ao longo da vida. Também o rompimento da ideia de que uma pessoa com deficiência não é capaz de desenvolver atividades trabalhistas. Os alunos têm garantido o acesso ao seu direito de cidadão de poder trabalhar, e de não depender apenas do Benefício de Prestação Continuada (BPC) como única fonte de renda. O BPC é um benefício da Política de Assistência Social, individual, não vitalício e intransferível, cedido a pessoas com 65 anos ou mais, e a pessoas com deficiência que comprovem não possuir meios para se sustentar ou de ser sustentados pela família. Os participantes do projeto mostram a todos que a pessoa com deficiência possui total capacidade e habilidade de desenvolver determinadas funções, e de adquirir o direito de independência e autonomia sobre si.

SOBRE A APAE

A APAE surgiu em 1954 no RJ.
Atua em mais de 2 mil municípios em todo o território nacional.
Atende diariamente cerca de 250 mil pessoas.
A APAE de Passo Fundo foi fundada em 28 de junho de 1967.
Em Passo Fundo, ela atende aproximadamente 300 usuários.
É o maior movimento social do Brasil e do mundo, na sua área de atuação.