Seu som é analógico?

Em uma eterna disputa entre “passado” e “futuro” ficamos à frente de um embate: será que os meios de produção analógica vão voltar a seus tempos áureos e se equiparar aos meios digitais?

Pegar o disco da prateleira, tirar da caixa, colocar no toca-discos e, por fim, ouvir um bom som. São ações que se extinguiram ou perderam a importância durante certo período, mas que, aos poucos, começam a ressurgir no cotidiano das pessoas. O disco de vinil teve seus tempos áureos nas décadas de  1950, 60, 70 e comecinho dos anos 80, onde ascenderam muitas bandas brasileiras, principalmente do rock.

Os tempos mudaram, o modo de ouvir música também. Hoje temos streaming, CD, arquivo digital, mas nenhum deles, segundo Rodrigo de Andrade, supera o disco de vinil. Para o proprietário de um selo fonográfico, que também comercializa discos pela internet, a melhor audibilidade é um fator que o faz gostar mais do som analógico ao digital.

AIRVINYL
E para quem não abre mão de seu smartphone para ouvir música, mas não quer deixar de ter a experiência de ouvir o Vinil, um aplicativo para iOS simula um toca-discos. Trata-se do AirVinyl, criado por uma famosa gravadora de Londres, Inglaterra. Você pode baixa-lo clicando aqui.

Os meios de gravação digitais não “capturam” o áudio em sua totalidade. É possível comparar esse fenômeno à fotografia: de um lado, o arquivo RAW, que é a imagem bruta, com todas as suas características, do outro, a imagem em JPG, comprimida. Assim funciona com o som. Os métodos digitais comprimem e não entregam o som em sua totalidade, com todas as características audíveis.

O Disco de Vinil nasceu em 1948 e, até o começo da década de 80, foi hegemônico. Perdeu espaço com o surgimento do CD, porém os bolachões nunca pararam de ser produzidos. “Embora na Europa os LP’s deixaram de ser fabricados em massa, países do terceiro mundo, como o Brasil, continuaram com a fabricação”, conta Rodrigo. Isso faz com que muitos discos lançados entre 1990 e 1995 sejam os mais difíceis de se encontrar.

polysom

Foto: Divulgação

O Brasil tem a única fábrica de discos de vinil da América Latina, a Polysom, localizada em Belford Roxo, Rio de Janeiro. Ela iniciou suas atividades em maio de 1999 e chegou a fechar em 2007, mas voltou a produzir em 2009 ao ser comprada por uma gravadora brasileira.

O lado de quem produz

"O disco é a realidade da música", afirma Maikon. Foto: Andrei Nardi

“O disco é a realidade da música”, afirma Maikon. Foto: Andrei Nardi

De Black Sabbath a Bethoven, o vocalista da banda Gepetos Almas Brasucas, Maikon Varela, tem cerca de 500 discos em sua coleção. “Uns achei de bobeira em uns sebos e outros não me desfaço por dinheiro nenhum do universo”, fala. Para o cantor, formado em música pela UPF, os LP’s têm um toque especial, um ritual de pegar a caixa, pegar o disco de dentro dela, colocar no toca-discos e aproveitar a música. “Os responsáveis pelo revival do disco de vinil são os fãs de música boa, que querem ouvir a música como ela realmente é”, afirma Varela.

Com dois álbuns em vinil produzidos, o vocalista diz que o processo de gravação no meio analógico é mais difícil de ser feito, porém dá um resultado mais fidedigno ao trabalho final. “Quando ouço a mesma música no disco de vinil e Spotify noto uma diferença gritante”, exclama o artista, que já está com os ouvidos bem treinados para reconhecer cada nuance da música.

Record Store Day em Toronto, Canadá. Foto: Corbin Smith/Torontoist

Record Store Day em Toronto, Canadá. Foto: Divulgação | Corbin Smith/Torontoist

Para fortalecer as lojas de disco independentes, e após uma pesquisa afirmar que 97% dos estudantes norte-americanos nunca pisaram em uma loja deste tipo, foi criado o Record Store Day, em 2007, que acontece no terceiro sábado de abril. São mobilizadas várias lojas e artistas independentes a fim de ascender o interesse do público pelo disco. A data, criada nos Estados Unidos, conta com desconto na compra de LP’s, shows com artistas do ramo e é um encontro onde os audiófilos se reúnem para falar sobre o que mais gostam: Discos.

Analógico x Digital
De um lado a nostalgia do analógico, do outro, as facilidades do digital. Por ser compacto, portátil e de fácil acesso, os serviços de streaming são os queridinhos de muitas pessoas. Embora os bolachões estejam caindo na graça do público novamente. Dados da International Federation Of the Phonographic Industry (Federação Internacional da Insústria Fonográfica), mostram que as plataformas digitais continuam crescendo. Em 2014, a música movimentou 15 bilhões de dólares, dos quais, 46% dessa receita é oriunda dos meios de distribuição online e 46% dos meios físicos. Isso aponta para uma ascensão dos meios online, visto que em 2013, 49% da movimentação de receita da indústria fonográfica vinha dos meios físicos (CD’s, discos) contra 43% de streaming e dowloads.

Claramente não há vencedor nem perdedor nessa “disputa”. Tanto o analógico, quanto o digital têm suas especificidades, prós e contras. Mas o que realmente interessa é o gosto pela música, a linguagem universal do ser humano.

O Spotify, líder no ramo de streaming de música, possui mais de 75 milhões de usuários ativos no mundo, o que o põe na posição de aplicativo mais popular entre os serviços. Destes, 20 milhões assinam a versão premium do aplicativo.

Confira abaixo uma linha do tempo que mostra a evolução do modo de ouvir música: