Moeda Virtual

Bitcoin. É um computador? Marca de automóvel japonês? Novo estilo de música eletrônica? Não. Bitcoin é uma moeda.

Mais especificamente uma moeda virtual que não é regida por nenhum tipo de governo e sem vínculos com instituições financeiras, como bancos. Ela é usada virtualmente no mundo inteiro. Muitas são as especulações acerca da identidade de seu criador, que usa o pseudônimo de Satoshi Nakamoto. Mas por que o responsável por uma inovação tecnológica preferiu ocultar seu verdadeiro nome?

A resposta é simples: Criptografia. A moeda é um arquivo de dados criptografado, o que a torna mais difícil de ser

Professor do curso de Ciência da Computação, Carlos Adriani Lara Schaeffer.

Professor do curso de Ciência da Computação, Carlos Adriani Lara Schaeffer. Foto: Matheus Henrique da Silva

gerada e decifrada. O professor de Ciência da Computação da UPF, Carlos Adriani Lara Schaeffer, explica que em muitos países esses tipos de arquivos são considerados armamentos bélicos, e criá-los ou utilizá-los é crime, com leis federais pesadas, como nos Estados Unidos da América, por exemplo. No Brasil existem leis que se referem à privacidade na internet, como o marco civil e alguns projetos de leis que envolvem a criptografia, mas isso ocorre mais por pressão externa.

As transações realizadas com a Bitcoin são validadas pela própria comunidade que usa essa moeda – os mineradores. Não há requisitos para se tornar um minerador de Bitcoin, basta usar um cliente da moeda em seu computador para ajudar a validar as operações financeiras feitas com a mesma.

O infográfico abaixo explica um pouco sobre como funcionam as transações e a mineração de Bitcoins:

Modelo Info 2

O mercado Bitcoin

Equipe da empresa brasileira Mercado Bitcoin. Foto: Divulgação

Equipe da empresa brasileira Mercado Bitcoin.
Foto: Divulgação

O aspecto inovador da moeda chamou atenção de um grupo de jovens brasileiros que acreditam na tecnologia como uma facilitadora das transações do universo financeiro. Assim, eles criaram uma agência de câmbio para trocar os seus reais pela moeda digital: o Mercado Bitcoin. A criação da conta e totalmente gratuita, e lá você pode comprar Bitcoins inteiras ou frações da moeda: R$50,00 são o equivalente a $0,026 Bitcoins, por exemplo.

O diretor executivo da empresa, Rodrigo Batista, responsável pelas mesas de ações do Banco

Foto: Divulgação

Diretor executivo do Mercado Bitcoin, Rodrigo Batista. Foto: Divulgação

Santander, desenvolvedor de robôs de negociação no Morgan Stanley e formado em tecnologia e administração, aliou seus conhecimentos para encarar os desafios do mundo Bitcoin. Para Rodrigo o crescimento lento da moeda, apesar de facilitar as relações de compra e venda, se deve a segurança dos usuários.

“A Bitcoin no mundo inteiro ainda é uma tecnologia nova, tem seis anos. Como ela lida com dinheiro das pessoas acho que o crescimento dela tende a ser mais lento do que as tecnologias de rede social e comunicações. Porque as pessoas precisam se sentir seguras para usar.”

No Brasil o Mercado Bitcoin existe desde 2011, e geralmente todo mundo que usa a moeda acaba tendo uma conta no Mercado Bitcoin. São 100 mil clientes cadastrados, o que para Rodrigo ainda é um número pequeno se comparado à proporção da população. Dentre os clientes ele estima que 90% usam a Bitcoin como investimento especulativo. Elas compram e vendem para tentar ganhar com a movimentação de preços. Os outros 10% usam a moeda para fins comerciais.

Os dois lados da moeda

Os principais motivos da Bitcoin ter sido criada são as vantagens de pagamento extremamente rápido e o baixo custo, pois não há necessidade de contato com banco, ou seja, não há repasse de taxas, além de todas as transações serem anônimas devido à criptografia. Essas características não agradam os governos e as instituições financeiras, afinal, não há impostos e o controle monetário fica prejudicado.

Levando o anonimato da moeda em conta, podemos ver também seu lado negativo: ela é a forma perfeita de pagamento no mercado ilegal. Com a falta de identificação pode-se comercializar drogas, armas, medicamentos sem receita e até mesmo órgãos. Essas transações são feitas, geralmente, na Deep web. Não bastasse isso, a Bitcoin também tem sido usada como forma de pagamento para ransomwares, uma espécie de vírus de computador que, quando infecta uma máquina, criptografa todos os arquivos dentro de seu disco rígido. Para recuperar o acesso ao seu computador, o usuário deve pagar um “resgate”, geralmente em Bitcoins, que irá lhe possibilitar receber a chave para decriptar os seus arquivos.

O futuro do pagamento digital

Na perspectiva de Rodrigo Batista, a Bitcoin tem muito a crescer e poderá se tornar uma das principais moedas utilizadas mundialmente: “A ideia da Bitcoin já era vislumbrada desde a década de 90, ali 95 e 97, mas só foi criada em 2008. Agora que existe, está tendo fundos de investimento. Esse ano somará um bilhão de dólares em investimentos em empresas de bitcoin, o uso se tornará mais fácil, acho que ele tende a só expandir”.

Carlos Schaeffer também é otimista quanto ao futuro da moeda, porém vê alguns problemas com a Bitcoin. “Cada vez mais temos menos dinheiro de papel na carteira. Temos usado cartões de plástico, usamos smartphones para fazer as transações. Daqui para frente [a Bitcoin] irá facilitar, pois temos mais transações eletrônicas, e não só para compras na internet. Acho que seria uma moeda interessante para o mundo eletrônico, mas por outro lado a gente enxerga essas questões de risco, não tem instituição fiscal, isso não é um problema para os usuários, mas sim para o governo, assim como se o imposto fosse usado corretamente, seria um problema para os usuários.”.

Hoje já temos, nacionalmente um número razoável de lojas virtuais e físicas que aceitam Bitcoins como pagamento, com maior foco na região de São Paulo. Diversos serviços já aceitam a moeda, desde comércio, até atendimento médico e odontológico. Para ajudar os usuários, alguns sites na internet já disponibilizam listas de locais que aceitam o pagamento em Bitcoins.

*Por Caroline Beccari e Matheus Henrique da Silva