Alunos ocupam escolas em Passo Fundo

9 das 39 escolas estaduais tem vigília 24 horas para fazer coro ao movimento nacional

Na manhã da última segunda-feira, 16 de maio, a Escola Estadual de Ensino Médio Professor Eulina Braga, foi ocupada por estudantes. Desde o início da semana, as ocupações nas escolas estaduais de Passo Fundo vêm crescendo, e outras oito escolas já foram ocupadas. Os grupos de alunos em apoio à greve dos professores, reunidos para cobrar melhor infraestrutura na escola e melhorias no ensino, permanecem 24h nas escolas, impossibilitando que as aulas ocorram.

Em Passo Fundo estão ocupadas as escolas: Anna Luisa Ferrão Teixeira, Adelino Pereira Simões, Cardeal Arcoverde, Cecy Leite Costa, Nicolau de Araújo Vergueiro (EENAV), Eulina Braga, Fagundes dos Reis, Protásio Alves e Ernesto Tochetto. Mas outras 3 escolas já estão em negociação para aderir as paralisações e a ocupação, entre elas: a escola Gen. Prestes Guimarães, Mario Quintana e a escola Monteiro Lobato.

Escolas estaduais de Passo Fundo ocupadas ou com previsão de ocupação (Gen. Prestes Guimarães, Mário Quintana e Monteiro Lobato).

Escolas estaduais de Passo Fundo ocupadas ou com previsão de ocupação (Gen. Prestes Guimarães, Mário Quintana e Monteiro Lobato).

A mobilização na cidade vem ao encontro com outras tantas que aconteceram, e seguem ocorrendo, durante o primeiro semestre em todo o Brasil. E essa mobilização trás a tona a voz dos alunos, que também querem reivindicar melhoras em seus espaços de ensino. Eles prometem não sair até que a greve dos professores termine e mudanças ocorram. Segundo Júlia Maciel (16), integrante do Grêmio Estudantil do Instituto Estadual Cecy Leite Costa, a ocupação é uma forma de chamar a atenção por uma educação melhor. “Temos que ter nossos direitos reconhecidos”, justifica a aluna.

Segundo a 7ª Coordenadoria Regional de Educação, das 39 escolas da cidade, 23 estão funcionando normalmente, cinco escolas cumprem período reduzido, nove estão paralisadas ou ocupadas, uma está em processo de avaliação e uma não atendeu ao telefone.

O coordenador da 7ª CRE, Santos Olavo Misturini,  ressalta que as ocupações são pacificas e que não existe previsão de término. Misturini também faz um alerta: todos os estudantes menores de idade, que participam das ocupações devem estar munidos de autorização dos pais. Além disso, durante a ocupação das escolas, os estudantes estão sendo supervisionados por professores representantes da direção e/ou coordenação da escola.

Francieli Teixeira, dirigente da União da Juventude Socialista (UJS), destaca que a ocupação partiu de militâncias dentro dos grêmios estudantis, ligadas ao partido. Segundo ela, um dos objetivos é entregar a escola melhor do que os alunos vivenciam.  Francieli vê as ocupações como uma renovação da esperança. “Ver esses jovens se mobilizando, dormindo mal, comendo mal, em prol de uma causa, é um show de cidadania, compromisso e responsabilidade social e me mostra que militar vale a pena.”

Como contribuição ao movimento a UJS propõe a criação de uma agenda para os estudantes durante a ocupação, entre as atividades estão aulas abertas e atividades culturais, como teatro e música. Professores grevistas também estão mobilizados para que durante as ocupações os alunos não fiquem sem atividades, estão previstas aulas abertas e oficinas nos três turnos.

O Núcleo Experimental de Jornalismo da Faculdade de Artes e Comunicação da UPF (NEXJOR) vai acompanhar as ocupações durante todo o período de manifestações.