O Fagundes é a nossa casa!

Lindemar Ramos e Gabriela Schlotfeldt

Ao chegar no Colégio Estadual Joaquim Fagundes dos Reis, um dos maiores da cidade, é possível notar a movimentação de alunos e professores, mas a agitação não é típico barulho dos alunos indo para a aula  e sim  som daqueles que reivindicam mudanças. São cerca de 60 alunos que ocupam a escola, organizados por uma comissão formada por iniciativa dos próprios estudantes que inspirados pelo movimento #OcupaTudoRS, também desejam uma educação de melhor qualidade.

Com aproximadamente 1.200 alunos, o colégio ensino fundamental e médio teve a terça-feira, dia 17 de maio de 2016, marcada pelo inicio da ocupação dos estudantes aos imensos corredores da instituição. No entanto, eles não estavam apenas preocupados em ocupar a escola, aderindo ao movimento de ação e protesto que já acontece em diferentes cidades brasileiras, mas também em manter a escola sempre limpa e de portas abertas para os demais alunos e professores que não aderiram ao movimento. Por isso, organizaram os alunos que participam da ocupação em grupos para atender pequenas demandas de trabalho, como limpeza, segurança e alimentação.

As pautas que levaram os alunos do Fagundes a se unir com as outras escolas ocupadas são apresentadas no vídeo a seguir pela estudante do Ensino Médio, Carol Binelo da Rosa. Além dessas, é presente entre os alunos o pedido pela reforma de todo o sistema elétrico da escola.

As atividades dentro da escola não param: durante os dia os alunos participam de debates sobre temas que vêem ao encontro dos temas e cenários que estamos vivendo hoje no ensino, como “Mídias Alternativas” palestra oferecida por Patricia Ketzer, professora de filosofia da UPF e sobre “Gênero”, dada pelo Cristian Puhr um dos voluntários dessas atividades. Grupos como a Pastoral da Juventude tem realizado muitas atividades com o pessoal que participa da ocupação, elas variam entre conversas sobre como está sendo o movimento e a realização de um luau para descontrair e animar os jovens.

Gabriela schlotfeldt

Foto: Gabriela Schlotfeldt

Não só alunos e professores participam da ocupação, os pais também  são figuras presentes no apoio à causa. Núbia Rodrigues, uma das mães que participa da ocupação, reveza com outros pais o cuidado com a alimentação dos estudantes. Segundo ela, “deviam ter mais pais que apoiassem o manifesto”, pois é interessante essa participação, tanto como beneficio aos adolescentes quanto para a escola. Núbia, além de ajudar na cozinha, também, junto com o marido acompanham algumas noites a movimentação para cuidar do bem estar dos estudantes.

E quem já cuidava dos alunos antes da ocupação agora segue com o movimento, um deles é o amigo da escola, seu Rodir como é conhecido, é responsável por tomar conta dos estudante do Fagundes durante os intervalos e os horários de entrada e saída. Hoje, ele é um dos apoiadores da ocupação no colégio e acredita que a ação de luta pela educação traz muitos resultados positivos para os alunos e à instituição. Para ele, o desejo é o mesmo que dos estudantes, que os objetivos do movimento no Rio Grande do sul e no Brasil sejam alcançados.

Segundo a página do Ocupa Tudo RS, são 146 escolas ocupadas no Estado, e por enquanto não há uma data para o fim das ocupações. Já a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) pretende instaurar processos para acompanhar as reivindicações e, também, dialogar com os alunos.