Ocupação: de São Paulo a Passo Fundo

A iniciativa que levou estudantes a ocupar as escolas em Passo Fundo, desde a última segunda-feira, 16 de maio, a partir da movimentação de alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Professora Eulina Braga, não começou propriamente em Passo Fundo. Ela iniciou em São Paulo, em novembro do ano passado, e se espalhou por outros estados, como Goiás, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

No dia 9 de novembro de 2015 um grupo de alunos da Escola Estadual Diadema, no ABC, ocupou o educandário em forma de protesto contra a proposta de reestruturação da rede estadual de ensino paulista. A proposta do governo do estado de São Paulo, anunciada em setembro de 2015, previa uma nova organização. Seu objetivo era separar as escolas por unidade, para que elas oferecessem apenas um dos ciclos da educação – ensino fundamental I, ensino fundamental II ou ensino médio – a partir de 2016.

Escola Estadual Diadema primeira a ser ocupada em São Paulo. Foto: Felipe Larozza/VICE

Escola Estadual Diadema primeira a ser ocupada em São Paulo.
Foto: Felipe Larozza/VICE

A proposta previa o fechamento de 93 escolas, o que gerou protesto de pais e estudantes. Além disso, pais contestavam a transferência dos filhos para outras unidades, muitas vezes distantes fisicamente, já que a previsão era de que dos 3,8 milhões de matriculados, 311 mil alunos deveriam trocar de escola.

No dia seguinte à ocupação em Diadema, alunos ocuparam a escola Fernão Dias, em Pinheiros, zona nobre de São Paulo, que veio a ser o símbolo do movimento. Depois delas, à medida que o governo não suspendia a proposta, mais de 200 escolas chegaram a ser tomadas por alunos. Os manifestantes chegaram a sair das escolas e fechar ruas e cruzamentos importantes da capital paulista.

Até que o governo suspendesse a reestruturação, mais de 200 escolas chegaram a ser tomadas por alunos…

No dia 4 de dezembro, 42 dias depois de anunciar o projeto, o governo suspendeu a reestruturação, depois do Ministério Público e da Defensoria Pública do estado de São Paulo, entrarem com uma ação pública na justiça.

Foto: Andrei Nardi - Nexjor

Foto: Andrei Nardi – Nexjor

Motivados pelo que foi feito em São Paulo, alunos de escolas estaduais de Goiás e do Rio de Janeiro promoveram ocupações em protesto contra problemas de infraestrutura e falta de professores. E em abril, o movimento renasceu em São Paulo, desta vez para protestar contra a falta de merenda escolar. A escola Fernão Dias foi novamente tomada.

O movimento chega ao Rio Grande do Sul, com a ocupação da escola Coronel Afonso Emílio Massot, emPorto Alegre. E a luta dos estudantes novamente é contra um projeto de lei. No estado, o projeto 44/2016 – que ainda não tem previsão de votação e por isso depende de um acordo dos líderes dos partidos – abre espaço para a privatização da educação pública. Além do apoio à greve dos professores e a melhoria no plano de educação, cada escola propõe mudanças em sua infraestrutura.

Dormitório feminino na ocupação da Escola Estadual de Ensino Médio Professor Eulina Braga. Foto: Matheus Colombo – Nexjor

De acordo com a fanpage do facebook “Ocupa Tudo RS”, que vem trazendo informações, dados e esclarecimentos sobre as ocupações, até o fim dessa matéria 112 escolas estão ocupadas em 45 cidades*.

 

*Os dados da fanpage são de 19/05/2016