Em tempos de Pokémon Go

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A epidemia Pokémon Go se espalhou rapidamente e invadiu a vida de pessoas em todo o planeta. Conheça os prós e contras do game que está na palma da mão da galera


O desejo de infância de tornar-se um mestre Pokémon, enfim se tornou realidade. Um dos games mais desejados dos últimos tempos, Pokémon Go  desenvolvido pela empresa de software Niantic, apresenta uma interface diferente do convencional. O jogo de realidade aumentada une o mundo real com o virtual conquistando pessoas em toda parte. Disponível para Android e iOS, o game funciona para quem mantém os dados móveis e o GPS ativo, requisitando locomoção dos seus jogadores. A partir disso é possível sair pela sua localidade em busca de pokémons, que aparecem projetados na câmera como se estivessem próximo de você; encontrar PokéStops que oferecem os itens necessários no jogo, e ginásios destacados no mapa, onde será possível escolher uma equipe para proteger e participar de batalhas.

Não é difícil perceber que  Pokémon Go se tornou febre entre os usuários do game. É possível observar em muitos pontos que contém PokésStops, aglomerações de pessoas sem tirar os olhos do aparelho celular. Por meio desta desatenção que os acidentes e roubos se tornaram mais suscetíveis. O estudante do curso técnico em informática, Leonardo Kuhn, relata que presenciou uma adolescente capturando um Pokémon em plena faixa de pedestres, quando o sinal abriu os carros não paravam de buzinar, mesmo assim ela continuo na tentativa de pegar o Pokémon. “O jogo interfere sim, nas atividades diárias, mas tudo é uma questão de bom senso de quem está jogando.”

É claro que em toda parte do mundo, o lançamento do game tem sido algo extraordinário. O assistente de audiovisual, Vinícius Jacques, que é fã desde a infância do anime em que o jogo foi baseado, conta que a competitividade e interação são os motivos que mais lhe atraíram a jogar. “O jogo combina duas coisas que são o principal fundamento de seu sucesso: o fato de ser baseado no anime Pokémon, e a “inovação” embora não tão nova assim, que leva os jogadores a se movimentar a fim de uma melhor experiência de jogo.”

Apesar do amor que muitos absorveram por Pokémon Go, há aqueles que torceram o nariz para o game. Quem não se encontra usando o aplicativo é a universitária Carolina Beux. Por conta disso, sente-se deslocada entre os colegas e amigos. “Considero Pokémon Go um jogo como qualquer outro, enquanto for febre As pessoas vão ficar ligadas nele o tempo todo. Penso que isso atrapalha. Vejo muitas pessoas se tornando viciadas, saindo da aula ou se atrasando pra pegar pokémons, mas a culpa não é do jogo e sim do jogador que não sabe se limitar”.

 

É preciso estar alerta

psicologa

Regina Lange, psicóloga especializada em Crianças e Adultos: jogo se torna um perigo quando interfere nas atividades habituais do usuário

 

Logo após alguns minutos de jogo, é possível notar que Pokémon Go prende o usuário por conta de sua jogabilidade de realidade aumentada. Além disso, o game cria um ciclo compulsivo em sua construção; o estímulo em subir de nível, capturar novos pokémons e conquistar ginásios dentro do mapa se torna mais frequente. Diante disso, os limites precisam ser observados para que o usuário vulnerável não gere um vínculo de dependência sobre o jogo. Segundo o Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, Rodrigo Fonseca Martins Leite, em entrevista para o jornal EXTRA, a ciência já comprovou que os jogos acionam as mesmas regiões cerebrais que o vício em drogas, sugando energia, consumindo tempo e contribuindo com a desatenção do cotidiano.

– O jogo não é algo ruim, quem manipula o celular que acaba perdendo a noção de realidade. – alerta a psicóloga, Regina Lange, enfatiza a importância do papel dos familiares: – É preciso que os pais fiquem mais atentos, tu precisas notar quando a vida funcional da criança ou adolescente passa a girar em torno do jogo, sabe? A gente precisa ter esse cuidado, pois jogar é legal, todo mundo tem algum tipo de jogo no celular para os momentos de distração, mas isso é apenas uma brincadeira, não um objetivo de vida. No caso dos adultos, ele próprio deve e precisa limitar o seu fazer, precisando dizer “não” para as suas vontades.

É necessário que as pessoas próximas de quem está jogando fiquem alertas, pois é comum que esse sujeito, em estado de dependência, não perceba ou negue a situação em que se encontra. A psicóloga Regina Lange afirma que no momento em que o jogo deixa de ser diversão e se torna uma ferramenta de domínio sobre seu usuário, ele faz com que este abandone ou adie atividades habituais, interferindo em sua vida real. Além disso, quanto mais a pessoa se prender ao jogo e seus efeitos positivos, como subir de nível ou encontrar um Pokémon raro, mais ela estará propensa a ficar horas jogando.

 

Os benefícios do game

Destacando o lado benéfico do game, a obrigação de fazer com que o jogador se movimente em Pokémon Go é o principal ponto positivo em uma sociedade onde crianças e jovens passam a maior parte do tempo sentados em frente a uma máquina. Apesar de alguns contras, Lange, é confiante em relação ao jogo: Pokémon Go tem seu lado positivo, pois faz com que o indivíduo se mova e deixe o sedentarismo de lado.

– Não é aquela história do “eu sozinho com uma máquina”, isso faz com que a pessoa seja trabalhada em grupo e acabe interagindo com outras pessoas e lugares. Eu tenho um paciente que antes se isolava em casa e após o lançamento do jogo ele começou interagir e já emagreceu 3kg andando por aí.

Febre temporária, potencial vício ou estímulo físico, o fato é que Pokémon Go está sendo um grande catalisador para pessoas que antes não tinham uma vida ativa, além de ser um hobby divertido que está unindo famílias e fazendo com que pessoas se conheçam e criem vínculos por conta do game. Cabe a cada um definir seus limites: se dentro deles houver um pokemon dando sopa, tanto melhor. Não é sempre que seres imaginários ultrapassam os limites físicos de uma tela para invadir o nosso dia a dia. E o futuro, o que mais trará?

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