Qual a importância de uma graduação?

Em meio as tantas opções de graduações, encontrar uma que se encaixe no perfil de carreira escolhido para o futuro é uma tarefa um tanto complexa. Há quem já saiba desde pequeno, há quem decide e depois decide de novo, e ainda quem segue a escolha já pré-determinada pela família. Mas, além dessas questões, pode surgir outra também, qual a importância de se fazer graduação?

No Brasil, existem três formas de graduação, o bacharelado, a licenciatura e o tecnólogo que podem ser cursados em universidades, centros universitários, faculdades, institutos superiores e centros de educação tecnológica. Além disso, a graduação escolhida podem ser cursadas de modo presencial, semipresencial ou a distância, através da chamada EAD.

De acordo com o Mapa do Ensino Superior no Brasil, durante o período de 2003 a 2014, houve um crescimento de 102,6% no número de matrículas realizadas em cursos presenciais das Instituições de Ensino Superior (IES) públicas e privadas do país, mostrando sua predominância em relação à EAD, a região sudeste é a responsável pela maior parte dessas matriculas, com um percentual de 47,2%. Ainda assim, o ensino à distância contabilizou em 2013, 999 mil matrículas em redes privadas e 155 mil em instituições de ensino públicas.

Segundo o professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Passo Fundo, Altair Fávero, parte desse crescimento vem como consequência da expansão do ensino superior durante os anos 90, que partiu de iniciativas de privadas e da força de organizações internacionais com relação à escolaridade no país. E mais tarde, com as iniciativas do Estado que ampliaram o número de vagas em instituições públicas, e abriu oportunidades de ingresso em IES privadas para quem não conseguiria arcar com os custos. “Considera-se que o grande auge da expansão se deu em 2006 e 2007, em função da iniciativa privada. Hoje, em termos de números, quase 80% das matrículas são de instituições privadas”, comenta o professor.

O Mapa de Ensino Superior ainda aponta que a região sul do país contou com um aumento de 2,2% com relação ao ano de 2012. O estado do Rio Grande do Sul foi o grande responsável por esse crescimento, com um total de 378 mil matrículas em cursos presenciais, 39,3% da região. Nesta forma de ensino os cursos mais procurados foram Direito, Administração, Ciências Contábeis, Psicologia e Engenharia Civil. Enquanto na modalidade de EAD, que registrou um crescimento de 23% entre 2009 e 2013, as graduações com mais matrículas foram Administração, Pedagogia, Empreendedorismo, Gestão Pessoal/Recursos Humanos e Ciências Contábeis.

Os números de matriculados no ensino superior têm crescido nos últimos anos. Um deles é Alisson Cardoso, que irá ingressar no curso de Engenharia Mecânica da Universidade de Passo Fundo, e para ele os benefícios do ingresso serão vistos futuramente na carreira profissional. “Ter uma qualificação superior vai melhorar tanto para o emprego, quanto as oportunidades que irão aparecer para gente. O salário com certeza vai ser mais alto do que aqueles que não são formados”, afirma o estudante. Segundo o IBGE, o Alisson não poderia estar mais correto. Dados divulgados pelo instituto em 2012 revelam que trabalhadores que obtém um nível superior recebem salários, em média, três vezes maior do que os que não possuem diploma de graduação.

Para Suélen Rocha, que vai ingressar na Fonoaudiologia durante o próximo  semestre, fazer um curso de nível superior faz diferença também ao procurar destaque profissional. Mas, o professor Altair chama atenção para a qualidade do ensino, que é preciso estar atento aos serviços que são oferecidos. Segundo ele, com o crescimento, principalmente de instituições privadas, a educação pode ter adquirido, em algumas delas, o caráter de negócio. “Quando você trata a educação como um negócio, você transforma a educação em uma mercadoria”, comenta Altair.

Apesar de muita gente perceber como é importante fazer uma graduação, o números revelam que esta ainda não é uma oportunidade oferecida para todos. Segundo o Mapa do Ensino Superior, em 2013 na população economicamente ativa, apenas 18,5% possuíam nível superior completo. Uma das preocupações do professor, é que esse cenário tenha uma queda maior com a crise econômica que o país vem sofrendo, principalmente com as políticas públicas adotadas para incentivar a educação superior, como Fies e Prouni. “A pergunta que se faz agora é como que vão se portar essas políticas. Ao que tudo se indica vai haver um enxugamento das universidades públicas, com um corte violento de verbas e, isso sim, significa que vai diminuir o número de alunos nas instituições públicas”, afirma Altair.

Nesse cenário da graduação brasileira, quem consegue passar por essa etapa confirma a diferença que o ensino superior reflete em sua trajetória, mas para garantir o crescimento da porcentagem deste grupo, ainda é necessário trabalhar em cima das questões que rodam o contexto social e educacional anterior à graduação, para oferecer uma forma de ensino cada vez mais abrangente no país.