O olhar humanizado para uma realidade complicada


“Não se deve tratar os adolescentes como números e estatísticas e sim, analisar cada caso com sua individualidade”.
Esta frase foi referência no bate-papo “Leitura de realidade das violências na infância e juventude”, que contou com a presença da juíza da Comarca de Guaporé, Renata Dumont Lima. O evento foi promovido pelo Observatório da Juventude, Educação e Sociedade da Universidade de Passo Fundo, junto com o Diretório Acadêmico Santo Agostinho, da Faculdade de Educação e aconteceu na última sexta-feira, 03/03, na UPF. Durante a conversa, a juíza falou um pouco sobre sua experiência pessoal como atuante no âmbito juvenil, diversas vezes provocando reflexões sobre a situação dos menores de idade em conflito com a lei.

Durante o bate-papo, Renata ressaltou alguns pontos importantes sobre estes adolescentes que, na maioria das vezes, são ignorados por uma parte da sociedade. “Meus casos são os excluídos do sistema, os que estão na margem.”, comentou. Como juíza na 2ª Vara Judicial da Comarca de Guaporé, ela atua em todas as áreas, porém, a da infância e da juventude é a que mais lhe chama a atenção:

“É na infância e juventude que está à oportunidade de colaborar para uma verdadeira transformação social. O tratamento mais humanizado dos adolescentes em conflito com a lei, notadamente por meio de soluções não tradicionais, é uma preocupação constante, uma responsabilidade que assumi como magistrada e que tenho buscado concretizar na Comarca de Guaporé”.

Na palestra, a juíza também comentou sobre a sensibilização que se deve ter com estes adolescentes. Quando questionada sobre este olhar mais humanizado que propõe a este tema, Renata fala um pouco sobre sua atuação:

“O atendimento de meros formalismos legais não são suficientes para combater as causas da violência no âmbito da infância e juventude. Por isso, minha atuação volta-se para práticas humanizadas que visam a solucionar o problema em si que aquele núcleo familiar está vivenciando, e não apenas ‘resolver o processo’ que está na pilha do dia. Não se trata de ‘passar a mão na cabeça’, mas sim de aplicar a lei atenta às limitações e ao contexto em que os indivíduos estão inseridos. Talvez esse engajamento mais próximo aos adolescentes denote o olhar sensibilizado”.

Outro ponto muito importante que foi comentado na noite de sexta-feira foi o apoio que os menores devem ter durante o período que estão em tratamento. Segundo Renata, os projetos sociais que existem dentro dos municípios que integram a Comarca de Guaporé são muito positivos para as situações que surgem no dia-a-dia. As crianças e adolescentes podem participar de várias atividades, como oficinas e grupos de apoio, que visam ajudá-los e também, dar o suporte necessário às famílias.