Representatividade feminina: unir forças para atingir um ideal

A Faculdade de Direito da Universidade de Passo Fundo, através dos projetos Projur Mulher e Projur Mulher Cidadã, promoveu na manhã de sexta-feira, dia 17, uma palestra com o tema “Feminismo: Representação Política e Violências Contra a Mulher”. A palestra contou com a presença da deputada estadual Manuela d’Ávila, convidada pela UPF para participar da programação da unidade alusiva ao mês da mulher.

Manuela é porto-alegrense, formada em Jornalismo pela PUCRS. Foi vereadora, deputada federal por dois mandatos e, atualmente, ocupa o cargo de deputada na Assembleia Legislativa gaúcha. Acompanhada da filha, Laura, participou do debate proposto entre alunos e professores.

Iniciou sua trajetória no feminismo recentemente, dentro dos últimos sete anos: “Sempre sofri muito machismo desde que fui eleita e eu comecei a sistematizar isso na forma de um pensamento e de uma atuação na minha vida depois de 2010, principalmente depois de 2012. É bem recente eu ter compreendido o quanto isso foi determinante na minha trajetória ou, na verdade, ter tomado consciência do assunto”, aponta.

A deputada estadual Manuela d’Ávila esteve na Faculdade de Direito e conversou com alunos e professores sobre o feminismo e a representatividade feminina na política. Foto: Ana Paula Eckert Ferri/Nexjor

Durante a palestra, Manuela expôs que o feminismo não se opõe ao machismo: “Existe muita informação errada, muita ignorância com relação ao que é cada coisa. O feminismo é a ideia de que homens e mulheres são iguais e o machismo é a ideia de que os homens são superiores. Não exista ao menos que eu conheça um movimento que defenda superioridade feminina. Pode existir um movimento que ache que nós somos superiores, por enquanto eu só lutando pra dizer que a gente é igual, por hora, pelo menos”, afirma.

A representatividade feminina na política deve ser trabalhada com ênfase desde a academia, segundo Manuela: “Trabalhar isso com as operadoras e operadores de Direito é muito importante, porque a gente precisa entender as leis como um instrumento de luta e de transformação social e cultural. Gosto muito daquela frase que diz que “a maior parte das coisas que aconteceram e que nos escandalizam não estavam contra a lei, elas eram leis”, como é o caso da escravidão, como é o caso dos campos de concentração. Nada disso estava à margem da lei, tudo estava garantido por ela. É preciso entender que a transformação da cultura também se dá através da lei.”