Ser engenheiro: uma conversa sobre convergir e divergir horizontes

“O engenheiro, hoje, pode ser o que quiser. É uma das profissões que dão uma visão muito grande do trabalho em sociedade e das necessidades do trabalho na sociedade industrial que a gente vive.” Diante de um auditório cheio de engenheiros que voltaram à rotina de estudos na manhã de quarta-feira (08), o Programa de Pós-Graduação em Engenharia (PPGEng) da Faculdade de Engenharia e Arquitetura promoveu a Aula Magna do primeiro semestre de 2017. O convidado para palestrar no auditório da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária foi o Prof. Dr. Eduardo Cleto Pires, doutor em Engenharia Civil Hidráulica e Saneamento, Coordenador da Comissão de Avaliação das Engenharias da Capes e professor da USP desde 2003.

Prof. Dr. Eduardo Cleto Pires (Foto: Ana Paula Eckert Ferri/Nexjor)

Durante a palestra, intitulada “Engenharias: Convergências e Divergências”, o professor comentou uma breve história das engenharias, desde os tempos das primeiras construções até os tempos atuais. Neste contexto, fez um breve apanhado do que é ser engenheiro nos tempos atuais: “Ser engenheiro hoje é conseguir com relativamente poucos recursos fazer alguma coisa, criar alguma coisa, um processo, um equipamento, uma máquina, algo que tenha utilidade para alguém. É ter essa capacidade e a vontade de resolver problemas”.

Com todas as criações, projetos e invenções que foram evoluindo com o tempo, o professor aponta que os engenheiros salvaram e continuam salvando vidas no mundo: “O óbvio é vermos o engenheiro que trabalha com Biomedicina, que produz válvulas para o coração, que faz equipamento para tomografia, ecografia e outros mais, mas o engenheiro que trabalha com saneamento, que provê água limpa e elimina rios poluídos, que ajuda a eliminar um esgoto a céu aberto é impressionante. A capacidade que isso tem de reverter e melhorar a condição de vida e de saúde da população. É tão importante quanto ter o posto de saúde no bairro”.

“Aqui (no Brasil) não vemos ainda uma união das engenharias. Ainda existe um movimento centrífugo de especializações”

Coordenador de Engenharias I da CAPES, o Professor explicou que no Brasil, as diferentes engenharias são classificadas conforme sua área de concentração, mas é importante que o profissional entenda um pouco de todas as especialidades: “Aqui (no Brasil) não vemos ainda uma união das engenharias. Ainda existe um movimento centrífugo de especializações. Muitos órgãos, programas e escolas estão começando a se preocupar com isso, que não é tão bom assim. Deixam para, eventualmente, uma segunda ou até mesmo terceira etapa da vida do profissional e no começo, ele deve ter uma base de trabalho com o engenheiro elétrico, com o engenheiro de comunicações, engenheiro mecânico, civil… todos juntos”.

O professor enfatizou que é importante que o profissional siga acompanhando as novas pesquisas dentro da grande área da engenharia, para que não fique ultrapassado com o passar do tempo: “Um engenheiro que não acompanha as novas tecnologias e os novos estudos da área está fora do mercado em menos de cinco anos. Afinal, se projeta de uma maneira absurdamente diferente da que eu aprendi a projetar, por exemplo. É importante que o profissional esteja sempre se aprimorando, seja de maneira formal, através de cursos, ou seja de maneira autodidata, por conta própria”, finaliza.

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